Demanda internacional impulsionou exportações, enquanto custos de produção, conflitos internacionais e questões comerciais preocupam o setor
Por Bárbara Marçal e Rafael Choairy
No último ano, o Brasil registrou um recorde no faturamento do agronegócio, alcançando US$ 169 bilhões de dólares em exportações, valor 3% superior ao registrado em 2024. Segundo o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) o crescimento foi impulsionado principalmente pelas produções agrícolas e pecuárias. Entre os produtos que mais contribuíram para esse resultado estão milho, soja, carnes bovina, de frango e suína, além do café e do açúcar. Um dos fatores ligados a esse crescimento foi a alta demanda internacional por esses produtos.
A pesquisadora Andréia Cristina de Oliveira do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da ESALQ/USP afirma que esse recorde de faturamento se deu por conta de diversos fatores, “Os fatores decisivos para o agronegócio atingir o recorde de faturamento em 2025 foram, de um lado a boa demanda internacional, com os volumes exportados para a China, União Europeia, México e Reino Unido compensando a queda para o mercado norte-americano. De outro lado, o recorde de produção da safra brasileira de grãos e o crescimento da produção pecuária criou espaço (excedente) para que o país pudesse exportar mais sem deixar de atender o mercado doméstico”, declara.
Dados do Cepea mostram que os produtos do complexo soja, que incluem grão, farelo e óleo, lideraram a participação no faturamento em dólar do agronegócio brasileiro em 2025, representando 31% das receitas do setor. Na sequência aparecem as carnes bovina, suína e de frango, com 19%, além dos produtos florestais, café, açúcar e etanol, que também tiveram participação expressiva nas exportações.

O engenheiro agrônomo Diego Henrique Mendes diz que apesar desse crescimento no setor ainda há incerteza para a economia do agronegócio para 2026. “O cenário é considerado desafiador, com múltiplas incertezas, os juros ainda elevados e crédito mais restrito, incertezas políticas principalmente guerras no Oriente Médio e ano eleitoral no Brasil, estes fatores macroeconômicos irão impactar investimentos e custeio”, afirma.
Os desafios também são sentidos no campo. O produtor rural Marlon Ricardo Alves destaca que mais de 70% dos insumos utilizados em sua produção são importados.”Os custos dos insumos estão entre os principais desafios enfrentados pelos produtores, o que tem levado inclusive à redução do uso de fertilizantes por questões econômicas, sendo os maiores desafios a mão-de-obra, mercado, clima e produtividade”, comenta.

Outro desafio apontado pelo setor é o elevado custo de produção. O pecuarista e diretor administrativo Paulo Henrique Pereira afirma que gastos com fertilizantes, combustíveis e a carga tributária continuam pressionando os produtores rurais.”O Custo Brasil é alto demais, medidas como a redução de tributos sobre diesel e fertilizantes poderiam contribuir para aumentar a competitividade do agronegócio”, diz ele.
Para o consumidor brasileiro no entanto esse crescimento pode não ser tão positivo, com o aumento nas exportações os preços para o mercado interno aumenta, impactando diretamente no valor desses produtos nos mercados, Julio César Simões conta como esse aumento afeta a ele e sua família, “A alta dos alimentos impacta na qualidade de vida pois diminui o orçamento para o lazer e saúde”, relata.
Apesar do cenário positivo registrado em 2025, especialistas avaliam que o desempenho do agronegócio em 2026 dependerá da estabilidade econômica, do comportamento dos mercados internacionais e da capacidade do setor de enfrentar desafios relacionados ao clima, aos custos de produção e à disponibilidade de insumos.
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Murilo Sacardi















