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Produção noticiosa dos alunos de Jornalismo | PUC-Campinas

Jovens tiram título de eleitor, mas mostram falta de interesse nas eleições 

TRE recebeu, neste ano, 13.997 novos eleitores, sendo 5.589 entre 15 e 17 anos, sem obrigatoriedade de votar  

Por Camilly Zangrande e Gabriele Domingues 

A participação dos jovens nas Eleições de 2026 tem ganhado destaque em Campinas. Dados preliminares da Justiça Eleitoral mostram que, após o período de regularização, transferência e emissão de títulos encerrado em maio, houve um aumento no número de eleitores aptos a votar no município. Entre os novos eleitores, chama atenção a presença dos adolescentes que decidiram emitir o título para participar das eleições deste ano. 

Segundo informações do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Campinas registrou 13.997 novos alistamentos eleitorais em 2026. Desse total, 5.589 correspondem a jovens de 15 a 17 anos. O maior grupo é formado pelos adolescentes de 17 anos, com 3.914 novos títulos, seguido pelos de 16 anos, com 1.338, e pelos de 15 anos, com 337. 

O chefe de cartório eleitoral de Campinas, Paulo Roberto, afirma que o interesse dos jovens foi percebido durante o período de atendimento ao eleitorado. “Eu percebi na fila muitos eleitores jovens, de 15, 16, 17 e 18 anos, todo o pessoal fazendo o título”, relata. 

A estudante Clarissa Lopes, de 17 anos, está entre os jovens que decidiram participar das eleições deste ano. Ela conta que a principal motivação para emitir o título de eleitor foi a possibilidade de exercer sua cidadania e contribuir para as decisões do país. “Um dos motivos de emitir o documento foi para ter um espaço de voz, para que o meu voto faça uma diferença no destino do país”, afirma.  

Para Clarissa, a participação dos jovens é essencial no processo democrático. “Acredito que os jovens são o futuro do país, logo é de grande importância eles votarem para eleger sempre um bom candidato para governar”, diz. 

A estudante também defende que os jovens busquem mais informações sobre temas que impactam diretamente o país. Para ela, assuntos como economia, educação e segurança pública deveriam receber mais atenção por parte da juventude. “Votar é um direito que muda o direcionamento do nosso país, então precisamos pensar muito bem e lembrar que deixar o voto nulo é deixar de fazer a diferença, deixar o lado maior ganhar e reprimir sua opinião”, declara. 

Apesar do crescimento entre os adolescentes que decidiram participar do processo eleitoral, nem todo optaram por emitir o documento. Entre os jovens que optaram por não emitir o título de eleitor neste ano, os motivos variam entre a falta de interesse no tema e as dificuldades da rotina escolar. 

A estudante Ana Clara Silva, de 16 anos, afirma que decidiu não tirar o documento por não se sentir preparada para participar das eleições. Segundo ela, o conhecimento sobre política é um fator importante para exercer o voto de forma consciente. “Não acho que eu esteja muito por dentro da política para votar, e não quero ter a obrigação de ir votar enquanto eu não preciso fazer isso”, declara. 

Apesar de não ter emitido o título, Ana Clara considera importante a participação dos jovens nas eleições, desde que haja conhecimento sobre os candidatos e os assuntos discutidos durante o período eleitoral. Para ela, a falta de informação e de divulgação pode contribuir para a decisão de alguns jovens de não emitir o documento. 

A estudante Lara Bernardes, também de 16 anos, apresenta uma realidade diferente. Embora seja favorável à participação política dos jovens, ela afirma que não conseguiu tirar o título devido à rotina intensa de estudos. “O principal motivo foi por falta de tempo. Minha rotina no segundo ano do ensino médio está bem corrida com matérias novas, trabalhos e a preparação para os vestibulares”, relata. 

Lara acredita que a presença dos jovens nas eleições é importante para trazer novas perspectivas ao debate público. “Os jovens trazem pautas que os políticos mais velhos às vezes não falam muito sobre, como futuro do mercado de trabalho, saúde mental e tecnologia. Se a gente quer que o futuro mude, a gente precisa começar a participar desde cedo”, afirma. 

Mesmo sem ter conseguido emitir o título dentro do prazo, a estudante diz que pretende regularizar o documento assim que possível. “Se a gente abre mão de votar, deixa que os outros escolham nosso futuro por nós”, conclui. 

Para Paulo Roberto, a participação dos jovens é fundamental para o fortalecimento da democracia, já que o voto representa uma das primeiras formas de manifestação política na vida do cidadão. “O jovem começa a apresentar a sua manifestação por meio do voto popular. Ele começa a dar a sua opinião por meio do candidato que escolhe para ser o seu representante”, explica. 

Segundo o chefe de cartório, um dos principais desafios para aumentar a participação juvenil é ampliar o debate sobre cidadania e democracia dentro das escolas. “Seria importante uma conversa nas escolas para incentivar a importância da democracia. Eles precisam entender como funciona a democracia e a importância do voto para expressar aquilo que pensam.” 

Atualmente, Campinas possui uma estimativa de 868.738 eleitores aptos, enquanto 57.752 títulos foram cancelados por ausência nas três últimas eleições sem justificativa ou pagamento de multa. O número oficial do eleitorado apto para as Eleições 2026 será divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho. 

A orientação da Justiça Eleitoral para quem participará das eleições pela primeira vez é simples: votar de forma consciente. “Escolha conscientemente o seu candidato na próxima eleição”, finaliza Paulo Roberto. 

Orientação: Profa. Rose Bars

Edição: Murilo Sacardi