Com serviços cada vez mais sofisticados, tutores investem em conforto, saúde e experiências exclusivas para seus animais de estimação
Por Helena Frazatto e Mariana Carrer
O mercado pet está em ritmo de expansão no interior do Estado de São Paulo. As regiões de Campinas e Piracicaba já somam mais de sete mil empresas que atuam neste setor. Conforme um levantamento feito pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a região de Campinas concentra 5.042 empresas, enquanto a região de Piracicaba reúne 2.409. No Estado de São Paulo como um todo, o número de novos negócios pet cresceu 11% entre 2024 e 2025, saltando de 5.256 para 5.837 estabelecimentos. Hoje, o estado reúne 27.199 empresas que integram o setor, segundo o Sebrae.
A lista de serviços em expansão é diversificada e inclui comida natural com acompanhamento de nutricionistas; cemitérios e urnas funerárias para pets; banhos e tosas especializados para raças específicas; hospedagem e creches. Os irmãos Ricardo e Rodrigo Chen contam que observaram o movimento nos Estados Unidos, durante uma viagem em 2010, quando tiveram a ideia de criar a Padaria Pet, um negócio que mistura cafeteria para tutores, petiscos artesanais para cães e serviços como spa e creche, tudo em um mesmo espaço. “Tinham esse tipo de modelo de padaria para cães e resolvemos trazer para o Brasil”, conta Rodrigo Chen. O projeto saiu do papel em 2015, com a abertura da primeira loja e, desde então, cresceu por meio de franquias.
Para eles e para o sócio Arquelau So, Campinas mostrou ser um ambiente favorável. “Temos muitos pets e poucos locais de atendimento para eles, algum lugar que vá além de somente água e um petisco”, explica Rodrigo Chen. Na proposta do negócio, o cão pode circular livremente, escolher seus petiscos enquanto o tutor toma seu café. “O tutor vai procurar sempre algum lugar onde ele e o pet se sintam acolhidos, um lugar que ofereça além de produtos, experiências.”

O cardápio reflete a sofisticação crescente das demandas: sorvete, pipoca, cerveja pet, muffins, panetone e bolos de aniversário dividem espaço. “Os tutores buscam para eles coisas naturais, saudáveis, garantia de qualidade de vida e longevidade”, diz Rodrigo.
Quem também encontrou nesse mercado uma oportunidade foi Débora Degasperi, dona de uma creche pet em Piracicaba. O negócio nasceu em dezembro de 2018 de forma quase espontânea, quando começou a receber os animais de amigos nos finais de semana para que pudessem viajar. Protetora independente e apaixonada por cães, ela deixou o emprego em uma empresa e decidiu transformar o que era um gesto de afeto em um negócio. “O que me fez abrir a creche foi o amor por cães e poder fazer a diferença na vida deles”, diz. Segundo ela, a aposta foi feita sem nenhum plano e sem a certeza de que haveria público suficiente.
O crescimento veio aos poucos. No início, a creche atendia entre 10 e 20 cães por dia. Hoje, a média chega a 50 animais. Para Débora, os tutores buscam na creche um lugar que vá além da segurança. “Eles querem um lugar de confiança onde os cães serão bem cuidados, mas principalmente um espaço para gastar energia, porque devido à vida corrida eles não têm tempo para se dedicar”, afirma.
A economista e tutora de sete cachorros, Débora Aparecida, conta que os considera como seus filhos. Ela adotou Dionísio e tudo mudou completamente com a chegada do pet. Dionísio já voou de avião, frequentou bares e restaurantes, fez acupuntura e tem uma agenda semanal que inclui creche e passeios guiados. Quando o assunto é o bem-estar dos seus sete cães, Débora diz que não pesquisa preço e sempre prioriza a qualidade. Dionísio foi resgatado da rua com diversos problemas físicos e neurológicos, incluindo uma lesão cervical que exigiu sessões de acupuntura. Já seu outro cachorro, Frederico, adotado idoso e com deficiência visual, precisa de medicamentos controlados e acompanhamento regular com um oftalmologista veterinário.
Por conta da sua rotina agitada, a tutora contratou um passeador e leva os cães à creche duas vezes por semana, tanto pela socialização quanto para que se acostumem ao ambiente quando ela precisar viajar. “É o serviço que eu mais gasto com eles, mas a experiência é maravilhosa. A creche manda fotos o tempo inteiro de como os cachorros estão e das atividades que fazem lá”.

Débora também relata uma melhora significativa na socialização de uma de suas cachorras, que antes tinha bastante dificuldade nessa área. “Eu indico muito, pois além de contribuir para a socialização do cachorro, é uma ótima forma de tirá-lo de casa. Se você tem condição de proporcionar isso ao seu pet, vale muito a pena”, afirma. Débora diz que o que estiver em seu alcance financeiro será proporcionado aos animais.
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Gabriel Rosa














