Sistema registra aumento de 347% nas queixas entre 2023 e 2025; passageiros relatam atrasos, longos intervalos e superlotação
Por Arthur Neri Veltmeyer e Felipe Barbosa de Souza
Planejado para ser um dos três principais meios de mobilidade urbana da cidade de Campinas, o sistema BRT (Bus Rapid Transit) enfrenta críticas constantes de usuários desde o início de sua operação completa. Apesar da proposta de reduzir o tempo de deslocamento e oferecer intervalos menores entre os veículos, passageiros relatam atrasos, superlotação e dificuldades de infraestrutura no dia a dia. Segundo dados da Emdec, o programa acumulou 418 reclamações em três anos, com crescimento de 347% nas queixas entre 2023 e 2025.
O projeto previa intervalos médios de cinco minutos entre os veículos, mas, na prática, reclamações apontam até 20 minutos em horários de pico. Atualmente, o sistema transporta cerca de 73 mil pessoas por dia, pouco comparado com a previsão inicial de 250 mil, podendo chegar a 400 mil em dias de pico. Esse número atual mantém o BRT como uma das principais estruturas do transporte coletivo da cidade, apesar das críticas envolvendo sua operação.
O projeto iniciou suas construções em 2017, sendo totalmente finalizado apenas em abril de 2025, e entre as principais reclamações no site da Emdec estão a demora nas linhas, a lotação dos ônibus e a infraestrutura comprometida, seja dos próprios veículos quanto dos pontos.
A atendente de farmácia Juliana Ferreira, de 26 anos, afirma que reorganizou sua rotina quando o BRT começou a operar, acreditando que o sistema reduziria o tempo gasto no trajeto até o trabalho. Segundo ela, os atrasos frequentes passaram a comprometer sua rotina. “No começo eu até mudei meus horários contando que os ônibus iam passar mais rápido. Só que hoje em dia os atrasos acabam atrapalhando bastante”, relata. Juliana afirma que costuma esperar entre 15 e 20 minutos pelo BRT, tempo elevado comparado com a promessa inicial de apenas 5 minutos de intervalo. Ela também conta que precisou voltar a utilizar ônibus convencionais em algumas situações por considerar o transporte mais previsível. “Tem dia que vem um ônibus lotado e depois demora outro tempão pra passar outro”, afirma.
Mesmo usuários que não utilizam o BRT diariamente acompanham as críticas relacionadas ao sistema. O estudante de Psicologia Rodrigo Cassineli, de 19 anos, afirma que preferiu continuar com os ônibus convencionais devido às reclamações envolvendo atrasos e lotação. “A gente fica sabendo de muita promessa de que é mais rápido, mas a realidade é que tem muita reclamação de atraso e lotação. Preferi continuar no sistema normal mesmo”, diz.
Cassineli afirma que já utilizou o BRT em algumas ocasiões, mas não percebeu uma diferença significativa em relação ao transporte convencional. “Achei os ônibus mais modernos, mas sinceramente não achei uma diferença tão grande assim no tempo de viagem”, comenta.
Ajustes operacionais
Ângela Silva, assessora de imprensa da Emdec, diz que a frota dimensionada das linhas BRT permite ofertas de ônibus a cada cinco a seis minutos em horários de pico, mas essa disponibilidade vem sendo comprometida por situações recorrentes de falta de veículos. Também disse que “o intervalo apontado, de 20 minutos, não ocorre no cenário atual, em função da variedade de linhas disponíveis no corredor. Os intervalos entre um ônibus e outro foram estimados em 10 minutos”, revela. Uma das prováveis explicações para poucos veículos disponíveis é a fraca infraestrutura. “A Emdec vem autuando os operadores, reforçando a fiscalização nas garagens e cobrando a manutenção preventiva dos veículos”.
Segundo ela, o aumento das reclamações à operação gradativa das linhas, considerando que a operação piloto começou em novembro de 2022 e se estendeu até janeiro de 2024. “São sete linhas em operação atualmente. É natural, portanto, que haja mais solicitações envolvendo o BRT a partir do aumento gradativo da demanda de usuários”, complementou.
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Murilo Sacardi















