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Campinas celebra maestro que pôs cidade no mapa da música

Por Giovana Perianez

Em 2025 completam-se cento e vinte e nove anos da morte de Carlos Gomes. Campineiro e o mais importante compositor de ópera brasileiro, o maestro faleceu em Belém, no Pará, no dia 16 de setembro de 1896. Ao longo deste mês, Campinas tem uma programação especial para celebrar a importância do compositor para construção da identidade da cidade.
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Antônio Carlos Gomes nasceu em Campinas, no dia 11 de julho de 1836, na rua da Matriz Nova, hoje rua Regente Feijó. Filho de Manoel José Gomes, o “Maneco Músico”, e de Fabiana Maria Cardoso, desde cedo, “Tonico” (como era chamado) demonstrou interesse pela música. Mais tarde iniciou os estudos de música com o pai e incentivado pelo irmão.

Funeral do Maestro Carlos Gomes (Foto: Acervo CCLA)

Em 1857 já havia composto a “Missa de São Sebastião” e em 1859 entrou para o Conservatório de Música do Rio de Janeiro. Após cinco anos como o melhor aluno do Conservatório recebe uma indicação do Imperador para estudar em Milão onde comporá a sua obra mais famosa, “O Guarani”, que foi inspirada na obra do escritor José de Alencar. 

Para Américo Baptista Villela, historiador do Museu da Cidade, o compositor colocou Campinas no cenário internacional das artes, em especial da música com a ópera O Guarani. Isso aconteceu em um momento que a cidade se limitava a não mais que meia dúzia de ruas, onde hoje é Barão de Jaguara, Barreto Leme e Benjamin Constant. 

Mais tarde, no ano de 1911, foi fundado o ‘Guarani Futebol Clube’, que além de levar o nome da obra do compositor, foi fundado em uma reunião realizada por 12 jovens na praça Carlos Gomes.  As cores verde e branco foram definidas pela cor da grama da Praça e a cor do céu de Campinas no dia. Outra referência é a introdução da ópera “O Guarani” ser a introdução do Hino do Guarani Futebol Clube.

Segundo Marcelo Tasso, Superintendente Executivo atual do time, O Guarani Futebol Clube busca manter viva a conexão com o maestro. Isso é feito em momentos de comemorações importantes realizadas na praça, no centro de Campinas. Também em algumas carreatas do clube que já iniciaram no mesmo local.  “O Guarani busca trazer em seu uniforme de jogo elementos que remetem ao clube, como traços indígenas, símbolos de datas que remetem ao título de campeão Brasileiro de 1978 e agora estuda lançar algo que remeta a famosa estátua de Carlos Gomes”, afirma Marcelo.

Praça Carlos Gomes nos dias atuais (Foto: Giovana Perianez)

Américo comenta que apesar da memória de Carlos Gomes estar presente em locais e instituições centrais de Campinas, como a Praça Carlos Gomes, o monumento túmulo, a escola com seu nome, a Banda e o Conservatório, poucos moradores da metrópole são capazes de responder quem é o maestro, ou ao menos, entender sua relação com a cidade.

“No tempo presente ele está esquecido, pois a cidade cresceu e grande parte de sua população não tem uma relação de identidade com esse passado. Em tempos passados, o maestro teve um reconhecimento maior por parte dos seus conterrâneos”, diz Américo.

Para Alcides Acosta, presidente do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), instituição que cuida do Museu Carlos Gomes, o fato de haver vários projetos e locais que remontam ao nome e trabalho de ‘Tonico’, a memória do maestro segue presente. 

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“Embora se acuse Campinas de não dar valor ao grande herói Carlos Gomes, um simples olhar atento permite observar instituições culturais significativas e importantes serem denominadas com seu nome.Todos ostentando com orgulho esse nome” 

Alcides Acosta

O CCLA foi fundado em 1901 por César Bierrenbach, Prof. Coelho Neto, pelo botânico José de Campos Novaes e outros intelectuais, médicos, jornalistas e mestres do Culto à Ciência. Entre os fundadores estava também o irmão do compositor, o maestro, violinista José Pedro de Sant’Ana Gomes, ressalta Alcides.

Atualmente, a instituição possui um imenso acervo, por exemplo, com o Museu, as partituras musicais, a estatuária de suas hermas e as fotografias. Assim, participa de eventos e organiza recitais frequentemente ssistindo essas óperas, bem como ouvindo suas canções e modinhas, obras para piano e as Missas de São Sebastião e de Nossa Senhora da Conceição, terá a exata dimensão do virtuosismo composicional de nosso maior artista.”, finaliza Alcides.

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