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Construído em 1911 e tombado em 2006, o prédio é exemplo de restauração que revitaliza áreas urbanas de Campinas
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Beatriz Barbato e Sofia Pisteker
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O Edifício Roque de Marco, localizado no Largo Marechal Floriano Peixoto, é um dos marcos que chamam a atenção de quem circula pela região central de Campinas. Suas amplas janelas e adornos revela tratar-se de uma construção antiga, semelhante a outras que compõem o patrimônio histórico no Centro. Ao longo dos anos, o prédio passou por processos de restauração, com o objetivo de preservar a memória de uma Campinas de outras épocas.
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A primeira planta do edifício data de 1911, quando o italiano Roque de Marco, registrado em certidão como Rocco, influente exportador de café e comerciante que teve papel importante no desenvolvimento local, decidiu erguer um imóvel ao lado da estação ferroviária. Durante décadas, o Centro se organizou em torno dos grandes exportadores e oligarcas ligados ao café, base econômica predominante da região naquele período.
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O projeto ficou a cargo do engenheiro Henrique Hüsmann, também responsável pelo Edifício Lidgerwood, que mais tarde abrigaria o Museu da Cidade. O prédio manteve sua estrutura original até 2012, quando passou por restauração para atualizar sua área útil sem comprometer o valor histórico.
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O processo de tombamento foi iniciado em 2006, no último ano da gestão da então prefeita Izalene Tiene (PT), como parte de uma campanha municipal voltada à revitalização de fachadas históricas. Pertencente à família Gatti, o edifício foi vendido em 2010 e sua recuperação teve início no ano seguinte.
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Para a arquiteta Ana Paula Farah, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, um dos principais desafios da restauração de um centro histórico e, especialmente, de um prédio começa com a atuação do profissional que irá atuar na área, no campo da preservação histórica.
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Ana Paula reforça que restaurar ao invés de demolir é 30% mais barato e mais sustentável, segundo estudos. “A preservação e a restauração são o cerne do conceito de sustentabilidade”, diz. Segundo ela. o restauro tem em comum a memória coletiva, a ideia de pertencimento do munícipe com a cidade. “A restauração não preserva apenas parte da história de Campinas, mas de família tradicional e abriu espaço para que novas histórias se formassem ali”. O edifício foi utilizado por muitos anos como residência da família Roque de Marco e seus descendentes, filhos de Francisca e Mario Gatti.
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A professora de história Monique Moura, formada pela Universidade Estadual Paulista, reforça que os processos de restauração são fundamentais para o reconhecimento da população com a reflexão do que foi e a representação nos dias atuais. “O impacto é memória, é compreensão de que você faz parte da cidade, de um todo, com uma identidade, do que significa ser munícipe daquele lugar.”
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Ed. Roque de Marco, no Largo Marechal Floriano Peixoto, é um marco da arquitetura (Foto: Beatriz Barbato)
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Orientação: Rose Bars
Edição: Adauto Molck
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