Gabriel “Golden Boy” Tomaz começou como uma forma de gastar energia, assim como muitas crianças, e aos 15 anos já tem uma carreira de sucesso
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Por: Henrick Borba
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A luta sempre esteve presente na história do esporte, de guerras e até de civilizações, mas a prática das modalidades deste segmento vai muito além do confronto físico. Embora ainda sejam completamente associadas à violência, as lutas, quando ensinadas e realizadas dentro do regulamento e dos princípios do esporte, são uma ferramenta poderosa de desenvolvimento físico, mental e social.
Os esportes de luta como MMA, Muay Thai, Judô e Jiu-Jitsu passaram por um processo evolutivo, onde toda a sua filosofia é fundamentada em princípios modernos de ética e cidadania, estabelecendo regras, equipamentos de proteção, aparatos médicos e até treinamentos científicos, que estão cada vez mais validando este esporte em definitivo como “luta esportiva”.
Diante disso, a maioria dos lutadores são completamente diferentes daquilo que é retratado, como pessoas violentas e impacientes, na verdade, são realizadas atividades mentais para o fortalecimento do controle de emoções, foco durante treinos e aulas, agilidade e coordenação motora.

Gabriel Tomaz, conhecido como Golden Boy, tem 15 anos e treina desde os quatro anos de idade. Ele começou sua carreira muito cedo, ainda no judô, com dois anos, e aos cinco entrou para o Muay Thai. “Eu comecei muito cedo porque era uma criança muito explosiva e meu pai procurou algum jeito de gastar a minha energia, que foi a luta. Desde pequeno, eu comecei como uma forma de gastar energia e virou o esporte da minha vida”, disse.
O atleta acredita que, no esporte, quanto mais você treina, mais você perde a necessidade de ser agressivo dentro do ringue. “Quando você domina o esporte, você não tem mais necessidade em sair por aí brigando, porque é muito trabalhada a questão mental do esporte, para você ser uma pessoa calma, disciplinada, com controle emocional, porque a raiva só te leva para os piores lugares dentro e fora da luta”, disse Gabriel.
“Hoje, muitas pessoas decidem parar no meio do caminho porque é difícil como qualquer outro trabalho. Se você almeja algo que é grandioso, exige esforço e as pessoas não estão preparadas para isso que você tem que dar, em determinado momento”, disse Gabriel sobre o incentivo que teve no início da carreira.
Gabriel conta com mais de 750 mil seguidores e quase 10 milhões de curtidas contando todas as suas redes sociais. O jovem explodiu na internet depois de postar vídeos falando sobre a rotina de lutador, mostrando suas lutas e produzindo vídeos de entretenimento mostrando os perrengues e as dificuldades que um lutador pode passar, por exemplo, durante o corte de peso para uma luta. Ele conta mais sobre sua trajetória e sobre seu lado influenciador no vídeo a seguir.
A grande impulsão da carreira de Gabriel veio com a ajuda do pai, Marco Tomaz, que também é empresário. Ele acredita que o esporte é um moldador de caráter e mostra que as pessoas estão correndo atrás da sua melhor forma. “O esporte traz conhecimento, disciplina, ensina sobre respeito, além de trazer segurança, ensinando a se defender no momento que é necessário, além de evitar a violência dos demais”, disse.
Para Marco, existem dois tipos de luta MMA, aquela que acontece dentro do ringue, e a luta da vida, fora da academia. “As pessoas precisam decidir qual luta vão seguir, se é a luta da vida, sem o esporte, contra uma doença emocional, física ou psicológica, ou desenvolver uma luta funcional, que vai te ajudar a desenvolver mais respeito, técnica. Então, em ambos os lados a gente vai ter uma luta”, diz.
Ricardo Piccolo é professor de judô e dá aulas para crianças e adolescentes que estão ingressando nas artes marciais. Ele acredita que quem pratica esses esportes, pode levar vantagem em algumas situações. “A pessoa que aprende algum tipo de luta acaba sendo uma arma, se comparado com pessoas que não possuem nenhum conhecimento e, se for treinado corretamente, levará vantagem em um confronto”, disse.
Mas, por outro lado, Ricardo comenta que este não é o principal objetivo da prática esportiva de luta. “A arte marcial tem como objetivo a formação de um bom cidadão, alguém com espírito e corpo prontos para fazer uma sociedade melhor, e esse é pra ser o ideal de alguém que pratica o esporte. A prática é uma forma de educação, formação de caráter, autocontrole, diminuição da violência e ajuda a ter uma sociedade melhor”, finaliza.
Especialista em Educação Física, Dr. Luiz Gustavo Rufino explica qual é a relação das artes marciais com a educação positiva e porque isso é tão importante dentro do esporte. Confira no áudio a seguir:

“O futuro dos jovens na luta é muito promissor. Estão enxergando o real sentido da vida, que é buscar a qualidade de vida através do esporte. É um caminho difícil, como qualquer outra área. Então, você vai ter que se dedicar muitas horas por dia, mas os jovens estão vindo com muita força agora, o caminho é muito promissor”, completa Marco.
A prática da luta exige que o lutador entenda o limite físico e emocional do corpo e do oponente, deixando principalmente a segurança de quem está competindo em primeiro lugar, além do respeito pelas regras e pelo outro, que é fundamental.
“Na violência você não tem honra e respeito pela pessoa que você está brigando, então você vai fazer de tudo para machucar ela, em uma competição são duas pessoas que têm o mesmo sonho e objetivo, que vem do mesmo lugar. Muitas vezes você deixa de dar um certo golpe porque sabe que poderia lesionar ele, então a diferença entre violência e esporte se dá por isso, ter honra e respeito”, finaliza Gabriel Tomaz.
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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana

