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John Boyd Dunlop lidera ranking de acidentes em Campinas

Ocorrências na cidade aumentam 12% em relação ao início de 2025, enquanto o número de mortes registra queda no mesmo período

Por Bárbara Marçal e Lucas Tamari

O número de acidentes de trânsito em Campinas apresentou aumento no início de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Infosiga, plataforma do DETRAN-SP responsável pelo monitoramento de sinistros em todo o estado. No início do ano passado, Campinas registrou 242 sinistros nas vias urbanas da cidade, com 10 mortes nos dois primeiros meses. Já no mesmo período deste ano, foram contabilizados 271 acidentes.

Apesar do crescimento nas ocorrências, o total de mortes nas vias urbanas registrou queda, indicando um cenário de maior quantidade de acidentes, mas com redução na mortalidade no trânsito do município.

De acordo com a Emdec, a avenida John Boyd Dunlop aparece como a via de Campinas que concentra o maior número de acidentes de trânsito, liderando o ranking de ocorrências e chamando a atenção para os desafios de segurança viária em um dos principais corredores urbanos da cidade. Ao longo do ano passado, a avenida contabilizou 212 sinistros, que deixaram quatro mortos.

Os perigos e níveis de acidentes na John Boyd Dunlop não são apenas percebidos por estatísticas, mas também pelas histórias de quem já vivenciou acidentes no local. O estudante Arthur Lemes Oliveira, de 17 anos, relembra o episódio que marcou sua vida e a de sua família. Ele relata que enfrentou limitações no dia a dia e impactos emocionais significativos devido às múltiplas fraturas que sofreu e precisou utilizar cadeira de rodas durante a recuperação. “Fiquei bastante tempo sem sair na rua com medo de isso acontecer novamente, além de não conseguir fazer coisas básicas como vestir roupa ou escovar os dentes”.

O acidente aconteceu em uma faixa de pedestres próxima à Caixa Econômica Federal, ao lado de um posto de combustível. Segundo ele, mesmo em um ponto destinado à travessia, a situação não garantiu sua segurança e as consequências foram além das lesões físicas.

Também vítima do mesmo acidente, o engenheiro de telecomunicações Hugson Alves Oliveira, pai de Arthur, relata a gravidade do ocorrido. De acordo com ele, o atropelamento aconteceu mesmo com o sinal verde aberto para passagem de pedestres. “Assim que iniciamos a travessia, veio um carro em alta velocidade pelo corredor do BRT, onde fomos atingidos”. Ele ficou internado por cerca de 90 dias, sendo 32 deles em coma na UTI, após sofrer traumatismo craniano grave. “Hoje mesmo voltando a minha rotina de trabalho, ainda tenho dificuldades e sigo fazendo fisioterapia”, diz.

Arthur Lemes Oliveira com seu pai Hugson Alves Oliveira. (Foto: Bárbara Marçal)

Arthur Lemes Oliveira aponta o comportamento dos motoristas como fator agravante. “A avenida é bastante movimentada e já tem um certo risco, além de algumas pessoas que não tem a sensibilidade de pensar no próximo e dirigem bêbados ou mexendo no celular, isso colabora com o alto índice de acidentes.” Seu pai, Hugson Alves Oliveira, reforça essa percepção e destaca a falta de conscientização no trânsito. “Passei por tudo isso por conta de uma pessoa inconsequente, que avançou o sinal vermelho e fugiu sem prestar socorro”, relata.

Segundo Márcio de Souza, analista de comunicação e responsável pela assessoria de imprensa da Emdec, a maioria dos sinistros fatais na avenida está relacionada ao comportamento do condutor. “As atitudes de risco mais frequentemente observadas envolvem o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e o desrespeito à sinalização”.

Mesmo com a estrutura e a sinalização já existentes, a avenida ainda demanda novas melhorias para reduzir os acidentes. Entre as sugestões estão a construção de passarelas, a instalação de lombadas, o aumento de radares e o reforço da sinalização.

Entre as melhorias que estão sendo realizadas na avenida, Márcio de Souza destacou intervenções estruturais e operacionais, como o alargamento de viadutos e passagens, a construção de novas alças de acesso e a implantação do “Complexo Viário Luiz Lauro F. Filho”. Também foram promovidas a reconfiguração de cruzamentos, a instalação de radares e a implantação do sistema de “Onda Verde” nos semáforos, com o objetivo de melhorar a fluidez do tráfego.

Além disso, a via passou a contar com rotas cicloviárias ao longo de seu trajeto e com a implantação da “Minicidade do Trânsito”, voltada à educação de crianças e à conscientização sobre atitudes seguras no trânsito.

Orientação: Profa. Rose Bars

Edição: Gabriel Rosa

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