De educação e bem-estar à causa animal, jovens da região de Campinas mostram que solidariedade não tem idade
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Por Juliana Lamussi
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No Brasil, existem mais de 800 mil Organizações da Sociedade Civil (OSCs) ativas, segundo o Mapa das Organizações da Sociedade Civil, plataforma criada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados, atualizados em 2023, mostram um aumento de 7,8% em relação às 815.677 organizações registradas em 2021, demonstrando o fortalecimento da atuação social no país. Entre as iniciativas que se destacam, estão projetos criados e conduzidos por jovens da região de Campinas, que unem solidariedade, educação e sustentabilidade para reduzir desigualdades e gerar oportunidades.
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O Cursinho Responsa, criado em 2013, é um exemplo da atuação de jovens para o bem social. O projeto foi fundado por alunos do Colégio Técnico de Campinas (COTUCA) e da Escola Técnica Estadual Conselheiro Antônio Prado (ETECAP) que, ao reconhecerem os benefícios de uma escola técnica, decidiram oferecer apoio educacional e emocional a estudantes de escolas públicas em vulnerabilidade, preparando-os para as provas do vestibulinho . O cursinho soma mais de 1.180 estudantes e possui parceria com a Unicamp por meio do Projeto Colmeias, criado em 2022, que garante apoio financeiro e mantém o cursinho gratuito.
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“Nossa missão é democratizar o acesso à educação e à preparação para os vestibulinhos de escolas técnicas, como Colégio Técnico de Campinas (COTUCA), Escola Técnica Estadual (ETEC), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e Colégio Técnico de Limeira (COTIL), criando oportunidades reais de transformação da vida financeira e social dos estudantes e de suas famílias”, relata Ana Carolina Tacano, 22, estudante da FEA-Unicamp e ex-aluna do Cotil, atualmente é professora e coordenadora do Cursinho Responsa.
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Outra iniciativa que nasceu de forma espontânea é o Projeto Camarim, criado em 2021 por duas estudantes, Natália Reis, 20, e Letícia Trombeta, 20, sensibilizadas pelos efeitos da pandemia. “O projeto surgiu quando percebemos o aumento da desigualdade e da pobreza. Decidimos agir arrecadando produtos de higiene pessoal e montando kits individuais, com a missão de transformar a autoestima e o autocuidado das pessoas que os recebem”, explica Natália.
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O engajamento social dos jovens também se estende à causa animal. Clara Brait, 22, estudante de veterinária, administra um abrigo temporário de animais resgatados, oferecendo cuidado e reabilitação até que sejam adotados. “Este projeto sempre representou empatia, com os animais e com quem os ajuda. Eu me revoltava com casos de maus-tratos e abandono, mais ainda por não fazer nada. Hoje, sei que transformei a vida de 58 animais, que para mim é pouco, mas para cada um deles foi muito “, comenta.
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Projetos como esses dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que reúne 17 metas globais para promover um futuro mais justo. Um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é o ODS 3, sobre Saúde e Bem-Estar, que defende o acesso à saúde de qualidade e o bem-estar de toda a população. Outro objetivo é o ODS 4, sobre Educação de Qualidade, que defende uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa, oferecendo oportunidades de aprendizagem para todos. Já o ODS 14 e o ODS 15 têm como foco a preservação do meio ambiente, voltando-se à proteção dos ecossistemas marinhos e terrestres e à promoção do uso sustentável dos recursos naturais.
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No Brasil, a atuação de organizações e projetos sociais é garantida pela Lei nº 9.637/1998, que estabelece: “O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde.”
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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
