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Atividade física é recomendada para uma 3ª idade ativa

Especialistas afirmam que exercícios leves ou mais intensos são igualmente válidos, desde que com acompanhamento 

Por João Pedro Pocciotti 

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Pela primeira vez, o Brasil tem mais idosos (60 anos ou mais) do que jovens (de 15 a 24 anos). Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira a partir de 60 anos mais que dobrou nas últimas duas décadas, passando de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas. No período de 2000 a 2023, a proporção de idosos na população brasileira quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%.

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Os números mostram que o país está envelhecendo rapidamente. Com isso, surgem dúvidas sobre quais hábitos e ações podem garantir não somente mais anos de vida, mas anos vividos com qualidade. A fisioterapeuta, Rafaela Vicente, diz que a prática de exercício físico na terceira idade é uma dessas ações.

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Rafaela afirma que a caminhada é uma valiosa opção (Foto: arquivo pessoal) 

“Os principais benefícios da prática de atividade física são a melhora da força muscular, redução de dores, ganho de equilíbrio, prevenção de quedas, aumento da capacidade cardiorrespiratória e de mobilidade articular, além de mais autonomia para a realização das atividades da vida diária”, ressalta a profissional.

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Rafaela também diz que a fisioterapia é uma excelente escolha para aqueles que não praticam atividades físicas desde cedo e que desejam começar já na terceira idade. “O ideal é começar com avaliações para entender força, mobilidade e possíveis limitações. A partir disso, é iniciado o processo de fortalecimento voltado para os músculos utilizados na atividade, além de atenção redobrada às articulações, que tendem a ser mais sensíveis com o passar dos anos”, explica a fisioterapeuta.

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A Casa do Vovô Feliz, uma instituição dedicada ao bem-estar dos idosos, implementou, há 10 anos, a prática do Tai Chi Chuan, uma arte marcial chinesa que combina movimentos suaves e leves com princípios de meditação. Teresa Kawasaki, coordenadora da instituição, conta que os resultados são imediatos para aqueles que iniciam a prática.

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Em algumas oficinas a professora utiliza bolas de vinil para estimular certos movimentos (foto: reprodução/redes sociais)

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“Muitas pessoas vêm pra ‘cá’ com sentimentos de tristeza, cansados. A prática melhora muito o humor, por ser uma atividade terapêutica e por conta da socialização com os outros idosos. A professora ensina sobre os movimentos, a respiração, os órgãos do corpo, então, eles têm um melhor autoconhecimento do corpo, além de desenvolverem uma melhor flexibilidade e equilíbrio”, afirma Teresa.

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Segundo Rafaela Vicente, é ideal ter variedade nos exercícios para garantir outros estímulos importantes para a saúde. “Práticas leves como essa são excelentes para idosos pois combinam movimentos suaves, coordenação, respiração e concentração, ajudando muito no equilíbrio. Porém, o ideal é complementar com o fortalecimento muscular, atividades aeróbicas e exercícios de mobilidade, garantindo um cuidado mais completo”, alerta a fisioterapeuta.

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Ismael Leme optou por uma atividade mais intensa, a corrida. Com 65 anos, começou a correr com um amigo pelas ruas do bairro Vila São João, em Itupeva, e decidiu reunir pessoas para praticar com ele. Hoje, com 83 anos, Ismael continua firme e forte, correndo não só pelas ruas do seu bairro, mas em diversas corridas pela região de Campinas. O idoso já participou de mais de 100 corridas, dentre elas, três edições da São Silvestre. E quer mais, já comprou ingresso para sua próxima prova, a 9° Corrida Rústica de Indaiatuba, que acontece no dia 11 de janeiro de 2026.

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Ismael pegou gosto pela corrida e já participou de mais de 100 provas (Foto: arquivo pessoal)

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Ismael guarda suas medalhas em seu quarto (Foto: arquivo pessoal)

“A gente corre por tudo quanto é lugar, pra mim é uma alegria. Me sinto bem de correr, estar no meio do povo, o pessoal às vezes até vem tirar foto e me dar ‘os parabéns’, é maravilhoso”, comenta o corredor. Ismael faz acompanhamento médico de seis em seis meses e todos os exames estão em dia. O idoso não toma nenhum remédio para regular a pressão arterial ou para tratar de dores no corpo. Recém-operado da catarata e com quase 84 anos, ele explica o segredo de sua vida saudável.

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“Quando tem corrida eu nem durmo direito, fico ansioso, mas isso porque estou sempre preparado. Vou à academia ao ar livre que tem aqui no parque, faço ginástica, faço barra, corro quase todo dia e me alimento bem. Como bastante verdura, salada, fruta, e respeito meus limites, a idade vem vindo e eu vou abaixando os percursos das corridas, agora pra 6k, 5k. Correr faz bem demais pra saúde”, conclui Ismael.

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Dados do IBGE revelam que pelo menos 9 milhões de idosos praticam algum tipo de atividade física, o que representa 27% da atual população idosa do país. No entanto, pesquisas também mostram que sete em cada dez idosos não praticam nenhum tipo de atividade física. O Ministério do Esporte segue discutindo possíveis investimentos e ações para a terceira idade, visto que a projeção é que o número de idosos alcance 75,3 milhões até 2070, representando 37,8% da população total do país.

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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Ana Elisa Desiderá

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