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Especialistas propõem tecnologia no manejo de árvores

Comissão de Estudos presidida pelo vereador Paulo Gaspar quer evitar tragédias em parques de Campinas

Por Daniel Ribeiro

Na reunião da comissão especial de estudos da arborização urbana, realizada na sexta-feira (3), na Câmara Municipal de Campinas, a engenheira agrícola Raquel Gonçalves e o agrônomo Ivan Alvarez propuseram tecnologias de manejo para prevenção de riscos relacionados à queda de árvores no município. A proposta é que essas tecnologias venham a nortear o controle, censo e manutenção das espécimes da cidade, buscando evitar tragédias como as que ocorreram em 28 de dezembro e 24 de janeiro, quando duas pessoas foram vitimadas por queda de espécimes em parques públicos.

Raquel Gonçalves e Ivan Alvarez em depoimento na Comissão de Estudos da Câmara de Campinas (Foto: Daniel Ribeiro)

A professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, Raquel e seu colega Alvarez, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, ressaltaram o valor ecológico e econômico das árvores, bem como as novas tecnologias podem permitir um monitoramento mais eficiente. A docente apresentou dados da prefeitura de Madrid (Espanha) que demonstram que a arborização eficiente e organizada da cidade representa uma economia de EU$ 7,9 milhões ao ano para os cofres públicos.

Já o pesquisador Ivan Alvarez abordou o portal Árvores de Campinas, criado pela Embrapa e disponível à população. Nele, os interessados podem verificar localização, tipo, espécimes e densidade de árvores por quarteirão. Além de servir para consultas, Alvarez propôs que o portal seja usado como uma ferramenta geocolaborativa, pela qual a população, com um aplicativo no celular, poderá alimentar um banco de dados sobre a situação individual das espécimes, com informações salvas em um sistema RDIF, de identificação de radiofrequência.

Os especialistas ainda demonstraram tecnologias nacionais que auxiliam na arboricultura, sendo duas delas desenvolvidas na Unicamp nas áreas de tomografia e ultrassonografia. Além de mais eficientes que as convencionais, em determinadas situações evitam os métodos invasivos de perfuração. Esses aparelhos não se limitam ao meio acadêmico, e já são utilizados em campo, sendo alguns deles produzidos e comercializados no país.

Os vereadores Paulo Gaspar e Paulo Búfalo, membros da Comissão de Estudos para arborização urbana (Foto: Daniel Ribeiro)

A Comissão, presidida pelo vereador Paulo Gaspar, foi instaurada no dia 10 de fevereiro após o pedido para criação de uma CPI legislativa não ganhar apoio suficiente. O vereador conta que espera que a Comissão de Estudos proponha uma legislação efetiva e atual, e que no final haja transparência do poder público no cumprimento das resoluções. Gaspar afirmou ainda que as novas tecnologias são vitais para o diagnóstico do progresso das políticas públicas de arborização. Segundo disse, os dados produzidos por elas serão um parâmetro para a fiscalização da efetividade e qualidade do serviço oferecido pelo órgão responsável.

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Melyssa Kell

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