Tecnologia

Aplicativos ajudam idosos e deficientes a usarem celular

Arlete Carmona Bellodi (76) mora com as duas irmãs, também já idosas, e dois netos. Em casa tem três aparelhos de celular, um deles é um smarthphone. Mas o uso ainda representa um desafio. “Ler e responder as mensagens que chegam no WhatsApp eu até consigo, mas não sei mandar áudio e, às vezes, nem escuto as chamadas”, afirma. “Já aconteceu de eu estar no ônibus, querer mandar mensagens e não conseguir”.

A principal barreira relatada por Arlete é uma espécie de medo, estranhamento com relação a utilizar o celular. “É um medo que a gente tem. Eu travo e parece que não consigo falar”. Quando tem dificuldades para se comunicar com as filhas – uma mora na França, e a outra em Cabo Verde (Goiás) –  ou para usar o celular, Arlete recorre à irmã Sônia, que está mais familiarizada com a tecnologia e quem normalmente manda os recados para a família.

Sônia Carmona Baratella (71) disse que o celular comum é usado para as ligações, enquanto que o smarthphone é restrito para as mensagens via WhatsApp. Ela disse  que aprendeu a utilizar as principais funções do smarthphone com a ajuda da prima, Carmen Lucia Barreto (55), a quem recorre eventualmente.

Histórias como as de Arlete e Sônia refletiram-se na preocupação do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) em promover a inclusão de idosos, deficientes visuais e pessoas com baixo letramento quando o assunto é usar o smarthphone. O projeto AVISA (Assistente Virtual para Inclusão Social e Autonomia) resultou no lançamento dos aplicativos CPqD Facilita e CPqD Alcance +, este último é uma atualização de um aplicativo já lançado em 2013, voltado para cegos. Os dois aplicativos, lançados no dia 18 de setembro, foram desenvolvidos a partir de pesquisas e entrevistas realizadas com 40 pessoas, que relataram as principais dificuldades encontradas para utilizar o smathphone.

Tela do aplicativo CPqD Facilita. Foto: Nathália Galvão Pereira

O CPqD Facilita, com foco no público idoso, é a grande novidade. O pesquisador Claudinei Martins, coordenador do AVISA, explica o funcionamento baseado em dois pilares: um deles é a possibilidade de o usuário definir o tamanho dos ícones e das letras, e o outro é a padronização da forma como as aplicações se apresentam. “ Nós percebemos que há uma dificuldade de os idosos utilizarem as diferentes aplicações porque elas não seguem um padrão. O nosso objetivo é ajudar para que essas pessoas possam aprender apenas uma vez, e não terem que aprender de várias formas diferentes o funcionamento de cada aplicação”. Outra característica do aplicativo é a divisão da tela em grandes áreas, tornando visíveis e facilmente identificáveis todas as opções do menu.

Já o CPqD Alcance +, com o objetivo de auxiliar deficientes visuais e pessoas com dificuldade de enxergar, além de se basear na padronização das funções, também trabalha com o mecanismo da fala. Ou seja, o usuário pode ouvir as opções oferecidas e também falar as funções que deseja acessar.

Fernanda Oliveira (36), deficiente visual, utiliza esse recurso da audição através de um programa instalado em seu computador. Graças a ele, ela é capaz de utilizar o Facebook, por onde recebe e responde mensagens, além de escrever postagens diariamente. Mas ela tem grandes dificuldades com o celular. “Até falo e recebo ligações, mas apanho muito com as mensagens de texto. Pelo celular mesmo nunca entrei na internet. A minha irmã me ajuda bastante”.

Quando soube do lançamento do CPqD Alcance +, considerou a inciativa do CPqD muito positiva. “Tudo que a tecnologia oferece de acessibilidade acho excelente e um avanço e tanto”.

O pesquisador Claudinei Martins afirmou que a importância de o público-alvo dos dois lançamentos utilizarem a tecnologia não é apenas sua necessidade de se comunicar com a família, mas também sua vontade. “Todos estão usando smathphones, eles também querem usar, e precisam ser incluídos”. Para Martins, o principal impedimento é o medo do novo. “Por conta de suas dificuldades, essas pessoas se assustam com a tecnologia, e logo pensam ‘Eu não consigo’. Por isso, temos o objetivo de proporcionar uma primeira experiência positiva, para quebrar todas essas barreiras”.

Martins informou que o CPqD Alcance+ já atingiu 34.000 downloads, duas semanas após o lançamento, principalmente por ser uma atualização do aplicativo lançado em 2013, já conhecido pelo público. Já o CPqD Facilita chegou a 500 downloads, o que considera um resultado positivo para um aplicativo totalmente novo. (Orientação Rosemary Bars).


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Digitais é um produto laboratorial da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, com publicações desenvolvidas pelos alunos nas disciplinas práticas e nos projetos experimentais para a conclusão do curso. O layout foi desenvolvido em parceria com o Departamento de Desenvolvimento Educacional (DDE) da instituição. Alunos monitores/editores de Agosto a Dezembro de 2017: Breno Behan, Breno Martins, Caroline Herculano, Enrico Pereira, Giovanna Leal, Láis Grego, Luiza Bouchet, Rafael Martins. Professores responsáveis: Edson Rossi e Rosemary Bars. Direção da Faculdade de Jornalismo: Lindolfo Alexandre de Souza.

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