Variedades/Cultura

Volta dos vinis animam as vendas e colecionadores

Declarado como extinto após a chegada do CD ao Brasil, o disco de vinil está de volta ao mercado nacional. Charmoso pelo seu design retrô, os LPs possuem uma qualidade de som inigualável e, bem cuidados, podem durar para sempre enquanto brigam com a fugacidade dos álbuns digitais, mais baratos porém, de acordo com os saudosistas, menos palpáveis.

Confirmando a recente ascensão, o mercado do disco de vinil segue em alta em todo o mundo. Segundo dados divulgados nesta semana pela empresa americana Nielsen Music, o consumo dos vinis cresceu, só em 2017, 3,1%, batendo a marca de nove milhões de cópias produzidas. Nos Estados Unidos, um recorde foi quebrado após a constatação de que o LP representa 14% de todas as vendas de músicas.

O comerciante Gilberto Vieira de Almeida, especialista em vinil, afirma que o produto tem uma qualidade inquestionável e sua produção está em pleno vapor. “O disco feito fora do país, pesando 180 gramas, tem uma qualidade excelente. Se você pegar uma boa aparelhagem, com uma boa agulha e um disco bom, pode constatar que o som é infinitamente superior a mídias digitais, CDs e pen drives”, afirma o proprietário de um sebo localizado em Campinas.

Além da boa qualidade de som, o contexto histórico de cada LP é valorizado por produtores, vendedores e colecionadores. “O vinil tem um charme, uma arte gráfica de capa que acabou morrendo com o CD. A alegria que tenho em ler uma capa, ver uma história e manusear um disco é indescritível”, diz Gilberto Vieira. Para o colecionador Thiago de Holanda, o que diferencia o disco de qualquer outra mídia é um status de arte, algo não encontrado nos demais produtos. “Não é só música. É muito mais que isso: é a música mais a arte. As pessoas querem algo diferente e encontram isso no disco. É bacana escutar música na internet, até para o próprio conhecimento, mas prefiro mil vezes o formato analógico. O vinil nunca morreu”, conta o colecionador, emocionado ao encontrar uma coleção que havia encomendado na loja.

Discos em prateleira de uma loja de Campinas. Foto: Pedro Orioli

O difícil ritual de colocar o disco na vitrola e posicionar a agulha milimetricamente na faixa escolhida seduz os fãs de música. Tanto é que o mercado do vinil, que engloba também a venda de toca-discos e outros acessórios, movimentou um bilhão de dólares nos Estados Unidos. No Brasil, não é diferente, já que uma nova fábrica de vinis, a Vinil Brasil, foi aberta no último dia 26 de setembro. Ao lado da Polysom, são as duas representantes brasileiras no seguimento. Trata-se de uma “mina de ouro”, não só para os colecionadores, mas para os vendedores. “Nunca deixei de comprar discos, já que nunca havia digerido CDs e DVDs. De 1995 a 2010, poucos LPs eram vendidos. Agora a procura é enorme”, finalizou Gilberto Vieira.

De acordo com o músico compositor Michel Nath, responsável pela Vinil Brasil, a demanda para produção é alta, mesmo com os inúmeros desafios para resistir como empresa no país. “A demanda é grande e pessoas de todos os estilos e categorias de música querem fazer vinil. De amadores a profissionais, de artistas a comercias, de independentes a grandes gravadoras. É um mercado que está em expansão, tanto no Brasil como em outros países. Aqui no Brasil, temos nossos desafios de resistir como empresa em uma economia e política em crise e que não incentiva a produção nacional. Mas, mesmo diante de desafios, seguimos otimistas com o crescimento, que se mostra num crescente anual”, disse.

Capa do disco Abbey Road dos Bettles (1969). Foto: Pedro Orioli

Ainda não há uma perspectiva de quantos discos foram produzidos desde o lançamento da empresa, porém mais de dez produções nacionais já estão no portfólio da empresa. “Até o momento já temos mais de dez produções no portfólio da Vinil Brasil e estamos recebendo mais pedidos mensalmente. Entre nossas produções temos A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares; o box de compactos Onisciente Coletivo, do Ratos de Porão; e Dancê, de Tulipa Ruiz”, confirmou Nath. (Orientação Rosemary Bars).


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Digitais é um produto laboratorial da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, com publicações desenvolvidas pelos alunos nas disciplinas práticas e nos projetos experimentais para a conclusão do curso. O layout foi desenvolvido em parceria com o Departamento de Desenvolvimento Educacional (DDE) da instituição. Alunos monitores/editores de Agosto a Dezembro de 2017: Breno Behan, Breno Martins, Caroline Herculano, Enrico Pereira, Giovanna Leal, Láis Grego, Luiza Bouchet, Rafael Martins. Professores responsáveis: Edson Rossi e Rosemary Bars. Direção da Faculdade de Jornalismo: Lindolfo Alexandre de Souza.

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