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Produção noticiosa dos alunos de Jornalismo | PUC-Campinas

Cada gol vale dinheiro, e comerciantes apostam nas camisas da seleção

Copa impulsiona o mercado de camisas, enquanto pequenos comerciantes buscam estratégias para evitar encalhes.

Por Gabriela Belloto, Isabelle Layara e Isabelly Godoy

Julio Cesar Diniz, dono do e-commerce “@seutimedez10” desde 2022 no Instagram, investiu cerca de R$ 4 mil em estoque inicial de artigos esportivos, como camisas de time, para a Copa do Mundo antes mesmo de a bola rolar. Se o Brasil avançar, o estoque vira lucro. Se a seleção cair cedo, o dinheiro fica preso nas prateleiras, capital imobilizado em mercadoria que não gira e não volta como receita.

A Copa começou em 11 de junho, e o Brasil entrou em campo duas vezes. Empatou com o Marrocos em 1 a 1, na estreia de 13 de junho. Venceu o Haiti por 3 a 0, em 19 de junho. A definição da primeira fase, contra a Escócia, fica para 24 de junho. Para o lojista, cada resultado mexe com o valor do que está guardado no estoque.

De acordo com pesquisa do Instituto QualiBest, realizada em fevereiro de 2026 com 1.000 internautas de diferentes regiões e classes sociais do Brasil, a Copa deste ano se tornou pauta decisiva de consumo. O torneio aparece entre os assuntos mais discutidos, junto com política e eleições.

Na Copa, ao contrário de datas como o Natal ou o Dia das Mães, a venda depende de uma variável que o lojista não governa: o resultado da seleção em campo. Quanto mais cedo o Brasil cair, maior a chance de o estoque encalhar. Sem planejamento, o investimento vira prejuízo.

Um mercado aquecido

Entre 1º de janeiro e 2 de junho deste ano, a categoria de camisas de futebol cresceu 80,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O faturamento chegou a R$ 1,2 bilhão no comércio eletrônico, o e-commerce, brasileiro. O levantamento foi feito pela Confi, empresa que monitora as vendas do varejo digital, por meio da Neotrust, sua plataforma de dados de transações on-line.

A camisa oficial da seleção brasileira, lançada em 13 de março, respondeu por 48,7% do faturamento da categoria entre o lançamento e 2 de junho. É quase metade do mercado de camisas de futebol em pouco mais de dois meses. Foram 915 mil unidades vendidas no período, R$ 382 milhões em vendas e preço médio de R$ 417,50. É o valor da peça oficial que, por ser alto, coloca o lojista diante do risco. A região Sudeste movimentou R$ 790,5 milhões, 65,9% do mercado.

Para Jaime Vasconcellos, economista do SindiVarejista de Campinas, o bom desempenho de junho e julho se deve a fatores sazonais, principalmente o inverno e o Dia dos Namorados, que movimentam as vendas. “A Copa do Mundo tem potencial de fazer parte dos motivos para esta projeção positiva, mas não a explica sozinha”, afirmou Vasconcellos. Segundo ele, é apenas um dos fatores que sustentam a projeção de crescimento de até 5% no setor.

Sobre encalhes históricos, o economista afirmou que não existe registro de grandes encalhes de produtos relacionados à Copa, porque os lojistas acompanham o comportamento das vendas e do consumidor. “Ter sempre a Copa no radar a cada quatro anos nos ajuda a não termos relatado de forma sistêmica algum episódio de encalhe significativo”, disse.

Estratégias de venda

Antiga loja física de Bruno Sampaio, @nkmultimar, em 2023 (Foto: arquivo pessoal)

Na Copa de 2022, no Catar, Bruno Sampaio investiu R$ 10 mil em duas lojas físicas em Campinas, nos bairros Campos Elíseos e Nóbrega. O Brasil foi eliminado nas quartas de final, e o estoque ficou parado. “Fiz muitas promoções, chegando quase a dar a camisa para o cliente levar”, contou. As duas lojas duraram cerca de um ano e meio cada.

Em 2026, ele mudou de estratégia. Operando pelo perfil “@nkmultimar” no Instagram, não investiu em estoque e adotou o dropshipping. É o modelo em que o lojista vende sem manter mercadoria própria: só fecha a compra com o fornecedor depois que o cliente paga. Funciona como uma vitrine que intermedeia fabricante e consumidor. Para Bruno, foi a melhor escolha. “Saíram quase todas, só por encomenda, nada de estoque”, disse.

Julio Cesar Diniz, dono da loja on-line @seutimedez10 (Foto: arquivo pessoal)

Outra estratégia de venda encontrada por Julio Diniz veio das eleições. “O Brasil é um grande consumidor de camisas de futebol. Outro evento que costuma atrair clientes para adquirir camisas da seleção são as eleições”, afirmou.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2026, Copa e eleições dividem o mesmo ano novamente. Para o varejo, a camisa verde e amarela pode seguir além dos campos. Por conta da polarização eleitoral, em 2022 a Netshoes registrou que, dos 27 mil uniformes vendidos entre agosto e outubro daquele ano, 56% foram amarelos e 38% azuis.

Para os empreendedores, o relógio corre desde que o primeiro pedido foi feito ao fornecedor. A torcida, desta vez, é dupla.

Orientação: Profº Artur Araújo
Edição: Nicole Gonçalves