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Sinfônica da Unicamp homenageia Milton Nascimento

Teatro de Arena da universidade recebeu também, no dia 25 de setembro, vinte estudantes do curso de Canto Popular

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Teatro de arena Unicamp recebeu um público a muito tempo não visto

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Texto e imagens: Madu ferreira

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Na última quinta-feira, 25 de setembro de 2025, a Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) subiu ao palco do Teatro de Arena da universidade ao lado de 20 estudantes do curso de Canto Popular para interpretar e homenagear um dos maiores nomes da música brasileira, Milton Nascimento. O concerto gratuito reuniu 12 canções do cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro, entre elas Fé Cega, Faca Amolada e Clube da Esquina 2.

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Houve grande adesão do público, alguns levando cadeiras de praia, se acomodando no chão ou mesmo permanecendo em pé para não perder a apresentação. Apesar do frio e do vento forte que marcaram a noite, a plateia respondeu com entusiasmo a cada música, aplaudindo a orquestra e os cantores.

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A maestrina Cinthia Aliretti, que conduziu a orquestra, celebrou a recepção do público: “Faz tempo que não víamos um público tão caloroso, tantas pessoas vindo a um concerto acadêmico, tudo foi muito além do que estávamos esperando”, afirmou.

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A OSU tem tradição em explorar repertórios diversos, entre apresentações dedicadas a um único artista ou a temas variados da música popular e erudita. Desta vez, a diretora de voz e roteiro Regina Machado, escolheu Milton Nascimento para homenagear. Um artista fundamental para a história da música brasileira, que em 2025 teve um ano especialmente significativo para sua trajetória.

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O público presente se emocionou com a força das interpretações. A fã Maria Luiza Gomes, por exemplo, conta que se pai sempre ouvia Milton Nascimento na sua infância e que chorou ao ouvir sua música favorita no concerto. “Não tenho palavras para descrever o que aconteceu. As músicas do Milton Nascimento são sobre sentir. Quando ouvi Ponta de Areia tocada pela orquestra, eu até me emocionei”.

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A maestrina Cinthia Aliretti // A cantora Cali e o cantor Guto Nascimento // A fã Maria Luiza Gomes

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Um ato de forte simbolismo para o atual momento do Brasil aconteceu ao final da Canção Coração Civil, a plateia se uniu em coro gritando “Sem Anistia!”, resgatando uma frase ligada à luta por memória e justiça no Brasil. A reação ecoou o caráter político e poético da obra de Milton, que por décadas deu voz às esperanças e dores do povo brasileiro.

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A cantora Cali, que interpretou Paula e Bebeto ao lado do também cantor Guto Nascimento, descreveu a experiência como inesquecível. “Foi a minha primeira vez cantando com uma orquestra. A palavra que simboliza esse evento para mim é felicidade. Foi uma vivência enriquecedora”, disse.

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O encerramento veio em tom coletivo: todos os intérpretes se reuniram no palco para cantar a canção “Raça”, fechando a noite com chave de ouro e deixando no público um verdadeiro gostinho de quero mais.

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HOMENAGENS
A carreira de Milton Nascimento foi celebrada de várias formas este ano. Ele foi tema de enredo da escola de samba Portela no Carnaval, recebeu três indicações ao Grammy Latino (Melhor Canção em Língua Portuguesa, Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa e Melhor Documentário por “Milton Bituca Nascimento” dirigido por F. Laviola Moraes) e também foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela própria Unicamp.

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Orientação e edição: Adauto Molck

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