Reportagens

Boas ações cotidianas ganham destaque na mídia

A ética e a cidadania são noções primárias de uma sociedade cujo objetivo comum é viver em harmonia em um ambiente agradável. Sendo assim, todas as pequenas ações do cotidiano deveriam ser bem intencionadas em prol da convivência justa e igualitária para todos.

O conceito de ética, segundo o professor da PUC-Campinas, Marcel Cheida, se define como uma disciplina que tem como objeto de estudo o comportamento moral. “A ética é um campo de conhecimento conhecido como filosofia moral cuja preocupação é entender o porquê do homem agir de forma certa ou errada, a partir de dois grandes valores: o bem e o mal”, explica.

É possível notar que, nos dias atuais, as ideias de ética e cidadania estão sendo deixadas para segundo plano ao invés de serem praticas primordiais. Hoje, vivemos em sociedades individualistas, que normalmente visam o crescimento próprio e não coletivo, fazendo com que boas ações sejam raras.

A mídia, desde jornais até portais de notícia, tem transformado em matérias ações éticas ou generosas em algo surpreendente. A ênfase em notícias do gênero traz uma reflexão. Segundo Marcel Cheida, ocorre a amplificação dos fatos pela mídia de entretenimento ou até jornalística. “A mídia reflete os costumes da sociedade e como ela se vê, ela não é um ente que analisa a situação por fora. Geralmente, esses fatos são tratados de maneira espetaculosa, que hoje é uma característica da mídia, principalmente no Brasil”, conta o professor.

É possível encontrar notícias que evidenciam jogadores de futebol doando sangue, famosos participando de algum projeto social, jogando lixo na lixeira, ou até mesmo ressaltando a honestidade de figuras políticas.

Recentemente, o jogador do São Paulo, Rodrigo Caio foi destaque nos portais de notícia por ter sido honesto com o juiz ao ver um jogador do time adversário, Jô, levar cartão vermelho por algo que teria sido sua culpa. No fim, o time do São Paulo perdeu a partida contra o Corinthians.

Uma atitude que deveria ser natural do ser humano se torna exaltada por não ser comum nas ações do cotidiano. Rayssa Almeida, de 19 anos, estudante da PUC-Campinas, conta que encontrou um aparelho de celular em boas condições no chão de uma festa em Campinas, na última sexta feira. A estudante guardou o celular, sabendo que o dono entraria em contato pelo mesmo. “Eu estava saindo da festa, quando vi o celular aceso no chão. Resolvi pegar, levar comigo e esperar a dona me ligar, para então devolver. Assim que atendi, ela estava chorando muito e nervosa, mas muito feliz por eu ter dito que iria entregar. Pedi para ela ficar calma e me encontrar no lugar combinado. Não fiz isso por ser uma boa ação, mas porque é correto. Não devo ficar com algo que não é meu”, conta.

 

Camila Avelar, 21 anos, estudante de Relações Públicas da PUC-Campinas, distraiu-se no celular ao sair do estacionamento da universidade e raspou a lateral de seu carro em outro veículo, mas mesmo assim não fugiu de suas obrigações. “Eu estava distraída e sei que tive culpa, mas como estava com pressa, não pude esperar o dono do outro carro chegar, por isso deixei um bilhete com meu nome, telefone e meus dados para que eu pudesse consertar o dano causado”, relata.

Ações como essa acontecem regularmente na sociedade por serem consideradas práticas morais corretas pela nossa cultura. “A constituição do que é bom ou ruim também tem uma composição cultural, em razão de que a sociedade vai estabelecer ou julgar se algo é positivo ou negativo a partir dos costumes”, explica o professor.

Marcel Cheida destaca que a mídia identifica um fato e realiza uma amplificação exponencial, mesmo que seja um fato corriqueiro, fazendo com que os telespectadores achem que é uma coisa incomum, o que segundo o professor, causa certa distorção. Casos de grande repercussão aparecem nas mídias por destoarem de notícias de ações imorais do dia-a-dia.

Por Ana Paula Z. Teixeira, Carolina Sampaio e Nathália Bisson

Editado por Gustavo Magnusson


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