Reportagens

Livros de Futebol: um mercado mantido por editoras independentes

Redação Digitais

Por Gustavo Magnusson e Luís Otávio de Lucca

No Brasil, já foram publicados mais livros de futebol nesta década do que em todo o século passado. O Centro de Referência do Futebol Brasileiro, do Museu do Futebol, em São Paulo, registra 1.126 publicações entre 1903 e 2000, enquanto de 2011 a 2016, o número chega a 1.205 obras.

Livros de futebol publicados no Brasil entre 1903 e 2016 (Por: Gustavo Magnusson)

Segundo a pesquisadora membro do Núcleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem e Artes (FULIA), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Giulia Piazzi, as primeiras publicações sobre futebol no Brasil apresentavam conteúdo didático e educativo. “Os primeiros livros eram sobre regras e treinamento, reforçando o que era publicado nos folhetins, muito populares e acessíveis na época. Eles auxiliavam árbitros, jogadores e torcedores no entendimento do esporte e no acompanhamento das partidas e campeonatos”, explica.

Mesmo com o crescimento de livros de futebol publicados nos últimos anos, este mercado ainda engatinha no Brasil. Para Giulia, é surpreendente como ainda existe uma lacuna no que se refere à história e à memória do futebol no país. “Muitos jogadores importantíssimos para o futebol não são biografados e materiais riquíssimos ficam engavetados porque não tem quem acredite no potencial de determinadas publicações”, avalia a pesquisadora.

De acordo com a Giulia, o futebol ainda não é internalizado no Brasil como fenômeno cultural, ainda que seja símbolo de identidade nacional e tenha inteira relação com a história do país do século XX.

Giulia explica que o mercado de livros de futebol no Brasil é muito promissor, mas sua expansão tem se restringido bastante. “Este nicho editorial é mantido basicamente por editoras independentes, especializadas na temática do futebol, que publicam independentemente do momento e da oportunidade mercadológica”, aponta.

A editora de futebol de Campinas

Uma das poucas editoras especializadas em futebol no país é a Editora Grande Área, de Campinas. Fundada há dois anos, a companhia já publicou seis títulos estrangeiros, traduzidos para português.

Os seis livros traduzidos para português e publicados pela Editora Grande Área, de Campinas (Por: Gustavo Magnusson)

De acordo com um dos sócios da editora, Gabriel Gobeth, a avaliação geral do trabalho é positiva. “Descobrimos que existe no Brasil um público à espera de bons livros dedicados ao futebol, composto por pessoas que consomem literatura futebolística e que estão dispostas a ir além do papo raso de boteco, da palpitaria que se vê com frequência cada vez maior na TV”, afirma.

Mesmo com a crise econômica e com dificuldades de distribuição, a editora localizada em Campinas evolui na busca pela consolidação no país. “Nosso catálogo está crescendo e nosso plano é publicar cada vez mais obras de referência. Com o tempo, esperamos nos estabelecer definitivamente no Brasil como a editora do futebol”, confia Gabriel.

O livro de maior sucesso da Editora Grande Área foi a publicação de estreia, “Guardiola Confidencial,” do jornalista catalão Martí Perarnau, com cerca de 15 mil exemplares vendidos. A editora, inclusive, está prestes a traduzir e lançar a continuação da saga, “Pep Guardiola: A evolução”. Obras de autores nacionais também estão nos planos. “Já existem dois deles em produção para serem lançados provavelmente em 2018”, revela Gabriel.

Iniciativas por crowdfunding

“Paixão: Uma Viagem pelo Futebol Inglês”, livro lançado pelo jornalista Plácido Berci, em 2015 (Foto por: Gustavo Magnusson)

Em 2015, o jornalista Plácido Berci lançou “Paixão: Uma Viagem pelo Futebol Inglês”, pela Editora Via Escrita. Para a realização do sonho, foi necessária uma campanha de financiamento coletivo pela internet, que atingiu a meta estipulada.

Segundo Plácido, a publicação do livro foi uma importante conquista pessoal e profissional. “Sinto que o livro se tornou uma referência no tema. Por incrível que pareça, não existem muitos livros no Brasil sobre o futebol inglês, mesmo sendo a terra-mãe do futebol e com o crescente interesse do público brasileiro pelo Campeonato Inglês”, orgulha-se.

Plácido morou oito meses em Manchester, noroeste da Inglaterra, onde um de seus hábitos era visitar livrarias. Segundo ele, as livrarias inglesas possuem ao menos duas seções reservadas apenas para livros sobre futebol. “A Inglaterra é o maior exemplo que já vi relacionado à literatura esportiva. Lá se encontra de tudo: biografias, livros sobre táticas, grandes equipes, estádios, romances ficcionais com o futebol como fio condutor, tem para todos os gostos”, conta.

Para Plácido, a diferença para as livrarias do Brasil é muito grande, mas ele avalia que o mercado de livros de futebol no país tem evoluído nos últimos anos. “É cada vez maior o número de biografias esportivas sendo lançadas, além de outros livros ligados a este universo. Acredito que seja questão de tempo para o público brasileiro entender esta nova oferta e passar a consumir este tipo de literatura”, conclui Plácido.

Assim como Plácido, os jornalistas Anderson Moura e Tauan Ambrosio também apostam no financiamento coletivo para a publicação de um livro de futebol. Juntos, os dois pretendem lançar “Os 50 Maiores Defensores da História do Futebol”, também pela Editora Via Escrita, a partir de uma campanha de crowfunding criada na internet.

O conteúdo do livro está pronto, mas faltam alguns passos importantes, como revisão ortográfica, criação da capa, edição, formatação para impressão e gráfica.

Segundo Anderson, a campanha de financiamento coletivo foi a única maneira encontrada para viabilizar a publicação do livro. “Apresentamos o livro para 10 editoras e 3 gostaram, só que todas disseram que só sairia por meio de crowdfunding. Não tem muito como fugir disso hoje em dia, é uma prática comum no mercado”, explica.

Para quem se interessar em ajudar, a campanha vai até o dia 11 de junho.

Editado por Juliana Gallinari


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