Reportagens

ONGs de animais: um amor caro mas recompensador

Sabemos que o cão é o melhor amigo do homem, mas infelizmente o homem não corresponde a amizade desta maneira. É muito comum o abandono de animais no Brasil, totalizando 30 milhões de pets pelas ruas, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em uma cidade grande, como Campinas, há um cão para cada cinco habitantes.

Pensando em ajudar, pessoas unem-se em ONGs para trabalhar voluntariamente em prol dos pets. Estas organizações sem fins lucrativos ligadas a causas animais e ambientais somam 664 no Brasil, a partir de pesquisa feita pelas Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (FASFIL). Em Campinas, há diversas organizações que objetivam levar o animal à adoção e ser acolhido por uma família responsável.

O Grupo de Apoio ao Animal de Rua (GAAR) luta pelo bem estar animal há mais de 15 anos. Além de promover a conscientização pela guarda responsável de cães e gatos, eles trabalham para promover a castração, vacinação e adoção destes animais. O árduo trabalho da ONG gera gasto – assim como todas as outras – que é custeado pela própria entidade com a venda de rifas, camisetas, canecas, chaveiros e do valor de ajuda R$ 50,00 ao adotar um pet. “Todos os animais que estão para adoção já passaram por veterinário, vermifugação, vacinação e foram castrados. Isso custa dinheiro e ao doar, recebemos a quantia para manter a organização”, diz Marcelli Balduino, uma das voluntárias responsáveis pelo GAAR.

Engana-se quem acha que a relação do pet com a ONG é apenas na hora da feira de adoção. Há um lugar que acolhe os cães e gatos, os denominados “lares temporários”, que também é uma dificuldade, pois é difícil encontrar voluntários que sedem suas casas para os pets morarem temporariamente.

Inconformadas com o descaso e abandono de animais na cidade de Campinas, quatro amigas reuniram-se em fevereiro de 2013 e criaram a organização sem fins lucrativos Focinho Abandonado. Sem espaço físico, o grupo arca com os custos e conta com ajuda de amigos dispostos a ajudar e que acreditam neste trabalho. Os cães resgatados passam pelos mesmos passos que o GAAR até seja disponibilizado para adoção e aguardam um lar.

Atualmente com vinte animais, a Focinho não tem empresas que ajudam financeiramente, vivendo exclusivamente de doação (que também solicitam R$ 50,00 no ato) e produtos. “Existem lojas que são nossas parceiras e, ao vender um produto pet, revertem porcentagem para a gente”, diz Aline Oliveira, uma das idealizadoras da ONG.

 

Dificuldades enfrentadas
Ambas as ONGs destacam que os cães adultos/idosos com porte grande são difíceis de serem doados, ao contrário dos filhotes, que são alvos fáceis de conquistarem um lar. Além disso, outro ponto em comum é a regra da castração: as duas organizações exigem que o animal seja castrado (caso não tenha sido até o momento da adoção) e acompanham o caso até que a imposição seja atendida. Caso o animal não passe pela esterilização, o pet retorna à ONG. Para o GAAR, os animais com deficiência – surdez, atrofia muscular, sequela de uma doença/atropelamento/maus tratos – também tem grau de dificuldade em serem doados, pois as pessoas estão cientes de que aquele pet exigirá cuidados específicos e tratamento constante, mas as organizadoras da Focinho Abandonado acredita que não é difícil encontrar lar para esses cães, porque as pessoas se sensibilizam com eles.

“Um animal de raça é doado muito facilmente, seja adulto ou filhote, em no máximo um mês ele tem um lar. Já um vira-lata adulto de porte grande pode, por exemplo, demorar anos”, compara Aline.

O amor por ajudar é tão alto quanto os custos
Na Focinho Abandonado, o tratamento de cada animal varia com as condições de saúde em que ele é resgatado. Os recém chegados à ONG custam, até ficarem curados, cerca de R$ 2.000,00 a R$ 8.000,00 por animal/mês. Os que já estão tratados tem o gasto de R$ 500,00 animal/mês apenas ração e hotel. Todo esse valor é custeado exclusivamente pelas fundadoras do projeto, doações e parcerias das vendas. Não recebem nenhuma ajuda com rações, veterinários e hotéis.

Sem entrar em detalhes com valores, o GAAR custeia os tratamentos apenas com os produtos da marca e doações. A única e exclusiva ajuda que recebem é da Pedigree, que fornece determinada quantidade de ração.

Voluntários

Uma ajuda muito importante em toda a ONG é a dos voluntários. Muito mais do que o auxilio financeiro, a assistência afetiva aos animais e nas feiras de adoção torna o trabalho mais divertido e recompensador.

A estudante de administração, Gabriela Fontanezi, começou a fazer trabalhos voluntários em 2015, mas migrou para organizações com animais por conta da familiaridade com pets, já que tem uma cadela em casa e a considera muito especial. “Comecei a acompanhar ONGs em Campinas pelo Facebook e notei o quanto o trabalho é difícil, mas, ao mesmo tempo, gratificante. Foi isso que despertou o interesse em ajudar mais, não apenas com doações (dinheiro e ração)”, diz Gabriela. A jovem acredita que a adoção é muito importante, mas ressalta que “tem que ser muito consciente, para não acontecer devolução futura”.

A ONG Patinhas Resgatadas, atualmente com treze cães resgatados, tem dificuldades em manter a ajuda, já que nem sempre atingem a meta de recolhimento financeiro e de ração. Além disso, é árduo encontrar pessoas dispostas a dar lar temporário para os animais resgatados, o que torna impossível resgatar mais cães por falta de lugar para deixá-los durante o tratamento.

Dívidas
No dia 12 de abril, a ONG Amor de Bicho, de Campinas, anunciou em sua página no Facebook a suspensão dos resgates de animais por motivos financeiros. Em situação de emergência, a organização sem fins lucrativos está com uma dívida de R$ 20 mil em um centro veterinário e R$ 13 mil em uma clínica. Além do débito de R$ 33 mil, a ONG precisa de R$ 10 mil por mês para alimentar e manter os 81 cães que estão sob sua responsabilidade atualmente.

Por Juliana Gallinari

Editado por Ana Luísa de Oliveira


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