Com grandes terrenos, áreas verdes e clima tranquilo, o Village, em Barão Geraldo, mantém características rurais e oferece qualidade de vida em Campinas.
Por Noemi Silva, João Gabriel, Amanda Poiati, Erica Barbosa e Isabela da Silva
Quem percorre as ruas do Village Campinas, no distrito de Barão Geraldo, percebe rapidamente que o bairro segue um ritmo diferente do restante da metrópole. O som predominante não é o do trânsito intenso, mas o canto dos pássaros. Com muitas vias ainda sem pavimentação, terrenos amplos e casas espaçadas, o local preserva características rurais e oferece um estilo de vida marcado pelo contato com a natureza.
Localizado em Barão Geraldo, distrito conhecido por abrigar a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e importantes polos de tecnologia e pesquisa, o Village se destaca justamente pelo contraste. Enquanto outras regiões de Campinas avançam com forte urbanização, o bairro mantém a identidade de uma antiga área de chácaras, característica que atrai moradores em busca de tranquilidade e qualidade de vida.

Village: das chácaras ao bairro residencial
Diferentemente de muitos bairros planejados de Campinas, o Village nasceu como um loteamento de chácaras. Até hoje, os terrenos costumam ter entre 1.200 e 1.600 metros quadrados, permitindo áreas verdes, hortas, criação de animais e uma relação mais próxima com o meio ambiente.
Morador do bairro desde a infância, Eraldo Martins de Faria acompanhou de perto essa transformação.
“Cheguei aqui com oito anos e isso era um pasto enorme”, relembra.
A mudança ocorreu por causa do trabalho do pai em uma antiga granja da Sadia, empresa que teve papel importante na ocupação da região. Com o passar dos anos, a família adquiriu uma chácara e construiu suas raízes no bairro.

“Eu me casei aqui e conheci minha esposa aqui. O Village faz parte da minha história”, afirma.
Convivência e senso de comunidade
Uma das características mais valorizadas pelos moradores é o ambiente comunitário. Segundo Eraldo, ainda existe uma cultura de proximidade entre vizinhos, embora diferente daquela vivida nas primeiras décadas do bairro. “Todo mundo se cumprimenta e conversa. É um bairro muito amigável”, conta.
Ele lembra que, no passado, praticamente todos os moradores se conheciam e as crianças circulavam livremente pelas chácaras. Com o crescimento populacional e o aumento do fluxo de pessoas, essa dinâmica mudou, trazendo também desafios relacionados à segurança.
Mesmo assim, o Village continua sendo visto como um refúgio para quem busca espaço, tranquilidade e contato com a natureza dentro de Campinas.

Origem explica desafios de infraestrutura
A formação histórica do bairro ajuda a entender algumas das demandas ainda existentes.
De acordo com o arquiteto e urbanista João Manuel Verde dos Santos, professor da PUC-Campinas e integrante do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), o Village foi aprovado originalmente como loteamento de chácaras.
“Na época, a aprovação era feita pelo Incra e não pela Prefeitura, o que exigia padrões diferentes de infraestrutura”, explica.
Segundo o especialista, essa condição colocou o bairro em uma situação peculiar dentro da malha urbana de Campinas.
Por isso, o bairro convive com lacunas que outros loteamentos urbanos não têm.
“É um bairro que está em uma espécie de limbo: ao mesmo tempo em que faz parte de Campinas, não segue totalmente a lógica urbana tradicional”, afirmou João Verde.
O loteamento de chácaras foi pensado para uso eventual, como lazer de fim de semana. Com o tempo, as áreas passaram a ser ocupadas de forma permanente, muitas vezes por serem mais acessíveis financeiramente.
“É um crescimento que não acompanha, no mesmo ritmo, a oferta de infraestrutura”, resumiu o urbanista. Sem comércio próximo, qualquer necessidade exige deslocamento. “O uso do carro passa a ser constante e influencia diretamente a rotina dos moradores”, disse. Em áreas de baixa densidade como essa, a implantação de equipamentos como escolas e postos de saúde também fica comprometida.
Água encanada chegou apenas em 2016
Algumas melhorias chegaram com o tempo. Um marco foi a implantação da rede de água em 2016, resultado de ações da Sanasa. Antes disso, muitas casas dependiam de poços.
“A chegada da água encanada foi uma conquista importante para o bairro”, comentou Eraldo. Ele lembrou da situação anterior: “Cada morador precisava buscar soluções próprias, e nem sempre a qualidade da água era adequada.” Mais recentemente, algumas ruas começaram a ser asfaltadas. “Isso já melhora bastante, principalmente em períodos de chuva”, afirmou.
Os dias de chuva, porém, ainda revelam limites. O Village não sofre diretamente com enchentes. “Dentro do bairro não há histórico de alagamentos, principalmente pela localização mais afastada do rio”, disse Eraldo. O problema aparece no entorno. “O que acontece é mais nos bairros próximos ao Rio Atibaia, onde a água sobe e afeta o acesso.” João Verde confirmou: áreas próximas a cursos d’água e com menor infraestrutura de drenagem são mais vulneráveis. O Village, em posição mais elevada, reduz esse risco direto, mas o acesso ao bairro pode ser comprometido, afetando a mobilidade dos moradores.
Saneamento ainda é desafio
O saneamento segue como uma das principais demandas. “O bairro ainda não conta com rede de esgoto, e a maioria das casas utiliza fossas”, disse Eraldo.
Apesar dos avanços, o Village ainda enfrenta limitações de infraestrutura. A principal delas é a ausência de rede pública de esgoto em grande parte do bairro.
Atualmente, a maioria dos imóveis utiliza sistemas individuais, como fossas sépticas.
Além disso, a baixa densidade populacional dificulta a instalação de equipamentos públicos e serviços próximos, exigindo deslocamentos frequentes para outras áreas de Barão Geraldo e Campinas.
Natureza é principal atrativo do Village
Apesar dos desafios, o Village continua sendo uma escolha para quem busca qualidade de vida. “Para quem procura tranquilidade, espaço e contato com a natureza, o bairro oferece condições muito favoráveis”, afirmou Eraldo. Moradores chamam o bairro de “vilonge”, em referência à sensação de distância que existia no passado. O apelido ficou, mesmo com o bairro mais próximo da cidade.
João Verde vê potencial nessa configuração, desde que respeitada. “Existe uma qualidade ambiental importante, que precisa ser considerada em qualquer proposta de desenvolvimento”, afirmou. O Plano Diretor de 2018, segundo ele, abre possibilidades: “Há hoje uma flexibilização maior para usos mistos, o que pode aproximar serviços sem descaracterizar completamente o bairro.”
Para Eraldo, mais do que infraestrutura, o que define o Village é o vínculo construído ao longo do tempo. Ele chegou criança, em um pasto enorme. Cresceu, casou, criou raízes. “É um lugar que faz parte da minha história e da minha vida”, disse.

Onde fica o Village Campinas
O Village está localizado em Barão Geraldo, distrito da região norte de Campinas, próximo a áreas de preservação ambiental e ao Rio Atibaia. O bairro é conhecido pelos grandes lotes, perfil residencial e forte presença de áreas verdes, sendo uma das regiões mais procuradas por quem busca morar próximo à natureza sem deixar a cidade.
Vozes da Nossa Gente Campinas
O projeto multimídia “Vozes da Nossa Gente Campinas” é um projeto multimídia de conteúdo, desenvolvido pela redação do acidade on e pela Faculdade de Jornalismo. A parceria de jornalismo hiperlocal contará a história de 15 bairros da metrópole em reportagens, imagens e vídeos.
Esta matéria foi produzida pelos alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas: Noemi Silva, João Gabriel, Amanda Poiati, Erica Barbosa e Isabela da Silva, para o componente de Projeto Integrador VII, sob supervisão dos professores Rose Bars, Arthur Araújo e Amanda Artioli. A edição foi feita por Luciana Félix e Marcos Andrade.
Orientação: Profa. Amanda Artioli
Edição: Giovanni Feltrin














