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Produção noticiosa dos alunos de Jornalismo | PUC-Campinas

Jardim Nova Europa, em Campinas, tem ruas com nomes de países das Américas

Nova Europa reúne história, natureza, cultura e vida comunitária entre ambientes residenciais e comerciais

Por Diogo Setin Mosna, Fayollah Jamilly de Souza, Isabela Ribeiro De Meletti, Larissa Idem Silva e Yasmin de Souza da Costa

Você sabia que é possível “viajar” por países como Estados Unidos, México, Cuba e Argentina sem sair de Campinas? No bairro Jardim Nova Europa, na região sul da cidade, diversas ruas receberam nomes de nações do continente americano, criando uma curiosa ligação geográfica que desperta a atenção de moradores e visitantes.

História do Jardim Nova Europa revela escolha incomum para os nomes das ruas

Criado há cerca de 70 anos, o Jardim Nova Europa se destaca por uma característica pouco comum entre os bairros de Campinas. Enquanto muitas vias públicas da cidade homenageiam personalidades históricas, políticos ou figuras importantes da comunidade, o loteamento seguiu um caminho diferente.

Segundo informações da Câmara Municipal de Campinas, os vereadores responsáveis pela denominação das ruas optaram por abandonar o modelo tradicional de homenagens e escolheram nomes de países das Américas para identificar as vias do bairro.

De acordo com o professor de História e pesquisador Sidney Rocha, aproximadamente 20 ruas receberam nomes de nações americanas, mesmo o bairro fazendo referência ao continente europeu em sua denominação.

“Por isso, o Jardim Nova Europa possui vias como a Avenida Estados Unidos e as ruas Cuba, Guatemala, El Salvador, México e Argentina, além de ter como um dos principais pontos de encontro a Praça Panamericana”, explica o pesquisador.

História do Jardim Nova Europa, um dos bairros mais tradicionais de Campinas

O Jardim Nova Europa tem suas origens ligadas ao processo de expansão urbana de Campinas na década de 1950. O nome do bairro surgiu a partir de uma imobiliária responsável pelo loteamento de áreas da antiga Fazenda Chácara Boa Vista, empreendimento que também deu origem a outros bairros da região, como o Jardim Leonor.

Ao longo das décadas, o Jardim Nova Europa consolidou-se como um dos bairros mais tradicionais da cidade, combinando localização estratégica, infraestrutura completa e uma identidade única marcada por referências internacionais em suas ruas e avenidas.

Infraestrutura e qualidade de vida atraem moradores

Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Jardim Nova Europa possui cerca de 4 km² de área territorial e perfil predominantemente residencial. O bairro reúne famílias de diferentes gerações, com destaque para moradores nas faixas etárias entre 40 e 59 anos.

A coordenadora administrativa Débora Pereira, moradora da Avenida Estados Unidos há mais de duas décadas, destaca a infraestrutura e a facilidade de acesso aos serviços como alguns dos principais atrativos do bairro.

“É uma avenida movimentada, mas o Nova Europa é um bairro muito bom. Tem boas residências, comércio próximo e tudo o que precisamos no dia a dia. É um lugar muito agradável para viver”, afirma.

A moradora Ghislayne Tamara Santos, de 50 anos, conhece bem a história do bairro. Há 49 anos vivendo no Jardim Nova Europa, ela já residiu na Avenida Estados Unidos e também nas ruas Nicarágua e Peru.

Para ela, a proximidade com o Centro de Campinas, a oferta de serviços e os laços construídos ao longo do tempo ajudam a explicar por que tantas famílias permanecem no bairro por gerações.

“Aqui tem tudo perto. Como é um bairro antigo, muitos amigos continuam morando na região. Alguns se casaram e permaneceram aqui. Acho que esse é um dos motivos pelos quais nunca saí do Nova Europa”, relata.

Bosque dos Guarantãs é um dos símbolos da região

Outro morador que acompanha a evolução do bairro é o aposentado Ivair Simionato, de 71 anos. Há cerca de 40 anos no Jardim Nova Europa, ele destaca o Bosque dos Guarantãs como um dos principais patrimônios ambientais e espaços de lazer da região.

“O que mais gosto aqui é o Bosque dos Guarantãs. Tenho um carinho especial pelo local. Quando me casei, fiz algumas fotos lá e, quando as pessoas veem as imagens, perguntam onde foi. Eu costumo brincar que foi em outro país, mas na verdade foi aqui mesmo, no bosque”, conta.

O aposentado Ivair Simionato, de 71 anos, mora no bairro há cerca de 40 anos (Foto: Fayollah Souza/PUC)

Segundo Simionato, o bairro passou por importantes transformações nas últimas décadas, especialmente na área da segurança pública.

“Antigamente havia mais registros de roubos e assaltos. Hoje a situação é muito diferente. O Nova Europa se tornou um lugar mais tranquilo para viver”, afirma.

Associação de moradores destaca avanços em transporte, saúde e meio ambiente

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Nova Europa, Raíldo Diniz, lembra que, no fim da década de 1990, a região enfrentava desafios relacionados à infraestrutura urbana e à oferta de serviços públicos.

Desde então, segundo ele, o trabalho conjunto entre moradores, lideranças comunitárias e o poder público resultou em melhorias significativas para o bairro.

“O transporte coletivo melhorou bastante, com ampliação das linhas de ônibus. Na saúde pública também tivemos avanços importantes. Hoje desenvolvemos ações voltadas à prevenção e contamos com um núcleo dedicado às questões ambientais”, explica.

Entre as iniciativas recentes, Raíldo destaca mutirões de arborização realizados no bairro. No final de 2025, moradores participaram do plantio de 48 árvores, e uma nova etapa deverá ampliar a cobertura vegetal da região com o plantio de outras 300 mudas.

Além da curiosa presença de ruas com nomes de países das Américas, o Jardim Nova Europa também preserva referências ao interior paulista em sua malha viária.

“A rua onde moro, por exemplo, chama-se Santa Bárbara do Rio Pardo, nome de um município do Estado de São Paulo. Essa mistura de referências ajuda a contar a história e a identidade do bairro”, conclui.

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Bosque dos Guarantãs e áreas arborizadas reforçam qualidade de vida

Além do perfil predominantemente residencial e familiar, o Jardim Nova Europa se destaca entre os bairros de Campinas pela presença de áreas verdes e espaços de convivência que contribuem para a qualidade de vida dos moradores.

Um dos principais cartões-postais da região é o Bosque dos Guarantãs, área de preservação ambiental localizada no bairro. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o espaço abriga cerca de 23 mil metros quadrados de mata nativa preservada desde a década de 1950.

O bosque reúne atrações para todas as idades, incluindo trilhas ecológicas, lagos com quedas d’água, quadras esportivas e áreas de lazer. De acordo com o morador Jason Goulart, o local também abriga um jatobá centenário, símbolo da riqueza ambiental da região.

Outra curiosidade que faz parte da memória afetiva dos moradores são as grandes árvores que marcaram a paisagem do bairro ao longo das décadas. Segundo Jason, o Jardim Nova Europa já contou com uma figueira de aproximadamente 200 anos nas proximidades da Comunidade Maria Mãe da Igreja. Atualmente, outra figueira histórica permanece na Avenida Estados Unidos, em frente à unidade da Sanasa.

A figueira situada na Avenida Estados Unidos segue como símbolo do Jardim Nova Europa e de suas ruas arborizadas (Foto: Fayollah Souza)

Para a moradora Ghislayne Tamara Santos, a árvore se tornou um dos símbolos do bairro.

“Sempre foi uma atração. Ela fica bem no centro da avenida e, durante muitos anos, era decorada como árvore de Natal. É uma árvore que marcou a história do Nova Europa e continua sendo uma referência para quem mora aqui”, relata.

Cultura e arte fortalecem a identidade do bairro

Além das áreas verdes, o Jardim Nova Europa também se destaca pelas iniciativas culturais que aproximam moradores e fortalecem os laços comunitários.

A atriz e arte-educadora Pamella Villanova e o gestor cultural e compositor Dudu Ferraz são os idealizadores do Quintal Garatuja, espaço cultural criado no próprio bairro e reconhecido como Ponto de Cultura desde 2019.

Nascida e criada no Jardim Nova Europa, Pamella transformou o quintal de sua residência em um espaço voltado para atividades artísticas, educativas e formativas abertas à população.

O Quintal Garatuja surgiu da necessidade de criar um espaço para desenvolver práticas artísticas em rede e fortalecer a produção cultural existente no território”, explica.

Desde 2016, o local promove oficinas, apresentações, exposições e projetos voltados para moradores de Campinas e região.

Projeto valoriza a história e a preservação do Bosque dos Guarantãs

Entre as iniciativas de maior destaque está o projeto Histórias do Bosque, realizado no Bosque dos Guarantãs. A atividade combina turismo cultural, educação ambiental e intervenções artísticas para apresentar ao público a história e a importância ecológica da área.

O passeio reúne apresentações teatrais, música, brincadeiras e atividades educativas, atraindo escolas, famílias e visitantes de diversas regiões de Campinas.

O projeto também mantém parceria com o Núcleo de Meio Ambiente da Associação de Moradores do Jardim Nova Europa, promovendo ações de preservação ambiental e incentivo ao plantio de árvores.

“A partir desses projetos, criamos uma conexão muito forte com as escolas e com a comunidade. Já realizamos atividades de teatro e contação de histórias em todas as escolas municipais do bairro, além de formações voltadas para educadores e ações culturais que fortalecem a participação dos moradores”, destaca Dudu Ferraz.

Público assiste apresentação artística no Quintal Garatuja, localizado no bairro Jardim Nova Europa (Foto: Mauro Machado)

Segundo os organizadores, o trabalho contribui para ampliar o acesso da população à cultura, ao lazer e à educação, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a valorização da história local.

Centro Social Bertoni atende famílias e crianças no Jardim Nova Europa

A forte participação comunitária também é uma das marcas do Jardim Nova Europa. Desde 1965, o Centro Social Bertoni desenvolve projetos sociais voltados ao atendimento de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.

Grupos de música se apresentam com frequência para as crianças do Centro Social Bertoni como forma de aprendizagem lúdica (Foto: Fayollah Souza)

A instituição, que atua como Organização da Sociedade Civil (OSC), é ligada às ações sociais da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e da Paróquia Santa Cruz, ambas localizadas no bairro.

Os programas atendem moradores do Jardim Nova Europa e de bairros vizinhos, como Jardim do Lago, Jambeiro, São Martinho e Parque da Figueira.

Atualmente, o Centro Social Bertoni mantém duas frentes principais de atuação: o Programa Família, destinado ao apoio de famílias em situação de insegurança alimentar, e o Programa Criança & Adolescente, que oferece oficinas educativas e atividades complementares para estudantes das redes municipal e estadual no contraturno escolar.

Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro chama atenção por sua cor rosa em referência ao manto da padroeira (Foto: Isabela Meletti)

Segundo a instituição, o envolvimento da comunidade é fundamental para a continuidade dos projetos.

“Nosso trabalho é realizado em prol da comunidade e junto dela. A participação dos moradores, voluntários e apoiadores é o que mantém viva essa missão de acolhimento e transformação social”, destaca a organização.

Vozes da Nossa Gente Campinas

O projeto multimídia “Vozes da Nossa Gente Campinas” é um projeto multimídia de conteúdo, desenvolvido pela redação do acidade on e pela Faculdade de Jornalismo. A parceria de jornalismo hiperlocal contará a história de 15 bairros da metrópole em reportagens, imagens e vídeos.

Esta matéria foi produzida pelos alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas: Diogo Setin Mosna, Fayollah Jamilly de Souza, Isabela Ribeiro De Meletti, Larissa Idem Silva e Yasmin de Souza da Costa, para o componente de Projeto Integrador VII, sob supervisão dos professores Rose Bars, Arthur Araújo e Amanda Artioli. A edição foi feita por Luciana Félix e Marcos Andrade.

Orientação: Profa. Amanda Artioli

Edição: Giovanni Feltrin