O nome do bairro é uma homenagem ao então presidente Artur da Costa e Silva, refletindo referências históricas do período da Ditadura Militar no Brasil
Por Bianca Garutti, Diego Luís de Linardo Filho, Henrique Alves Felipe, Kauan Panontin Guidi e Marília Coimbra
O bairro Vila Costa e Silva, em Campinas, se destaca por reunir duas importantes expressões culturais da cidade: a fé presente na Igreja Nossa Senhora Desatadora dos Nós e a tradição carnavalesca da Escola de Samba Estrela D’Alva. Localizado na região Noroeste de Campinas, o bairro combina a movimentação do samba com a religiosidade, formando uma identidade cultural marcante entre os moradores.
A Vila Costa e Silva surgiu entre as décadas de 1960 e 1970, período de forte expansão industrial em Campinas. Na época, trabalhadores passaram a ocupar áreas próximas às fábricas da região em busca de moradia, impulsionando o crescimento urbano local.
O nome do bairro é uma homenagem ao então presidente Artur da Costa e Silva, refletindo referências históricas do período da Ditadura Militar no Brasil.
Igreja Nossa Senhora Desatadora dos Nós atrai fiéis e se torna ponto de devoção na RMC
Atualmente, a Vila Costa e Silva, se destaca pela diversidade cultural e religiosa. Apenas 1,2 quilômetro separa a igreja da escola de samba, e ambos os espaços reúnem pessoas de diferentes gerações, reforçando a identidade comunitária da região noroeste do município.

A Igreja Nossa Senhora Desatadora dos Nós recebe fiéis não apenas do bairro, mas também de diversas cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC). A devoção à santa, conhecida por simbolizar a resolução de problemas e dificuldades, transformou o local em um importante ponto de acolhimento espiritual e peregrinação religiosa.

Além da arquitetura inspirada em construções europeias antigas, a igreja se tornou referência na cidade pela forte participação da comunidade nas celebrações e atividades religiosas.
Entre os frequentadores está o enfermeiro Renato, de 42 anos, que participa das missas semanalmente e destaca a experiência no local.
“A interação entre as pessoas, a música e a dinâmica da homilia são totalmente diferentes de outras igrejas”, afirma.
Segundo ele, a ligação com a comunidade foi imediata.
“Senti uma conexão espiritual muito grande, o que me motivou a retornar com frequência”, relata.
Escola de Samba Estrela D’Alva mantém tradição cultural viva na Vila Costa e Silva
Além da religiosidade, a cultura popular tem papel central na Vila Costa e Silva com a presença da tradicional Escola de Samba Estrela D’Alva. Fundada por moradores do próprio bairro, a agremiação se consolidou como um dos principais símbolos culturais da região noroeste do município, reunindo diferentes gerações em torno do samba e da valorização da cultura popular campineira.
A Escola de Samba Estrela D’Alva, em Campinas, contribui para manter viva a tradição carnavalesca local e fortalecer os laços comunitários, sendo referência de organização cultural e participação popular no bairro.

Leiliane Aparecida Ferreira, de 40 anos, rainha de bateria da escola, destaca a importância da agremiação para a comunidade.
“A escola representa muito a cultura e a história de Campinas. Faz parte desse legado de trabalho e respeito. Para mim, também é família”, afirma.
Segundo ela, a relação entre escola e comunidade é de mão dupla, com forte participação dos moradores nas atividades e desfiles.
“É um momento de integração. As pessoas fazem parte da história da escola, muitos têm familiares que já desfilaram”, relata.

Ensaios semanais fortalecem a cultura na Vila Costa e Silva
Os ensaios realizados semanalmente pela Escola de Samba Estrela D’Alva, em Campinas, reforçam o papel social da agremiação na Vila Costa e Silva. Segundo a rainha de bateria Leiliane Aparecida Ferreira, os encontros dominicais vão além da preparação para o Carnaval e se tornaram um espaço de convivência comunitária.
“Nos domingos, a comunidade participa muito. Tem crianças brincando, comerciantes vendendo produtos e pequenos empreendedores”, explica.
Para ela, a escola representa mais do que o samba.
“Tradição, família, amor e cultura. Não dá para falar do bairro sem falar da Estrela D’Alva”, afirma.
O desfile oficial das escolas de samba não é realizado em Campinas desde 2015, quando a Prefeitura suspendeu os desfiles tradicionais por questões financeiras. Apesar disso, o Carnaval da cidade passou a ser ocupado principalmente por blocos de rua.
Mesmo com as mudanças no cenário carnavalesco de Campinas, a Estrela D’Alva se mantém como um importante espaço de resistência cultural, convivência comunitária e preservação da tradição do samba, promovendo eventos, atividades sociais e fortalecendo os laços no bairro.
A Vila Costa e Silva se consolida assim como um território onde fé e cultura caminham juntas. Entre celebrações religiosas e o ritmo da bateria, o bairro preserva suas raízes enquanto se reinventa no cotidiano dos moradores, mantendo viva uma identidade construída coletivamente ao longo das décadas.

Vozes da Nossa Gente Campinas
O projeto multimídia “Vozes da Nossa Gente Campinas” é um projeto multimídia de conteúdo, desenvolvido pela redação do acidade on e pela Faculdade de Jornalismo. A parceria de jornalismo hiperlocal contará a história de 15 bairros da metrópole em reportagens, imagens e vídeos.
Esta matéria foi produzida pelos alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas: Bianca Garutti, Diego Luís de Linardo Filho, Henrique Alves Felipe, Kauan Panontin Guidi, Marília Coimbra, para o componente de Projeto Integrador VII, sob supervisão dos professores Rose Bars, Arthur Araújo e Amanda Artioli. A edição foi feita por Luciana Félix e Marcos Andrade.
Orientação: Profa. Amanda Artioli
Edição: Giovanni Feltrin














