Destaque Notícias

Para escritora, sociedade insiste nas diferenças

Isabelle Anchieta, no Café Filosófico, propõe a busca por imaginários comuns

 

 

 

Isabelle Anchieta: “Não somos totalmente bons nem somos totalmente maus” (Imagem: Youtube)

 


Por: Guilherme Ribeiro

Gênero, cor e etnia são apenas informações sobre o indivíduo. A sociedade deve procurar a união, pois o maior fator em comum entre as pessoas é a humanidade. A afirmação foi feita pela professora Isabelle Anchieta, doutora em Sociologia pela USP e mestre em Comunicação Social pela UFMG, no programa Café Filosófico da CPFL noite de ontem (10). Ela foi convidada ao evento, que ocorreu de forma remota, em canal no YouTube, para falar de temas relacionados ao novo livro de sua trilogia “Imagens da Mulher no Ocidente Moderno”.

Segundo a pesquisadora, vencedora do prêmio jovem socióloga brasileira pela Associação Internacional de Sociologia, a sociedade deve se unir, respeitando o humanismo do outro.

“Estamos insistindo demais nas nossas diferenças, devíamos voltar agora a unir os nossos imaginários em comum”, disse a socióloga, fazendo referência ao escritor congolês Alain Mabanckou.

Anchieta destacou que não existe a necessidade de ter as mesmas características do outro para apoiar sua luta, dando como exemplo o fato de não precisar ser mulher para lutar contra o machismo. “Tudo o que o indivíduo precisa ser é humano”, frisou. 

Isabelle destacou ainda ser muito mais do que somente o respeito o que deve unir as pessoas. “É responsabilidade, no sentido kantiano do termo, de não só não prejudicarmos os outros, mas favorecermos no que for possível às finalidades deles, produzindo humanismo empático, mas também ativo”, disse.

Na visão de Isabelle, diante das recentes guerras culturais, que promovem a vergonha e a humilhação do outro, a solução é a tolerância. A socióloga acredita ser essencial ao indivíduo entender suas próprias limitações e aceitar que ninguém possui toda a razão do mundo.

“Não somos totalmente bons nem somos totalmente maus”, afirmou Anchieta fazendo referência à máxima de Santo Agostinho, trazendo sua tese para o sentido de não idealizar o ser humano, que não é perfeito, e muito menos o futuro.

“Por mais que a gente saiba disso, eu acho que isso não deve nos eximir de buscarmos um projeto em comum que tenha unicamente como norte o respeito e a responsabilidade com o humanismo dos outros”, ressaltou Isabelle.


Aqui, acesso ao programa (início aos 18:50) 

 

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Beatriz Mota Furtado

Você também pode gostar...