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Produção noticiosa dos alunos de Jornalismo | PUC-Campinas

O que ainda é possível comprar com 10 reais em 2026?

Com o aumento dos preços, o dinheiro já não rende como antes. Consumidores precisam pesquisar e comparar preços para aproveitar melhor o seu salário

Por Ana Flávia Gomes e Bruna Félix

Uma nota de R$ 10 pode parecer pouco dinheiro, mas ainda é capaz de revelar muito sobre o custo de vida dos brasileiros. Em 2026, o valor pode ser suficiente para comprar alguns produtos do dia a dia, mas a quantidade de itens que cabe no orçamento ficou mais limitada. Para entender o que ainda é possível comprar com esse valor, fomos às ruas para observar os preços e conversar com consumidores e comerciantes.

Consumido Marcela Santos analisando os preços (Foto: Ana Flávia Gomes)

A experiência foi realizada em estabelecimentos comuns da rotina dos consumidores, como mercados e lanchonetes. Em cada local, a pergunta foi simples: O que dá para comprar com R$ 10 aqui? A resposta depende dos preços praticados em cada estabelecimento e do produto escolhido. Enquanto alguns itens ainda podem ser adquiridos com uma única nota de 10, outros já ultrapassam esse valor. A diferença mostra como o consumidor precisa pensar cada vez mais antes de decidir onde e como gastar.

Para quem trabalha diretamente com a venda de produtos, a mudança no comportamento dos consumidores pode ser percebida no dia a dia. Os comerciantes relatam que o aumento dos preços fez com que os clientes passassem a ter que escolher com mais cuidado o que comprar. “Com R$ 10 hoje a pessoa consegue comprar um litro de óleo de cozinha. Alguns anos atrás conseguiria levar bem mais. Os preços aumentaram muito”, afirmou a Mônica Pereira, operadora de caixa de um supermercado. A fala dela evidência como a alta dos preços reduz o poder de compra e faz com que uma mesma quantia seja insuficiente para adquirir os mesmos produtos.

Entre os consumidores, a percepção é de que R$ 10 perdeu parte do poder de compra que tinha anteriormente. Uma pessoa que utilizava esse valor para comprar mais de um produto pode hoje precisar escolher apenas um item. “Com 10 reais no bolso, eu provavelmente compraria dois litros de leite. Antigamente, com esse mesmo valor eu conseguia comprar muito mais coisas”, descreve Marcela Santos. A comparação com anos anteriores ajuda a entender que, embora a nota continue tendo o mesmo valor, a quantidade de produtos que pode ser comprada com ela muda conforme os preços aumentam. É essa diferença entre o valor do dinheiro e aquilo que ele consegue comprar que caracteriza o poder de compra.

Uma forma de observar a perda do poder de compra é comparar os preços de produtos comuns em diferentes períodos. Para isso, a reportagem precisa apresentar uma pesquisa com cinco produtos, mostrando seus preços em 2020 e em 2026.

Fonte: Inflação dos Alimentos (Elaboração: Ana Flávia)

Para verificar como o poder de compra mudou ao longo dos últimos anos, a reportagem comparou os preços de cinco produtos encontrados em supermercados, padarias e lanchonetes. A análise considera os valores registrados em 2020 e em 2026, permitindo observar as mudanças nos preços de itens presentes no cotidiano dos consumidores.

A percepção encontrada nas ruas pode ser relacionada aos indicadores oficiais de inflação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial de inflação do país, registrou alta de 0,16% em junho de 2026. No acumulado dos 12 meses até junho, a inflação ficou em 4,64%. O indicador acompanha a variação dos preços de diversos produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras e permite observar como os preços se comportam ao longo do tempo.

O impacto da inflação, porém, não é necessariamente igual para todas as famílias. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostrou que, no acumulado de janeiro a junho de 2026, as famílias de renda muito baixa e baixa registraram inflação de 3,59%, a maior entre as faixas de renda analisadas pelo estudo. O dado ajuda a compreender por que o aumento dos preços pode pesar de maneiras diferentes no orçamento de cada grupo.

Na prática, famílias com menor renda possuem menos margem para absorver aumentos de preços sem modificar seus hábitos de consumo. Quando o dinheiro disponível é limitado, uma alta no preço de produtos básicos pode significar abrir mão de outros itens ou procurar alternativas mais baratas. Acompanhe o que disse a economista Graziela Paes:

No fim do desafio, a nota continua sendo a mesma, mas o que ela consegue comprar pode ser diferente do que comprava alguns anos atrás. Os dados do IBGE mostram a evolução dos preços, enquanto os números do IPEA ajudam a entender como esse cenário afeta principalmente as famílias de menor renda. Mais do que uma simples nota, os R$ 10 se transformam em uma maneira de observar, na prática, a desvalorização progressiva do dinheiro brasileiro diante da inflação percebida pelas pessoas.

Orientação e edição: Adauto Molck

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