Daniel Bortoletto criador do Web Vôlei fala da mudança do impresso para o meio digital e destaca o crescimento do site nos últimos anos
Por Manuela Rodrigues Aguiar
Faz alguns anos têm ocorrido a migração de muitos meios esportivos tradicionais, como TV, rádio, jornais e revistas para o meio digital. Um dos motivos dessa mudança, é o público que vem acompanhando as notícias esportivas, sendo hoje em dia um público mais jovem que prioriza a mobilidade conteúdos sob demanda.
Além da mudança na faixa etária de audiência, existe o fator da interatividade maior com o público. No meio digital, é possível que os espectadores participem ativamente das transmissões, por meio de comentários ao vivo e enquetes.
Para falar sobre esse assunto, ouvimos o fundador e editor-chefe do site Web Vôlei, Daniel Bortoletto, que trabalhava no jornal tradicional esportivo Lance! e migrou para o digital ao criar um site de vôlei. Em 2025 o site foi incluído na lista dos sites esportivos mais influentes do mundo, de acordo com a empresa britânica Top1000.com (site em inglês). Na entrevista, o jornalista formado na PUC-Campinas fala sobre como foi essa decisão de migrar, os maiores desafios, as principais diferenças entre os dois meios e fala um pouco mais sobre seu site e as conquistas que conseguiu.

Daniel Bortoletto já foi repórter do Jornal Lance! e hoje comanda o site Web Vôlei (Foto: Thiago Bortoletto)
Por que você fez essa mudança de um jornal esportivo tradicional, para o meio digital?
Quando eu fiz a PUC, eu já sabia que eu queria trabalhar com esporte e no jornal impresso. Eu entrei na faculdade sabendo a área que eu queria seguir. E assim, aconteceu. Meu primeiro estágio foi no Lance!, que era, na época, um jornal de esporte vendido em banca. Um mundo muito diferente do de hoje. E eu fiquei no Lance! quase 20 anos. Comecei como estagiário, virei repórter, fui editor, e aí fui trabalhar em outras áreas. A migração do jornal para o digital, ela foi meio natural, porque todo mundo teve que se adaptar. A minha mudança, primeiro do jornal para o digital foi acontecendo com o tempo, porque as coisas já estavam se encaminhando para isso. E aí, depois de um tempo no Lance!, eu percebi que algumas coisas que eu queria fazer, eu só poderia fazer se eu tivesse um negócio próprio.
Qual foi o maior desafio dessa mudança?
É que tem muita coisa que você só aprende na prática, porque eu não tive a oportunidade de estudar essa parte do digital. Então, assim, o meu conhecimento, ele foi basicamente adquirido no dia a dia. Eu não tive muita aula, não tive muito professor, e nem muita referência para seguir. Acho que esse foi o maior desafio.
Qual a maior diferença que você notou entre esses dois meios de comunicação?
No impresso você tinha tempo para fazer com calma. Você tem uma matéria que só vai sair no dia seguinte, podia sentar-se ali com tranquilidade e escrever a matéria. Você tinha tempo de pensar, fazer e reler. Apagava, não gostei, você manda para o editor, o editor fala, volta, muda isso aqui, está faltando algo. Hoje, na internet, é tudo instantâneo, as coisas vão para o ar, assim, quase sem ter o mínimo de revisão. Eu acho que essa é uma grande diferença, que você podia fazer aquelas matérias de mais folha, apurar com calma.
De onde surgiu a ideia de criar um site focado somente no vôlei?
Eu sentia falta de ter conteúdo que eu achava que era o mínimo necessário para quem gosta. E isso não estava nos grandes sites. Eu não achava isso no UOL, eu não via isso mesmo no próprio Lance!. Minhas principais fontes de referência não me abasteciam. Penei… acho que aqui tem um nicho para explorar. Foi muito assim, de perceber que não tinha algo que, talvez, não só não me atendesse, mas não atendesse muita gente. Veio a ideia de empreender em uma área que eu não percebia ter tanta concorrência.
Como você faz para se destacar entre os outros sites esportivos?
E eu acho que a diferença do Web Vôlei, para muitos outros, é manter algumas bases muito sólidas do que você e o que não pode fazer. A gente nunca vai ser sensacionalista, a gente nunca vai exagerar em Clickbait (caça-cliques ou isca de cliques), a gente vai sempre tentar se pautar por ética, responsabilidade, ouvir os dois lados. Eu diria que esses são os maiores diferenciais.
Ano passado, o site Web Vôlei foi incluído na lista dos sites esportivos mais influentes do mundo, de acordo com a empresa britânica Top1000.com. O que esse marco significa para você?
Foi uma grande surpresa para mim, assim. Porque não tem nenhum outro site de vôlei ali. Tem uma federação da Rússia, tem um outro site, mas site de notícias de vôlei, o Web Vôlei é o único. Então, para a gente foi uma grande surpresa. E aí eu não vou tratar como um prêmio, não é uma premiação, mas assim uma confirmação de que estamos no caminho correto.
Como sua experiência te auxiliou na criação do site?
Acho que o jornal acaba sendo uma essência da faculdade para mim. Eu entrei para fazer estágio no terceiro ano da faculdade. Terminei o terceiro ano começando o estágio e fiz todo o meu quarto ano da faculdade já trabalhando. O jornal acabou sendo um complemento da faculdade. Durante muito tempo eu aprendia a teoria da faculdade na prática do estágio.
Como você avalia o desenvolvimento do site? Tem algo que você ainda não alcançou com ele que deseja alcançar?
Falo em muitas reuniões que eu participo, que o não site não é o mais bonito, não é o mais moderno, mas certamente as informações que estão ali são confiáveis, extremamente confiáveis. Eu acho que isso ainda gera muita percepção de valor no nosso mundo de comunicação. E nesses oito anos de site, eu diria que tanto o aumento da audiência nele diretamente quanto no canal do YouTube mostram um baita desenvolvimento legal do nosso trabalho.
Orientação e edição: Adauto Molck
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