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Produção noticiosa dos alunos de Jornalismo | PUC-Campinas

Fake News e IA: o grande risco à democracia em ano eleitoral

Por André Casarin e Rafael Correa

Em anos recentes, a Inteligência Artificial passou de uma inovação confinada a institutos de pesquisa e corporações de grande porte para uma realidade acessível a milhões de indivíduos. 

Para Fernando Soares de Aguiar Neto, professor de Ciências de Dados e IA da PUC-Campinas, o avanço da tecnologia exige maior atenção ao combate à desinformação digital (Foto: Rafael Correa)

Segundo Fernando Soares de Aguiar Neto, professor de Ciências de Dados e IA na PUC Campinas, “as inteligências artificiais se desenvolvem rapidamente e agora estão presentes em várias esferas do dia a dia, incluindo mídias sociais, saúde e criação de conteúdo. No entanto, esse progresso também permite aplicações inadequadas, como a propagação de notícias falsas em larga escala, que podem moldar opiniões e intensificar a divisão social ao evocar fortes emoções nas pessoas.”

No Brasil, a Inteligência Artificial se tornou tema central nas discussões sobre as eleições. Com ferramentas capazes de criar imagens, áudios e vídeos falsos em poucos minutos, cresce a preocupação com a disseminação de informações enganosas que podem influenciar a opinião pública. 

O engenheiro aposentado Marco Antônio Cerri foi vítima de uma Fake News produzida com IA, mostrando como idosos estão entre os principais alvos. Ele compartilhou em grupos de WhatsApp um vídeo político em que a fala de um candidato havia sido manipulada. “Recebi um vídeo do presidente falando mal de uma pessoa e jurava que era verdade. Compartilhei com amigos no WhatsApp, mas meu neto me avisou depois que a fala tinha sido criada por IA”, relembra. 

Personagens virtuais também passaram a ocupar espaço no debate político online. Um exemplo é “Dona Maria”, figura criada por Inteligência Artificial que publica vídeos opinativos nas redes sociais. O uso desse tipo de conteúdo levanta discussões sobre transparência, manipulação de opinião e o impacto de influenciadores artificiais durante o período eleitoral.

O engenheiro aposentado Marco Antônio Cerri relata como foi enganado por um vídeo manipulado por Inteligência Artificial compartilhado nas redes sociais (Foto: André Casarin)

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TSE contra a desinformação 

Para combater o crescimento das notícias falsas geradas por Inteligência Artificial, o Senado Federal e o Tribunal Superior Eleitoral estabeleceram uma colaboração focada na defesa da democracia no Brasil. Essa ação visa monitorar informações enganosas e oferecer respostas rápidas aos cidadãos através de meios oficiais, como WhatsApp, e-mail e Ouvidoria. Outro aspecto é a promoção da educação digital, incentivando as pessoas a conferirem a origem e a intenção das mensagens antes de disseminá-las. O objetivo é minimizar os efeitos de conteúdos manipulados por IA, que podem alterar o debate público, causar confusão entre os eleitores e abalar a confiança no processo eleitoral.

Em março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou novas regras para regulamentar o uso de Inteligência Artificial nas campanhas eleitorais. Entre as medidas está a obrigatoriedade de identificar conteúdos produzidos ou alterados por IA, além da proibição do uso de deepfakes para manipular ou prejudicar candidatos. Segundo o Tribunal, conteúdos sintéticos usados de maneira irregular poderão ser enquadrados como abuso de poder político ou uso indevido dos meios de comunicação.

Segundo o professor de Direito Eleitoral da PUC Campinas, Peter Panutto, o avanço da Inteligência Artificial representa um desafio para a legislação brasileira. “A tecnologia evolui em uma velocidade muito maior do que a capacidade de fiscalização. O grande desafio da Justiça Eleitoral é garantir a liberdade de expressão sem permitir que conteúdos falsos comprometam a integridade do processo democrático”, afirma.

A Justiça Eleitoral considera a desinformação digital um dos principais desafios das eleições deste ano. Em um cenário eleitoral cada vez mais digital, especialistas alertam que o maior desafio não é apenas combater conteúdos falsos, mas também preservar a confiança da população nas informações verdadeiras.

Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana