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Santa Genebra reforça sua importância com novos registros

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Considerada o pulmão de Campinas, mata abriga mais de 900 espécies de fauna e flora da região
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Por Kauan Panontin e Theo Miranda

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Em meio ao ritmo acelerado da urbanização, a Mata de Santa Genebra, em Campinas, segue emergindo como um refúgio ecológico de grande valor. Com 251,77 hectares, a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) é o maior remanescente de floresta nativa na Região Metropolitana de Campinas.nAdministrada pela Fundação José Pedro de Oliveira, a reserva é tombada por órgãos de preservação ambiental e cultural, e funciona como centro de pesquisa, educação ambiental e proteção da biodiversidade.

A mata abriga cerca de 660 espécies de plantas, incluindo exemplares ameaçados como a palmeira-juçara e a canela-sassafrás. Já a fauna vertebrada conta com 365 espécies registradas, entre aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes.

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Passarinhada pela Mata de Santa Genebra (foto: Kauan Panontin)

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NOVOS MORADORES
Recentemente, a reserva voltou a atrair a atenção para sua riqueza biológica, um acauã (Herpetotheres cachinnans), ave de rapina que se alimenta de serpentes, foi avistado pela primeira vez nas bordas da mata. O biólogo Thomaz Henrique Barrella, que trabalha na FJPO (Fundação José Pedro de Oliveira), foi quem fez o flagrante.“Eu estava acompanhado do também observador de aves, amigo e parceiro da FJPO José Dionísio Bertuzzo. O acauã foi identificado pelo canto e posteriormente localizado, por volta das 8h da manhã. Ele se aproximou e foi possível fotografar após a reprodução do playback de seu canto”, explicou Thomaz.

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Primeiro registro de acauã feito na Mata de Santa Genebra (foto: Thomaz Henrique Barrella)

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Também em outubro, o inhambu-chintã (Crypturellus tataupa), símbolo da música sertaneja, teve um registro inédito na mata, também feito pelo biólogo. “Eu já sabia da presença de um casal de inhambu-chintã na trilha do Jatobá aqui próximo da sede, mas nunca havia conseguido a aproximação deles, especialmente em uma área onde fosse possível a foto. Como eles estavam vocalizando e eu conseguia ouvi-los caminhando sobre as folhas da floresta, já fiquei com a câmera a postos. Finalmente, depois de alguns anos de tentativas, fiz o registro da ave”, conta o autor do registro.

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Inhambú-chintã flagrado pela primeira vez na Mata de Santa Genebra (Foto: Thomaz Henrique Barrella)

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Esses avistamentos não apenas ampliam o inventário de espécies da reserva, mas reforçam a importância da mata para a conservação e monitoramento de fauna.

A importância da Mata de Santa Genebra é reforçada a cada novo registro de espécie: não é apenas o refúgio de algumas aves, mas um laboratório vivo para estudos científicos e um símbolo de que a natureza ainda pode sobreviver no coração urbano. “Lugares como a Santa Genebra, dentro de uma cidade grande como Campinas, onde a gente geralmente imagina que só tem prédios, condomínios e shoppings, são muito importantes. Eles aproximam a gente da natureza mesmo nesse contexto urbano. Dá uma paz enorme saber que temos tanta natureza tão pertinho de nós”, conta Larissa Fortunato, jornalista do programa de televisão especializado em natureza “Terra da Gente”.

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Orientação: Profa. Karla Eherenberg
Edição: Ana Elisa Desiderá

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