Digitais

Produção noticiosa dos alunos de Jornalismo | PUC-Campinas

Pesquisa vê redes sociais como via para sustentabilidade

Professora sugere influenciadores ambientais como recurso didático válido para engajamento dos adolescentes na escola

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Por Théo Miranda, Kauan Panontin e João Amorim

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A professora de ensino básico Caroline Lima, formada pela Unicamp, investigou, em sua pesquisa de conclusão de curso, como os vídeos produzidos por influenciadores digitais — especialmente os chamados greenfluencers — podem ser usados como ferramenta educativa no ensino fundamental. A proposta parte da constatação de que os jovens brasileiros passam, em média, nove horas por dia nas redes sociais, e que parte significativa desse tempo é dedicada a vídeos de consumo, como unboxings (abertura de embalagens de produtos) e reviews (avaliações de itens comprados).

Diante desse cenário, Caroline propõe a transformação desse hábito em recurso pedagógico. Sua pesquisa, realizada em 2023 com turmas de 5º ano do ensino fundamental da rede municipal de Campinas (SP), explora como esses formatos, comuns no cotidiano digital das crianças, podem ser adaptados para veicular mensagens de sustentabilidade e consumo consciente.

“Vídeos virais que tragam um olhar sustentável podem ser levados para as salas de aula”, escreve Caroline na pesquisa. “É possível discutir o consumo a partir daquilo que eles já assistem e com o que se identificam”.

Um consumo que ensina?

O desafio principal apontado por Caroline é a contradição presente na atuação dos influenciadores: muitos ganham dinheiro por meio da promoção de produtos, o que estimula o consumismo — justamente o oposto do que a educação ambiental busca. Como destaca em sua pesquisa: “Existe uma contradição que é inerente à profissão de influenciador digital. Grande parte da renda desses profissionais vem das parcerias comerciais com marcas, para divulgar produtos e empresas. Portanto, quando divulgado por influenciadores, o ativismo ambiental, muitas vezes, vem relacionado à compra de um produto e não à diminuição do consumo”.

A pesquisa mostrou que os alunos não só assistem a esse tipo de conteúdo, mas o reproduzem em práticas e falas do cotidiano escolar. Para Caroline, isso representa tanto um risco quanto uma oportunidade: se bem contextualizados, esses conteúdos podem abrir espaço para discussões sobre valores, hábitos de compra e impactos ambientais.

Da teoria à prática: o que foi feito

Durante a investigação, Caroline desenvolveu atividades com base em vídeos de influenciadores ambientais. Os alunos analisaram os conteúdos, debateram temas como desperdício e reutilização e, depois, produziram roteiros próprios com propostas sustentáveis. A experiência mostrou que, quando os assuntos são conectados com o universo digital dos estudantes, a participação e o engajamento aumentam consideravelmente.

“Essa pesquisa foi realizada com o desejo de oferecer um caminho para que professores tenham autonomia para adaptar as atividades e discussões de acordo com a realidade de suas comunidades e os interesses de seus alunos”, afirma Caroline.

Mais do que modismo

A pesquisa ressalta que o uso de influenciadores não deve ser visto como tendência passageira, mas como uma possibilidade real de mediação entre os temas escolares e a vivência dos estudantes. Para isso, a professora enfatiza a necessidade de planejamento docente: “os professores devem se planejar para utilizar esse mecanismo de aprendizado, para que assim, eles e seus alunos estejam devidamente contextualizados sobre os assuntos, podendo gerar debates e criações em sala de aula”. A proposta dialoga com ideias contemporâneas de letramento midiático e educação crítica. Ao final da pesquisa, Caroline manifesta a esperança de que outros educadores possam aplicar, adaptar e ampliar essas experiências em suas práticas pedagógicas.

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Edição: Murilo Sacardi

Orientação: Prof. Artur Araújo