Especialistas, políticos e cidadãos comentam os desafios e a responsabilidade do eleitorado em tempos de polarização política
Por Juliana Lamussi
Diante de um país polarizado, o direito ao voto e o conceito de democracia são debatidos a todo momento, podendo gerar discussões e até ataques por discordâncias ideológicas. Apesar das diferentes visões, 81% dizem que mesmo com falhas, a democracia é ainda o melhor regime político, de acordo com os dados de uma pesquisa realizada pelo Observatório da Democracia da Advocacia-Geral da União (AGU) e pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) em 2024.
“O voto representa a minha posição quanto às garantias de um futuro melhor para nossa comunidade. O voto individual só pode influenciar melhorias no país se for consciente”, relata a manicure Solange Medina, 36, sobre o que o voto representa para um cidadão. Ela complementa dizendo que a democracia é a voz do povo, da sociedade.
O Dia Internacional da Democracia, comemorado em 15 de setembro, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Esta data foi escolhida em 1997, quando 128 países, incluindo o Brasil, aprovaram e assinaram a Declaração Universal da Democracia, que destaca os aspectos de um governo democrático e sua dimensão internacional.
A democracia e o direito de votar estão presentes no artigo 14 da Constituição Brasileira de 1988 “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo e III – iniciativa popular.”, assim permitindo o direito de voto a todos, porém havendo exceções perante a lei, como os menores de 16 anos, aqueles que não tiraram o título eleitoral e quem tiver os direitos políticos suspensos.

De acordo com o Presidente da OAB de Vinhedo, Rafael Francisco Carvalho, 43, o voto é obrigatório no Brasil, sob pena de multa. Do ponto de vista moral, acrescenta, a omissão do cidadão em exercer esse dever cívico pode gerar prejuízos individuais e coletivos, resultando na falta de desenvolvimento e na
perpetuação da injustiça social” aponta.
O vereador de Vinhedo, Rubens Nunes, 58, aborda a importância do fortalecimento da educação política nas escolas e universidades. “Uma educação política séria e apartidária ensina os jovens a compreenderem como funcionam as instituições, quais são os seus direitos e deveres e de que forma
eles podem participar da vida pública. Quando a juventude aprende cedo a importância da democracia, do voto e da fiscalização dos eleitos, formamos cidadãos mais críticos, conscientes e capazes de proteger as conquistas democráticas”, avalia.
Em comparação com a eleição de 2020, em 2024 houve um aumento de 78% no número de jovens entre 16 e 17 anos aptos a votar. Além disso, a eleição de 2024 contou com mais de 155 milhões de eleitores brasileiros, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Particularmente acho que devia ser apenas um direito. A verdadeira democracia é quando os cidadãos podem votar porque acreditam e quere eleger aqueles representantes em questão” destaca o professor de português, Giovanni Ferraiolo, 24, sobre a função do voto. Ele define a democracia como a vontade da maioria, sendo a resolução mais justa, além de ser a distribuição de poder entre todos de uma mesma sociedade.
Em contraposição à democracia, existe o regime ditatorial. A ditadura é um modelo de governo totalitário, que é usado em alguns países como, por exemplo, a Coréia do Norte, a Venezuela e Cuba. Nestes países, o que prevalece são as decisões de quem tem o poder, principalmente, o governante.

Cientista Social, pesquisadora do Observatório da Puc-Campinas, Camilla Marcondes Massaro, 43, diz “O papel da democracia é fundamental para garantir a participação de diferentes vozes na sociedade, porque numa sociedade que não é democrática e que não preza pelo direito de todos se manifestarem livremente, é inviável a possibilidade de participação de diferentes vozes. E mesmo quando uma sociedade se coloca como democrática, temos dificuldades para que essas diferentes vozes possam ser ouvidas, possam participar “, afirma.
Em 2026, ocorrerão as Eleições para Presidente da República, Governadores, Deputados e Senadores. É importante pesquisar as propostas dos candidatos e escolher de acordo com sua identificação política e social.
“Vivemos num tempo de excesso de informação, mas nem sempre de informação qualificada. O eleitor precisa ter acesso a dados claros sobre a vida pública, o histórico de atuação e as propostas reais dos candidatos. É importante que o eleitor exerça o hábito de buscar por conta própria, indo além
das redes sociais e propagandas, para compreender quem realmente está apto a representá-lo”, aponta o vereador Rubens Nunes, sobre a importância de conhecer melhor os candidatos antes de votar.
Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
