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Os 20 anos de uma batalha por inclusão

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Por Lara Gallo

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O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, em 2025 completa 20 anos. Criada pela Lei nº 11.133/2005, a data simboliza a resistência e o esforço coletivo por direitos e participação social. Para a campineira Marina Batista Francisco, ativista e integrante do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, a luta é diária. “Seguimos batalhando por direitos. Apesar das conquistas, ainda falta acessibilidade, participação ativa e respeito. É uma existência em resiliência”, afirma.

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Segundo o IBGE, Campinas tem cerca de 64 mil pessoas com algum tipo de deficiência, aproximadamente 5,4% da população. Marina está entre elas e convive com uma condição ultra rara, a Atrofia Muscular Espinhal – AME, uma doença neuromuscular degenerativa cujo diagnóstico, no Brasil, atinge apenas duas pessoas. Aos 40 anos, ela superou diversas barreiras: teve acesso à educação desde a infância, concluiu o ensino superior, tornou-se referência nas redes sociais por seu ativismo e, hoje, atua como segunda-secretária do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. “Esse cargo é significativo, porque me permite lutar por melhores condições para a comunidade PCD na região”, diz.

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No perfil @rodandopelavida, Marina Batista realça o ativismo pelos direitos das pessoas com deficiência. (Foto: arquivo pessoal)

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Apesar de propostas de políticas públicas levantadas pelo município, como a implementação de rampas, calçadas com sinalização em relevo e táxis adaptados, a atuação do Conselho permanece restrita à esfera consultiva, sem poder decisório. Marina é a única pessoa com deficiência que ocupa um cargo na atual gestão municipal, o que, para ela, evidencia a urgência de ampliar a representatividade nos espaços políticos.

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Educação inclusiva começa na infância

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A construção de uma sociedade mais acessível também passa pela escola. Na educação infantil, onde se desenvolvem competências cognitivas e sociais, a presença de crianças com deficiência deve ser garantida de forma plena.

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Rose Silva leva a inclusão para a sala de aula por meio de atividades individuais especiais. (Foto: Lara Gallo)

Em muitas escolas municipais, o Atendimento Educacional Especializado – AEE oferece suporte adicional para essas crianças, removendo barreiras e favorecendo o aprendizado ao lado dos colegas. Para Rose Silva, professora do AEE há mais de cinco anos na cidade de Americana, o trabalho é essencial: “Criar um ambiente acolhedor, usar tecnologias assistivas quando necessário e ajustar as práticas com o apoio da equipe escolar e de terapeutas faz toda a diferença.”

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Para complementar o trabalho, o Plano de Atendimento Educacional Especializado – PAEE, ajuda a traçar estratégias individuais. Rose conta que já acompanhou avanços marcantes. “Certa vez atendi uma criança não verbal, com deficiências múltiplas e grande dificuldade de interação. Com propostas lúdicas, brincadeiras inclusivas e apoio psicológico, ela passou a compartilhar brinquedos, participar das atividades e seguir a rotina da sala”, relata.

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Ainda que o caminho para a equidade esteja em andamento, ela defende que a formação continuada de professores e políticas educacionais consistentes são fundamentais para consolidar o direito à educação inclusiva. “Permitir que todos aprendam respeitando suas diferenças individuais e promovendo colaboração e respeito mútuo é o que torna a escola verdadeiramente acessível”, reforça Rose.

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Mais do que uma data no calendário

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Os 20 anos do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência reforçam que inclusão e acessibilidade não se limitam a celebrações simbólicas. São compromissos permanentes, que exigem ações concretas do poder público, da sociedade e da própria comunidade PCD para ultrapassar barreiras, ampliar oportunidades e assegurar que todos participem plenamente da vida em coletividade.

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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana

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