Digitais lança debate sobre os desafios de Campinas

Projeto quer ampliar o jornalismo como palco de discussões para uma sociedade melhor


Uma pergunta move o lançamento da série de reportagens 25 DESAFIOS PARA 2025 – Qual Campinas queremos?  Por trás desse questionamento há uma prerrogativa: é preciso reforçar o papel e a responsabilidade que cada um de nós tem pelo destino da comunidade em que vivemos, porque relegar esse debate apenas a seus agentes políticos e ocupantes de cargos públicos é o pior dos caminhos. Significa abrir mão de nosso maior direito, e maior dever, como cidadão.

Para isso, será igualmente fundamental amplificar o jornalismo como palco das discussões que levem a uma sociedade melhor. A exemplo do que fazem os grandes meios de comunicação pelo mundo. O Digitais, veículo de comunicação da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, acredita que começa a ser esculpida hoje o tipo de cidade para daqui a sete anos e meio – tempo insuficiente para o surgimento de uma nova geração, mas o suficiente para a transformação de seu destino. Essa decisão editorial fez nascer o projeto 25 DESAFIOS PARA 2025.

O Digitais, para resgatar ao jornalismo o papel de protagonista na transformação do futuro da cidade, dará espaço em suas reportagens ao maior número de atores sociais, entendendo como ator social toda pessoa, de todas as idades, com todos os tipos de conhecimento. Não apenas os especialistas e as autoridades serão as fontes de discurso, mas também – e principalmente – seus moradores e outras lideranças da sociedade civil. Não há como promover discussão de tamanha complexidade sem incentivar a multiplicidade e a pluralidade de vozes, olhares e opiniões. Sem apostar na diversidade.

O primeiro passo é criar a agenda de temas a serem veiculados na série de reportagens. E ela não será construída somente pelos jornalistas-estudantes da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Está disponível uma pesquisa, aberta a toda pessoa, cujo objetivo é levantar quais áreas merecem ser tratadas nas reportagens e garantir a abrangência e a legitimidade das pautas. O time de jornalistas-monitores e jornalistas-estagiários do Digitais também está comprometido a buscar outros personagens, moradores que não estão inseridos digitalmente, para corrigir uma das mais recentes distorções de nossa sociedade: a desigualdade digital.

 

Agenda da ONU

A partir dos temas mais relevantes apontados na pesquisa – em áreas como mobilidade, saúde, educação, segurança, tolerância e tantas outras – sairão as pautas, que receberão o selo 25 DESAFIOS PARA 2025. Mas para receber o selo a reportagem precisará estar editorialmente alinhada a uma agenda maior, a Habitat III. Há exatamente um ano, em outubro de 2016, durante a Habitat III (Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável), os países membros da ONU se compromissaram na adoção da Nova Agenda Urbana, “documento orientado à ação que estabelece padrões globais para o desenvolvimento urbano sustentável, repensando a forma como construímos, gerenciamos e vivemos nas cidades”. Sua meta de médio prazo é “tornar as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis”. A série 25 DESAFIOS PARA 2025 será pautada por esses quatro objetivos: a transformação de cada cidade em espaços mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

Orientar a série pela Agenda Habitat III exigirá jornalismo feito a partir de dados consistentes. O primeiro deles é saber quantos somos para entender o que precisamos. De acordo com a Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), a RMC (Região Metropolitana de Campinas) tem 20 municípios e 3.088.783 habitantes. Isso a coloca entre as maiores metrópoles do planeta, à frente, por exemplo, da Região Metropolitana de Lisboa (Portugal), que tem 18 cidades e cerca de 3 milhões de habitantes. Em 2025, a projeção é que o número de moradores alcance 3.330.912. São mais 240 mil pessoas. É como se uma cidade inteira, maior que Hortolândia (219 mil habitantes em 2017), fosse incorporada à RMC. Escola, saneamento, mobilidade, saúde, nada fica imune a esse tamanho de desafio e sua discussão não pode ser adiada. Um exemplo dá mostras da complexidade da situação: somente a população acima de 60 anos terá 577 mil pessoas, mais que a população total de São José do Rio Preto (437 mil) e praticamente do tamanho da população total de Gênova (583 mil), na Itália.

 

Complexidade de ideias

Conduzir a agenda de desafios para as cidades da região é uma forma de a Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, por meio de seu veículo de comunicação, ser o espaço referencial da cidade que queremos. A série marcará, ainda, nova fase para o Digitais, etapa com olhar dirigido mais para a cidade que para a universidade.

Para tanto não será estabelecido a priori o modelo de formato jornalístico das reportagens. Haverá espaço para o autoral, sem que isso signifique o abandono de qualquer princípio ou regra para a qualidade do jornalismo; haverá denúncias, sem que isso implique em pré-julgamentos; haverá o olhar sobre a história, porque é uma das bases para respeitar os processos de desenvolvimento da cidade e da região; haverá entrevistas e breves relatos com seus mais diversos personagens; haverá conteúdos em texto, em formato infográfico, em áudio, em vídeo, em fotografia, em modelos híbridos, em HQs… Um mix de formatos, um mix de pessoas.

Esse conjunto de abordagens não deixa de se orientar pelo que o urbanista e filósofo italiano Massimo Canevacci define como polifonia da cidade. “A lógica dualista da cidade industrial foi substituída pelo pluricentrismo da metrópole comunicacional, altamente vinculada à cultura digital”, diz ele em entrevista dada ao Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. A série 25 DESAFIOS PARA 2025 buscará a complexidade, no contexto em que Massimo Canevacci traz. “Não se insiste na objetividade em relação ao objeto, de modo que o objeto não é mais objeto: é um sujeito, com toda a sua complexidade, em diálogo com o investigador”. Para o Digitais, esse ‘investigador’ será cada um de seus jornalistas. Um compromisso ambicioso, que nascerá e culminará num tipo de Jornalismo: o que vai para a Rua.

 

O Selo

A aluna Jacqueline Lucena, do curso de Design Digital, conta sobre as ideias, a representação de Campinas e o desenvolvimento do selo para o desafio.

Como surgiram as ideias para o selo?

Nas informações de briefing, o selo precisava transmitir seriedade, confiabilidade e ser consistente, e, ainda, conter 25 em sua construção. Teve o processo de pesquisa de selos existentes, significados de cores e coisas que remetem a Campinas. 

Por que você acredita que o selo combine com Campinas? Quais os elementos escolhidos para representar a cidade?

Durante as pesquisas, me lembrei que o símbolo de Campinas era a Andorinha, então pensei em juntá-la com os 25 para formar o selo. Acredito que o selo combine e represente Campinas exatamente pela ave que é familiar para todos os moradores e visitantes da cidade, e ainda, o texto reforça a ideia do projeto.

Como ocorreu o processo criativo? 

A primeira etapa foi a coleta do briefing, depois, a pesquisa de selos existentes, cores e tudo que remete à cidade de Campinas. Após isso, o conceito foi formulado: 25 desafios juntamente ao símbolo da cidade – a andorinha, e, a partir disso, foram desenvolvidos diversos sketches, sendo escolhido o que melhor se encaixava na proposta. A etapa seguinte foi a de pesquisa e escolha de cores, onde, através de estudos da Psicologia das Cores, as cores azul, que transmite confiança e segurança, e verde, que representa crescimento, estabilidade e possibilidade, se uniram, juntamente a seus respectivos significados, a fim de transmitir a imagem que o projeto queria. Por fim, a escolha tipográfica tendo em vista uma boa legibilidade e versatilidade.

 

Você ainda pode conferir o vídeo com mais informações sobre a criação e o desenvolvimento do selo e do projeto 25 Desafios para 2025.

 


Veja mais matéria sobre Cidades/Geral

Detergente é o vilão no Tietê


Lixo doméstico é responsável por 85% da degradação do rio


11 cidades da RMC coletam e tratam mais de 80% do esgoto


20 municípios da Região Metropolitana de Campinas tem altos índices de coleta e tratamento de esgoto


Biblioteca de Sousas está fechada há um ano


A Prefeitura não renovou o contrato de locação do local onde as atividades funcionavam


Jaguariúna é a única da RMC que tem 13° para vereadores


Benefício foi aprovado pela Câmara e sancionado pelo Executivo em outubro


Inclusão escolar é dificuldade para as escolas campineiras


Estudantes com necessidades especiais encontram dificuldades nas escolas campineiras.


Laços de Honra: o outro lado do Exército


Aluna do 3° ano de jornalismo faz registros fotográficos do Exército Brasileiro