Empresa responsável divulga valores das passagens e detalha os trajetos previstos para o novo sistema ferroviário regional
Por Pedro Spada e Felipe Tonelo
O projeto TIC Eixo Norte finalmente tomou forma com a TIC Trens, empresa criada em fevereiro de 2024 com o foco de adquirir o projeto do Trem Intercidades (TIC). A empresa é formada pela CRRC – empresa estatal Chinesa – e o Grupo Comporte, de São Bernardo do Campos – SP. A proposta seria de beneficiar a população das cidades de São Paulo, Campinas e Jundiaí, atingindo um período de trajeto de, aproximadamente, 33 minutos entre os municípios, com uma velocidade média de 140 quilômetros por hora, concluindo o percurso em 64 minutos.
As obras do Projeto TIC Eixo Norte iniciaram no dia 27 de março, em Vinhedo. Segundo a concessionária, essa primeira fase da construção da linha consiste em preparar o solo e o terreno para receber os trens nas cidades que vão fazer parte do percurso. A instalação dos canteiros de obras, a preparação do terreno que vai receber os trilhos e a terraplanagem do percurso. A obra tem um prazo para entrega do projeto até 2031, segundo informado pela TIC Trens.

Os valores, primeiramente divulgados, da passagem do Trem Intercidades será de 64 reais, valor próximo ao oferecido por empresas de ônibus que fazem esse trajeto. Em 2026, existem ônibus que fazem o percurso prometido pela TIC Trens em, aproximadamente, 1 hora e 30 minutos. O projeto TIC Eixo Norte atenderá 11 municípios, com a previsão de atender cerca de 15 milhões de pessoas.
A empresa responsável pela implantação, operação e manutenção do projeto é a TIC Trens, que terá um investimento de 14,2 bilhões de reais para realização do Trem Intercidades, sendo 8,5 bilhões de aportes públicos, segundo o site da Secretaria de Parceria em Investimentos.
A ideia de um trem que liga Campinas e São Paulo está em pauta no Governo do Estado desde 2009, quando se iniciou o projeto do “Trem de Alta Velocidade” (TAV), com responsabilidade do Governo Federal, seria o primeiro trem-bala do Brasil. A iniciativa iria ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, mas não saiu do papel pelo alto custo do projeto.
Em 2013, o projeto evoluiu para o Trem Intercidades (TIC), com uma proposta mais adequada de um trem rápido (não bala), diferente do primeiro de alta velocidade. O plano só veio a ser assinado em 2024, completando mais de 10 anos de planejamento técnico e acordos jurídicos.
O projeto pode induzir a requalificação de áreas estratégicas, reorganização do entorno ferroviário e fortalecimento da integração entre transporte e desenvolvimento urbano.
João Verde, urbanista e presidente do Instituto da Memória Ferroviária de Campinas, conta que vê o projeto com bons olhos: “Fala-se desse trem desde a década de 80, mas o projeto nunca saiu do papel. Agora que as obras finalmente começaram, podemos ver que o projeto vai pra frente.” O especialista conta que os benefícios do TIC vão muito além do transporte de pessoas, citando pacientes que buscam tratamento na capital ou nos centros especializados da Unicamp, que agora terão um atendimento muito mais simplificados.
A TIC Trens também trabalha no projeto do Trem Intermetropolitano (TIM), com um percurso definido entre Jundiaí e Campinas e com paradas previstas nas cidades de Valinhos, Vinhedo e Louveira, em 33 minutos de viagem e um valor de passagem previsto para 14 reais. João criticou o trajeto agora definido pelo TIM “É uma pena não terem estendido o trajeto dos trens para cidades como Americana, Hortolândia e Sumaré, tendo em vista que essas são as grandes cidades da região metropolitana de Campinas. Uma parcela considerável dos trabalhadores de Campinas vive nessas cidades e uma linha de trem que fizesse esse trajeto ia beneficiá-los demais.”
O urbanista criticou também a velocidade de trânsito dos trens: “Em grandes países ferroviários, como China e Japão por exemplo, os trens ultrapassam os 180 km/h, mas aqui no Brasil, devido a qualidade do trajeto, os trens não ultrapassam os 140 km/h. Espero que até 2040 os trens brasileiros cheguem a velocidades acima da atual, facilitando mais ainda o trajeto”.
O custo para ir de carro de Campinas a São Paulo, sem considerar a gasolina, é de R$27,30, passando por 2 pedágios. O caminho indicado é pela Rodovia Bandeirantes e duraria, em média, 1 hora e 30 minutos. Um dos objetivos do Trem Intercidades seria justamente desafogar a rodovia que mais transitam carros, atualmente, entre as cidades.
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Eloah Dias

