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Conferência realizada em Campinas abriu espaço para novas vozes e importantes reivindicações dos artistas
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Texto e imagens: Bianca Freitas e Gabriela Moda
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Campinas é uma das cidades que mais consome Hip-Hop no Estado de São Paulo, mesmo assim o cenário local ainda apresenta desafios estruturais e de reconhecimento para os coletivos. O preconceito contra essa cultura reforça a importância de espaços como a Conferência Municipal do Hip-Hop, realizada na Casa do Hip-Hop, em Campinas.
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O preconceito e a criminalização ainda são barreiras enfrentadas por artistas que utilizam o hip-hop como meio de expressão política e social. Em Campinas, essa realidade se reflete na ausência de equipamentos culturais em bairros periféricos e na escassa presença de representantes do movimento em cargos de decisão. Para a artista Isabella Letícia Bom Soares, conhecida como Punka, ainda há muito a avançar. “A Secretaria de Cultura até olha para o hip-hop, mas está longe de alcançar o mínimo. Falta acesso, respaldo jurídico, estrutura física… a gente não tem nem banheiro de qualidade”.
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Durante quatro dias, a Casa do Hip-Hop recebeu artistas, coletivos e interessados em discutir e conhecer mais sobre a cultura desse estilo musical na cidade. Entre conversas acaloradas, trocas de experiências e olhares atentos, o encontro criou um ambiente para fortalecer a cena local e abrir espaço para novas vozes e aproximar o movimento do poder público.
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Entre as vozes presentes na Casa, Punka destacou a força e os desafios do movimento na cidade. Criadora do coletivo Estação da Rima, primeiro coletivo de batalhas de rima do estado organizado 100% por mulheres, ela ressalta o papel educativo e político do Hip-Hop. “O Hip-Hop atua diretamente na formação de caráter e cidadania, influenciando na reivindicação de direitos, liberdade de expressão, desconstrução de padrões de ódio e fortalecimento da autoestima. O Hip-Hop salvou a minha vida”.
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Sobram desafios históricos e estruturais. A falta de reconhecimento institucional e de políticas públicas contínuas limita a expansão das iniciativas culturais nas periferias. Muitos coletivos seguem atuando de forma independente, sem apoio financeiro, respaldo jurídico ou espaços adequados para ensaios e apresentações.
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Vitória Prates e Punka, do coletivo Estação da Rima // Rafael Martins, educador coordenador do evento
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Há a necessidade de reconhecimento institucional. Para Rafael Martins, educador social em políticas de juventude e um dos coordenadores da conferência, o Hip-Hop precisa de representatividade. “O poder público precisa incluir, dentro da sua estrutura, pessoas com notoriedade e conhecimento técnico sobre o hip-hop. É essencial ter representantes do movimento atuando, fortalecendo e valorizando a relação com os conselhos”, defende o educador.
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Para Rafael o evento reforçou a relação entre Hip-Hop e indicadores sociais, mostrando como a cultura periférica, as questões étnico-raciais e a juventude se conectam à arte e à resistência. “O Hip-Hop está diretamente ligado a indicadores sociais. Ele fala de cultura periférica, de questões étnico-raciais, de juventude e cidadania. Essa conferência é uma ponte entre o movimento e o poder público, e busca abrir caminhos para a criação de políticas culturais na cidade”, completa.
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A 1ª edição da Conferência Municipal do Hip-Hop teve como objetivo promover o diálogo entre artistas, coletivos, sociedade civil e poder público. Ao longo do evento, foram discutidos temas como direitos humanos, formação política, cidadania, participação social, financiamento público e projetos culturais, além de propostas concretas como editais voltados a coletivos de periferia, oficinas de formação artística e debates sobre infraestrutura adequada para a prática desse estilo.
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A conferência, realizada entre os dias 16 e 19 de outubro, simbolizou um ato de ocupação e reconhecimento, reafirmando o Hip-Hop como ferramenta de resistência, educação e transformação social. Em Campinas, o movimento segue em expansão e em busca de mais espaços de diálogo, estrutura e representatividade.
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Entre rimas, debates e resistência, o Hip-Hop tomou a palavra para discutir direitos e fortalecer sua presença nas políticas culturais (Foto: Gabriela Moda)
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Orientação e edição: Adauto Molck
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