Destaque Saúde

Arteterapia estimula criatividade em sessões psicológicas

Abordagem terapêutica é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e oferecida pelo SUS 

>

Por Jessica Midori

>

O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou quase 14 milhões de atendimentos psicológicos no primeiro semestre de 2024, mantendo a média de consultas realizadas em 2023, que somaram 27,9 milhões, com terapias convencionais e alternativas. Esses tratamentos, segundo o Ministério da Saúde, são enquadrados como Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Segundo Luciana Oliveira, pós-graduada em arteterapia pelo Núcleo de Arte, Pesquisa e Educação (Instituto Nape), a abordagem terapêutica promove o desenvolvimento de habilidades com o estímulo à criatividade.  

O método visa facilitar a expressão dos sentimentos quando há dificuldade em verbalizá-los. “A arteterapia abre espaço para expressar o que não cabe na fala, tornando visível o invisível”, afirma Luciana. Segundo ela, enquanto terapias tradicionais, como psicanálise ou Gestalt, trabalham sobretudo com a palavra, a arteterapia permite que conteúdos internos encontrem um canal de expressão não verbal, simbólico e criativo, por abordar diferentes formas de expressão artística como escrita criativa, pintura, desenho, dança e colagem. Alguns resultados do tratamento, aponta, são melhora na expressão emocional, desenvolvimento do processamento de traumas e das habilidades de enfrentamento, e o aumento da autoestima.  

Segundo a especialista, o tratamento não se limita a trabalhar apenas sintomas ou diagnósticos, mas favorecer o desenvolvimento integral da pessoa, fortalecer aspectos sociais e emocionais. “Não trata apenas de diminuir sintomas, mas ampliar recursos internos para a pessoa se relacionar melhor consigo, com os outros e com o mundo”, conta.

>

Jovens poetas, guiados por psicóloga, unem suas produções a fim de inspirar vidas (Foto: Jéssica Midori)

>

A história de Leonardo Lauer é um exemplo de como a arteterapia pode se transformar. Em 2023 o jovem começou a consultar a psicóloga Maria José Andrade, na época, o adolescente que tinha 17 anos possuía dificuldade em verbalizar o que sentia. Em uma das consultas Leonardo comentou que gostava de escrever para externalizar suas dores, e a partir dessa informação o trabalho foi conduzir as sessões de terapia por meio da leitura das produções do paciente. “Eu vi a possibilidade de utilizar as poesias dele como um caminho para me aprofundar nos sentimentos, porque a escrita libera. Você coloca no papel o que não encontra palavras para falar”, a psicóloga relata.  

Quase um ano lendo as poesias e conversando com Leonardo sobre as histórias que inspiraram aquelas produções, Maria José sugeriu reunir as poesias em um livro e publicá-lo e surgiu o projeto Poesia em Livro, com a colaboração de outros nove poetas convidados e o lançamento de Me fiz poesia para não sumir. A obra reúne cerca de 90 poesias, de autoria de 10 artistas com idades entre 16 e 28 anos, que relatam experiências pessoais em contextos diversos, com um fator em comum. “Além de espalhar nossa arte e nossos nomes, nosso propósito é mostrar para jovens de diversas idades e diferentes histórias como nós, que eles também podem através da poesia mostrar o que sentem”, afirma Leonardo. 

>

>

Agora, a meta é levar os livros para a periferia, para fundações que atuam com crianças infratoras. Segundo Leonardo, “além de estimular a cultura é tentar, através da poesia, incentivar os jovens a escrever mais”. 

>

Edição: Murilo Sacardi
Orientação: Profa. Rose Bars

Você também pode gostar...