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Influenciadores digitais precisam se ver enquanto marca

Avalia Sílvia Perez, que estudou a autogestão da nova forma de trabalho na mídias sociais

Por: Rafael Pagliarini

A exposição na mídia que famosos influenciadores digitais alcançam fazem com que estes profissionais sejam tratados como mercadorias e produtos, sentindo a necessidade de que suas carreiras sejam analisadas e administradas como marcas e empresas, construídas por suas próprias identidades.

Sílvia Perez: “Você deve trabalhar o seu “eu”, para o tipo de exposição que você quer” (Imagem: YouTube)

É o que explica a pesquisa “Midiatização de si: a construção de identidades empresariais em canais do YouTube”, desenvolvida pela jornalista Sílvia Perez, em dissertação de mestrado sob orientação da professora Maria de Fátima Silva Amarante, no programa de pós-graduação em Linguagens, Mídia e Arte, da PUC-Campinas.

“A ideia de pesquisar o tema surgiu porque eu trabalhava em um departamento de marketing junto com mulheres mais novas e que consumiam bastante conteúdo de maquiagem no YouTube. Foi então que descobri os influenciadores digitais e o espaço que existia entre as gerações, o que me chamou atenção pela transformação digital que estava acontecendo ao meu redor”.

A dissertação de mestrado de Sílvia buscou compreender o fenômeno crescente da exposição de si mesmo na internet, e de que forma essa exposição individual e em escala global impulsiona os sujeitos para a própria gestão enquanto marca na mídia.

Com a evolução dos meios de comunicação e os efeitos da globalização, surgiram os influenciadores digitais, sujeitos que, por meio da produção de conteúdo em redes sociais e plataformas digitais, conquistam uma quantidade massiva de seguidores, chamando a atenção de anunciantes, patrocinadores e publicidade de toda natureza.

É o caso do youtuber e empresário Felipe Neto, dono de um dos maiores canais do YouTube no Brasil. Com mais de 40 milhões de seguidores na plataforma de vídeo, o influenciador produz conteúdos de entretenimento para o público jovem, e foi eleito pela revista americana Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo em 2020.

Entretanto, em um mercado com tanta concorrência e que recompensa apenas profissionais com as criações mais populares, o sucesso neste universo digital torna-se cada vez mais difícil, segundo aponta a pesquisa de Sílvia.

De acordo com a jornalista, a exposição que os influenciadores digitais recebem nas redes sociais e em canais do Youtube deve ser trabalhada e relacionada com estratégias empresariais, contribuindo para a gestão da imagem do sujeito. Esse cuidado evita crises e ajuda no crescimento da marca.

“Você deve trabalhar o seu ‘eu’ para o tipo de exposição que você quer: qual é seu público, o nicho e o que quer falar, um trabalho que precisa ser direcionado. No começo, pode até ser intuitivamente, mas depois com o crescimento do digital influencer, torna-se impossível não utilizar uma equipe profissional”, afirma Sílvia.

Para reter a atenção do público e promover mais engajamentos, Sílvia destaca a importância que a criação de narrativas midiáticas, seja em relação à construção do cenário ou estetização de padrões, é utilizada para os influenciadores digitais que desejam melhorar sua exposição na mídia. “É fundamental fazer um planejamento, estudar qual a melhor maneira de compor seu cenário. O influenciador que consegue deixar seu ambiente o mais próximo possível de quem está assistindo já está construindo uma narração midiática, trazendo um contexto para a mídia”, explicou a jornalista.

Abaixo, a íntegra da entrevista em vídeo:

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: João Vitor Bueno

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