Especialistas explicam sobre primeiros sintomas da doença; estilo de vida pode ser
uma das causas do aumento de incidência na população
Por Pedro Rosseti, Guilherme Faria e Sophia de Menezes
O mês de março é marcado pela campanha março Azul-Marinho, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, doença que afeta o intestino grosso e o reto e que está entre os tipos de câncer mais comuns no Brasil e no mundo. A iniciativa busca alertar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos de vida mais saudáveis.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país pode registrar mais de 53 mil novos casos de câncer de cólon e reto por ano entre 2026 e 2028. O número coloca a doença entre as três mais frequentes no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. A maior incidência se concentra nas regiões Sul e Sudeste, mas especialistas alertam que o crescimento dos casos tem sido observado em todo o país.
Além da alta incidência, outro ponto que tem chamado a atenção da comunidade médica é o aumento do número de diagnósticos ao longo dos últimos anos. Segundo especialistas, parte desse crescimento está relacionada a mudanças no estilo de vida da população.

Segundo o médico Oncologista David Pinheiro, o câncer colorretal é um tumor que se origina no intestino grosso ou no reto e tem se tornado cada vez mais frequente. “No Brasil são esperados mais de 53 mil novos casos para 2026. É um tumor muito comum tanto em homens quanto em mulheres”, explica.
Ele destaca que o aumento recente da incidência pode estar ligado principalmente ao estilo de vida moderno, marcado por sedentarismo, obesidade, pouca atividade física e mudanças na alimentação. Dietas com grande consumo de embutidos e carne vermelha e com pouca ingestão de fibras, frutas e verduras estão entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário.
Nos últimos anos, o INCA também têm observado um fenômeno que preocupa, que é o aumento de diagnósticos em pessoas mais jovens. Tradicionalmente associado a pacientes acima dos 50 anos, o câncer colorretal vem sendo identificado com mais frequência em adultos abaixo dessa faixa etária, o que tem levado especialistas a discutir novas estratégias de rastreamento e prevenção.
De acordo com o oncologista David Pinheiro, uma das principais explicações para esse aumento entre adultos jovens também está relacionada ao estilo de vida atual. “A rotina com menos atividade física e o sedentarismo favorecem o ganho de peso e a obesidade, que são fatores de risco importantes. Além disso, a alimentação atual, muitas vezes rica em embutidos, carne vermelha e pobre em fibras, frutas e verduras, também contribui para esse aumento de casos”, afirma.
Mesmo diante desse aumento, a informação e a conscientização continuam sendo ferramentas fundamentais no combate à doença. O câncer colorretal tem grande potencial de prevenção e, quando diagnosticado precocemente, apresenta maiores chances de tratamento bem-sucedido.
O especialista ressalta que o câncer colorretal já figura entre os tumores mais frequentes no país. “Ele é um dos cânceres mais comuns no Brasil, tanto em homens quanto em mulheres”, explica, reforçando que o número de novos casos chama a atenção das autoridades de saúde e reforça a importância de campanhas de conscientização como o março Azul-Marinho.
Especialistas destacam que parte significativa dos casos pode ser evitada com mudanças no estilo de vida. “Por volta de 30% dos casos a gente poderia prevenir”, explica o especialista. Entre as principais medidas estão manter uma alimentação equilibrada, com maior consumo de frutas, verduras e alimentos ricos em fibras, além de reduzir o consumo de alimentos processados e embutidos, como presunto e salame. A prática regular de atividade física e o controle do peso corporal também são medidas importantes para reduzir o risco.
Outro ponto essencial é estar atento aos sinais que o corpo pode apresentar. Em muitos casos, o câncer colorretal pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que reforça a importância do acompanhamento médico e da realização de exames preventivos.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, alteração no hábito intestinal, como episódios frequentes de diarreia ou constipação, dores abdominais persistentes, fraqueza excessiva, anemia e perda de peso sem causa aparente. “É importante lembrar que muitos desses sintomas também podem estar relacionados a doenças benignas, como hemorroidas. Mas não é normal ter sangramento nas fezes. Então a mensagem principal é se tiver qualquer um desses sintomas que durem mais de 7 a 14 dias, é necessária uma investigação”, orienta o especialista. Ele também alerta que os sintomas podem ocorrer tanto em adultos mais velhos quanto em pessoas jovens, e que ignorar esses sinais pode atrasar o diagnóstico.
Além das mudanças de hábitos, especialistas também destacam a importância dos exames de rastreamento. A colonoscopia é considerada o principal exame para detectar lesões no intestino e pode identificar pólipos, que são pequenas lesões benignas que, se não forem removidas, podem evoluir para câncer ao longo do tempo. Atualmente, entidades médicas recomendam que o rastreamento comece por volta dos 45 anos, justamente para ampliar a prevenção diante do aumento de casos em pessoas mais jovens.
Durante o março Azul-Marinho, profissionais de saúde reforçam que falar sobre o tema é fundamental para ampliar a conscientização e incentivar a população a procurar orientação médica. A prevenção, a adoção de hábitos saudáveis e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais estratégias para reduzir o impacto do câncer colorretal nos próximos anos.
Orientação: Profa. Ciça Toledo
Edição: Murilo Sacardi

