Cultura & Espetáculos Destaque Notícias

Desfiles valorizam inclusão e diversidade na PUC-Campinas

.

Por Julia Ferreira

.

A Terceira Mostra de Talentos da PUC-Campinas, realizada no dia 24 de outubro, teve sua programação integrada por dois desfiles organizados pelos alunos do curso de Design de Moda. Os desfiles destacaram a moda como espaço de inclusão, troca e representatividade, reunindo desde integrantes do grupo de idosos Vitalitá até mulheres de comunidades da região de Campinas.

.

Alunos do curso de design de moda, modelos da marca Suprema Noivas e a diretora do curso, Porfa. Dra. Roseana Sathler durante o encerramento do desfile que integrou a Mostra de Talentos da PUC-Campinas (Foto: Julia Ferreira)

.

.

O primeiro desfile, realizado às 10h, foi uma iniciativa conjunta do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (CEAAB) e do curso de Design de Moda, ambos da PUC-Campinas, em parceria com a Djumbo. A marca, fundada há 20 anos por Cristiane Dias Alves, nasceu com o propósito de incentivar homens e mulheres negros a investirem em seus sonhos e fortalecerem a própria identidade, unindo moda e representatividade em uma trajetória marcada pelo compartilhamento de saberes e pela valorização da autoria negra.

Edu Oliveira e Rosângela Rubbo compartilham os bastidores do desfile da Djumbo (Foto: Julia Ferreira)

.Na passarela, o casting reuniu pessoas de diferentes idades, corpos e experiências. Entre os participantes estavam integrantes do grupo Vitalitá (Centro de Envelhecimento e Longevidade da PUC-Campinas) e outros convidados, como Ednaldo Oliveira, 48. “Eu vivo todos os dias uma experiência diferente, por conta da deficiência visual. Tudo é um mundo novo. Foi meu primeiro desfile e a experiência foi sensacional”, conta.

.

Nilza de Souza Silveira, 65, também destacou a emoção da experiência. “Eu amei o convite. Foi maravilhoso desfilar, ainda mais nessa idade. A gente quer motivação para viver e para mim foi fabuloso”, exalta.

.

Aprendizado e propósito

.

A estudante Vitória Bandeira, 20 anos, uma das diretoras criativas do desfile, contou que a ideia surgiu após uma palestra da fundadora da Djumbo. “Foi muito emocionante, todo mundo chorou. No final, dissemos que queríamos muito fazer um desfile com ela. A marca pediu um casting bem diversificado e foi incrível ver isso ganhar vida. Queríamos mostrar que a moda não precisa ser um lugar fechado, pois é um espaço que todos podem ocupar”, explica Vitória.

.

Para a professora Roseana Sathler Portes Pereira, diretora do curso, a proposta vai além da estética. “Além de ser um projeto em que os alunos levam com seriedade, é também uma ação de extensão que promove o contato com a comunidade, desenvolve competências de afeto, empatia e colaboração. A principal mensagem é a pluralidade”, dastaca a diretora.

.

A diretora do curso de Design de Moda, Profa. Dra. Roseana Sathler, ao lado de modelos para o desfile da marca Suprema Noivas (Foto: Julia Ferreira)

.

Às 14h, o segundo desfile apresentou os vestidos da Suprema Noivas, marca que cedeu as peças para uma passarela voltada à delicadeza e à celebração. Entre as modelos, estavam alunas, convidadas dos estudantes, além de mulheres do bairro Campo Belo e de outras comunidades de Campinas, convidadas por meio de projetos de extensão da universidade.

.

Silene Souza posa durante o desfile da Suprema Noivas (Foto: Julia Ferreira)

Para Silene Souza, 52 anos, a participação significou visibilidade e pertencimento.“Participar do desfile representa um olhar para o Campo ‘mais’ Belo e para a inclusão da sociedade dentro da faculdade, principalmente das pessoas mais carentes”, considera.

.

Mais do que uma vitrine de criação, os desfiles da Mostra de Talentos apresentaram o poder da moda como linguagem que une gerações, identidades e territórios. Os estudantes e a comunidade transformaram a passarela em um espaço de aprendizado coletivo e celebração da diversidade.

Você também pode gostar...