Especialistas apontam que condições de estresse e o uso prolongado de corticoides podem desregular a glicemia
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Por Bárbara Dário
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O diabetes chegou em 91.320 casos em Campinas, de acordo com o relatório de 2024 divulgado pela Ministério da Saúde. A doença pode ser gerada, não apenas através da má alimentação, como também por fatores emocionais e medicamentos. De acordo com a psicóloga Haline Michelle Leite, em momentos de tensão, o corpo libera hormônios que aumentam a glicose no sangue. “O problema é quando o estresse se torna frequente, podendo levar o corpo à resistência à insulina, piorando o controle do diabetes e pode estar acompanhado de hábitos pouco saudáveis, como comer em excesso, fumar ou beber, o que agrava ainda mais o quadro”, afirmou a terapeuta.
Essa situação foi vivenciada por Marcos Rosa, de 55 anos, portador de diabetes tipo 2, que tem a doença há mais de 20 anos. “Devido a ansiedade e o estresse, comecei a sentir os primeiros sintomas de diabetes, como a boca seca e muita vontade de ir ao banheiro e minha visão ficou prejudicada”, disse. Pesquisas científicas indicam que o estresse e a ansiedade, ou uso contínuo de medicamentos como descongestionantes, diuréticos e betabloqueadores, que servem para controle da pressão alta, e anti-inflamatórios à base de corticoide podem resultar na doença.
O portador de diabetes tipo 1 Eduardo Sadakane, de 56 anos, também diz que contraiu a doença num momento estressante de sua vida, enquanto estudava, fazia estágio e trabalhava, acrescentando que os sintomas da doença ainda se intensificam em ocasiões de fortes emoções. “Quando eu estou estressado e ansioso, minha diabetes piora, eleva a taxa glicêmica, o que me deixa muito ativo, agitado e cansado”, diz o paciente.
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Segundo o clínico geral Gabriel Pelegrini, é importante e comum os médicos perguntarem aos pacientes se eles têm diabetes, ou predisposição à doença, ao receitarem remédios com corticoide, pois esse componente pode aumentar drasticamente a glicose em pouco tempo, principalmente em doses altas ou por uso contínuo. “Em pessoas que já têm diabetes, o corticoide pode levar a um descontrole rápido da doença. Já em quem tem predisposição, o uso prolongado pode desencadear o aparecimento do diabetes, em especial do tipo 2, quadro chamado de diabetes induzida por corticoide”, afirma o médico.
A pré-diabética Luciana Aranha, de 50 anos, descobriu há cerca de quatro meses que tem predisposição à doença e, desde então, informa sua condição aos médicos durante as consultas, além de evitar o uso frequente de medicamentos com corticoide, “Mas ainda não tinha sido informada sobre os riscos deste medicamento”, declara a entrevistada. Assim como ela, Eduardo e Marcos também relatam não terem sido alertados sobre os possíveis efeitos do corticoide, embora digam não se lembrar de terem recebido prescrições com esse componente após os primeiros sintomas de diabetes.
Durante o uso de anti-inflamatórios à base de corticoide, descongestionantes, diuréticos ou betabloqueadores é fundamental os diabéticos e pré-diabéticos, seja por histórico familiar, excesso de peso ou outros fatores de risco, redobrarem os cuidados. Os impulsos emocionais e o uso excessivo destes medicamentos podem elevar os níveis de glicemia, o que reforça a importância do acompanhamento médico constante.
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Edição: Murilo Sacardi
Orientação: Profa. Rose Bars

