Primeira produção cinematográfica campineira foi “João da Mata”, lançada em 1923
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Cartaz de 2 filmes icônicos para a cidade de Campinas e o prédio do Cine Ouro Verde (Fotos: Reproduções)
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Por Giovana Gazzetta e Letícia Bordinhon
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No dia 19 de junho no Brasil se celebra o Dia do Cinema Brasileiro. Uma data que convida à valorização das histórias, personagens e cidades que ajudaram a construir a arte nacional. Embora nem sempre lembrada, Campinas teve papel fundamental nos primeiros passos do cinema no país, especialmente a partir do início do século XX.
No interior paulista, a sétima arte já marcava presença na história desde a década de 1920, quando um ciclo cinematográfico local começou a se formar. O Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas apresenta a exposição “100 Anos de Cinema em Campinas”, que resgata os marcos dessa trajetória.
Para Mauro Guari, coordenador do museu, a história do cinema em Campinas é um patrimônio cultural que precisa ser preservado e reconhecido. Confira na entrevista abaixo.
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A primeira grande produção cinematográfica campineira foi “João da Mata”, lançada em 1923 e dirigida por Amilar Alves. A sessão de estreia aconteceu no tradicional Teatro Rink, e marcou o surgimento de um movimento artístico local que enxergava no cinema não apenas entretenimento, mas forma de arte e expressão cultural. Diego Ruiz, Diretor Criativo de Audiovisual, explica que a história explora a cultura caipira.
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O legado de Amilar Alves incentivou seu filho, Alfredo Roberto Alves, que, em 1952, lançou “Falsários”, considerado o primeiro filme falado produzido em Campinas. A média-metragem abordava temas urbanos e contemporâneos, evidenciando uma nova fase do cinema local, mais próxima da realidade da época.
Movido também pelo desejo de expandir o cinema da cidade para o cenário nacional, Alfredo fundou, em 1954, a Cine Produtora Campineira S/A. O maior projeto da produtora foi o longa “Fernão Dias”, gravado entre 1956 e 1957. Apesar da grandiosidade da proposta, as dificuldades financeiras e a falta de incentivo culminaram no encerramento da produtora em 1960. Diego revela a intenção por trás da criação da produtora.
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Cinemas de rua
A experiência de ir ao cinema era, para muitos, parte fundamental da vida social. Os primeiros cinemas de rua surgiram já no início do século XX em Campinas, concentrados na região central. Eram símbolos de modernidade e glamour, que formaram hábitos culturais e se tornaram pontos de encontro para diferentes gerações, especialmente aos finais de semana.
Sueli Carneiro, moradora de Nova Odessa, conta que costumava ir de trem até a metrópole para assistir aos filmes. A aposentada relembra com carinho as sessões no Cine Ouro Verde.
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Resgatar a trajetória do cinema é valorizar uma parte essencial da cultura cinematográfica brasileira. Campinas não apenas produziu filmes, ousou, inovou e inspirou. Com pioneirismo, deixou um legado que merece ser lembrado, estudado, celebrado e parte dessa processo está disponível nos Museu da Imagem e do Som.
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SERVIÇO
O que: “100 Anos de Cinema em Campinas”
Onde: Museu da Imagem e do Som
Endereço: Rua Regente Feijó, 859 – Centro, Campinas
Quando: Permanente
Entrada: Gratuita
Horário: de terça a sexta-feira, das 9h às 18h30, aos sábados, das 10h às 16h
Telefone: (19) 3733-8800
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Orientação e edição: Adauto Molck
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100 Anos de Cinema em Campinas é exposição permanente no MIS Campinas (Foto: Letícia Bordinhon)

