Práticas como Muay Thai e judô impactam a saúde mental, promovem autodefesa e fortalecem a representatividade feminina no esporte
c
Por: Gabriella Alves
c
As artes marciais têm se consolidado como práticas esportivas de grande impacto na saúde física e mental, especialmente entre as mulheres. Segundo um estudo publicado no Journal of Sports Sciences (2021), modalidades como judô e taekwondo auxiliam na redução do estresse, aumentam a autoestima e promovem o condicionamento físico. Além disso, essas práticas contribuem para o desenvolvimento de habilidades de autodefesa, conferindo maior segurança às praticantes.
A trajetória das artes marciais nos Jogos Olímpicos reflete o aumento da representatividade feminina no esporte. O judô foi a primeira modalidade a incluir mulheres, com estreia como esporte de demonstração em Seul (1988) e oficialização em Barcelona (1992). Desde então, atletas como Ryoko Tani, bicampeã olímpica pelo Japão, tornaram-se símbolos de excelência esportiva. O taekwondo, introduzido nos Jogos de Sydney (2000), já iniciou com igualdade de gênero, e o Brasil alcançou destaque em Pequim (2008), com Natália Falavigna, medalhista de bronze. O karatê, por sua vez, fez sua estreia olímpica em Tóquio (2020), com atletas como Sandra Sánchez, da Espanha, elevando a visibilidade do esporte.

No Brasil, as artes marciais também desempenham um papel social importante. Projetos como a Oficina da Villa, localizada em Campinas, oferecem aulas gratuitas de judô para crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. As atividades acontecem no ginásio do Instituto Padre Haroldo e incluem fornecimento de quimonos, faixas e lanches para os participantes. Iniciativas como essa promovem inclusão social e integração comunitária por meio do esporte, contribuindo para o desenvolvimento pessoal dos jovens atendidos.
As artes marciais continuam a ocupar um espaço relevante no esporte e na sociedade, impactando vidas por meio de seus valores centrais, como disciplina, respeito e autossuperação.
As artes marciais vêm ganhando espaço entre as mulheres, não apenas como prática esportiva, mas como uma ferramenta essencial para saúde física, mental e autodefesa. Especialistas, professores e praticantes destacam como modalidades como o Muay Thai e o judô contribuem para o bem-estar e a qualidade de vida.
Lívia Cristina, psicóloga, explica que a atividade física está diretamente ligada à produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para a regulação do humor, do sono e da memória.
c
Nas academias, a presença feminina no tatame é cada vez maior. Guilherme Mandetta, instrutor de Muay Thai há 14 anos, observa essa transformação: “As mulheres estão dominando o tatame. Muitas chegam em busca de estética, mas acabam aprendendo autodefesa, o que é de extrema importância no mundo de hoje”. Ele também ressalta outros benefícios do esporte, como a construção da autoconfiança e o fortalecimento de laços sociais dentro do ambiente de treino.

Entre as praticantes, Júlia Maria, 19 anos, estudante de Engenharia Química, que iniciou no Muay Thai há quatro meses, acredita que a prática vai além do condicionamento físico. “A luta ensina disciplina e autodefesa. Durante as aulas, aprendemos técnicas importantes, como como reagir se alguém puxar seu cabelo por trás. É essencial que todas as mulheres tenham alguma noção básica de defesa pessoal”, relata.
Esse impacto não se limita às jovens. Verônica Souza, que começou a treinar aos 39 anos, se tornou atleta profissional e professora de Muay Thai em apenas um ano. “Independente da idade, as artes marciais devem ser incentivadas para as mulheres. Elas transformam vidas, trazendo saúde, confiança e força”, pontua.
Para muitas mulheres, a decisão de praticar esportes de luta está associada ao aumento de segurança em um mundo que se mostra cada vez mais perigoso. Guilherme destaca a importância de uma abordagem que vai além da técnica: “Na nossa academia, promovemos saúde, confiança e união. As alunas percebem que não estão ali só para perder calorias, mas para cuidar do corpo, da mente e da própria segurança”.
Combinando força, disciplina e resiliência, as artes marciais se consolidam como uma aliada poderosa para mulheres que buscam bem-estar físico, equilíbrio mental e a confiança necessária para enfrentar os desafios do dia a dia.
c
Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana

