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RESENHA – Obra da escritora Hilda Hilst é intensa, provocadora, e desafia o leitor com erotismo, fé e solidão
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Publicado em 1982, A Obscena Senhora D é um dos livros mais conhecidos de Hilda Hilst e integra a chamada Trilogia Obscena. A obra apresenta Hillé, viúva que, após a morte do marido Ehud, se isola em um ‘cubo’ e passa a expressar reflexões em um monólogo intenso, fragmentado e provocador.
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O romance rompe com a narrativa linear, adotando um fluxo de consciência em que a protagonista dialoga com o morto, com Deus, consigo mesma e com o leitor. Entre os principais temas estão a solidão, o luto, a sexualidade, a fé e os limites da linguagem. A obscenidade é utilizada como recurso literário para dar voz ao corpo e ao desejo feminino, questionando tabus e fronteiras sociais.
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O estilo diferenciado, marcado por repetições, rupturas e imagens fortes, pode causar estranhamento, mas é justamente o que garante a força poética e filosófica do texto. Hilst une erotismo, espiritualidade e crítica social em uma obra que provoca e exige participação ativa do leitor.
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A Obscena Senhora D é uma leitura desafiadora, mas fundamental para compreender a originalidade da autora. O livro amplia os horizontes da literatura brasileira ao tratar de forma ousada, da condição humana, da morte e da busca por sentido.
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Por outro lado, é importante ressaltar que se trata de uma obra intensa e desconfortável, que pode chocar pela forma direta com que aborda o corpo, a morte e o erótico. Para leitores mais sensíveis ou que busquem narrativas leves, talvez não seja a melhor escolha. Entretanto, para aqueles dispostos a enfrentar o impacto da linguagem e a densidade dos temas, a experiência literária oferecida por Hilda Hilst é única e transformadora.
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FICHA TÉCNICA
Título original: A Obscena Senhora D
Autora: Hilda Hilst
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 80
Lançamento: 2020
Capa: Elisa von Randow
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Orientação e edição: Adauto Molck
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