Animais silvestres buscam abrigo e alimento em Campinas diante da perda de habitat natural
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Por Malu Machado
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Dia 03 de setembro é celebrado o Dia do Biólogo no Brasil, com o intuito de ressaltar a importância dessa profissão na preservação das espécies e na luta contra as mudanças climáticas. Por conta das alterações no clima e perda de habitat natural, muitos animais têm recorrido aos centros urbanos para conseguir alimento, se reproduzir e garantir a sobrevivência de seus semelhantes, o que pode indicar um desequilíbrio ambiental. O que torna necessário promover uma rede de apoio entre profissionais para mitigar impactos e incentivar a conservação da biodiversidade.
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Segundo o biólogo, Thomaz Henrique Barrela, a expansão das cidades e falta de conexões entre vias rurais inviabiliza a migração de onças parda, e outros animais silvestres em busca de território, desencadeando um deslocamento para áreas urbanas. Por isso, é necessário estabelecer áreas de conservação de fauna e flora para minimizar os impactos da devastação ambiental e facilitar a travessia desses animais.
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“Elas [as onças] não vão estabelecer um território, residir naquela área. Elas estão simplesmente em trânsito, tentando chegar a uma área natural. Só que como a conexão entre essas áreas está ocupada pelo ser humano, elas têm que passar por esses trechos”, explica o biólogo Thomaz Barrela.
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O ambientalista da Fundação José Pedro de Oliveira conta que a população de onças pardas que vive dentro da Mata de Santa Genebra é observada por armadilhas fotográficas e não sofre interferência do ser humano para caçar ou se reproduzir, visto que há uma preferência em circular na área fechada da floresta.
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De acordo com Barrela, há uma única fêmea residente na região. Os machos que circulam na área estão à procura de um par e, após o acasalamento, seguem para outras áreas. Enquanto isso, a fêmea permanece e cria os filhotes até que atinjam a maturidade e se desloquem para outras regiões.
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A docente de biologia da Unicamp, Eleonore Setz, estuda o comportamento de mamíferos e carnívoros da região de Campinas e afirma que os hábitos de caça desses animais têm se modificado para acompanhar a disponibilidade de alimento nos centros urbanos, o que pode afetar a taxa de reprodução da espécie. Além disso, foi registrado um aumento no consumo de roedores e outros animais pequenos e menos nutritivos, o que resulta em maior perda de energia.
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A bióloga ressalta que o ser humano não faz parte da cadeia alimentar do felino, mas deve tomar precauções ao interagir com o animal e evitar ataques. Segundo Eleonore, não é recomendado alimentar animais silvestres, já que essa prática pode afetar os hábitos de caça e reprodução da espécie. “Normalmente, o ritmo de reprodução dos animais segue um pouco essa questão da comida […] Então, se você dá comida na estação seca, você está fazendo com que ele aumente o seu teor de gordura, e ele pode começar a se reproduzir antes”, esclarece a Profa. Dra. Eleonore Setz.
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Além das onças pardas, outros mamíferos têm convivido com o ser humano nos centros urbanos, como: macacos e gambás. Esses grupos também estão suscetíveis a doenças e podem transmitir zoonoses caso as recomendações de saúde não sejam seguidas.
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Apesar de serem frequentemente encontrados em áreas urbanas, é necessário evitar interações e tomar precauções para não facilitar a instalação dos animais dentro de residências, como ocorre em forros, porões, lareiras etc.
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Como destaca Thomaz, mesmo frutas podem ser inadequadas para o organismo de macacos e outros mamíferos pequenos, por isso, o compartilhamento de alimento pode ser nocivo aos animais, além de reforçar a busca de alimento dentro de áreas urbanas e agravar a proliferação de doenças – como o vírus do herpes, que pode ser transmitido dos seres humanos para outros animais.
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RECOMENDAÇÕES
De acordo com Barrela, é comum receber ligações relatando a presença de animais silvestres em áreas urbanas ou pedindo instruções sobre como agir ao encontrar espécies próximas às residências. Barrela recomenda não mexer e nem cutucar os animais, principalmente quando estão em repouso ou não representam riscos a seres humanos e animais domésticos.
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Os resgates devem ocorrer em situações que apresentem risco de acidente ou estresse no animal. Em casos de contato com espécies que não representam risco à população, a orientação é monitorar o comportamento e não fornecer alimento. Caso haja alguma atitude estranha ou incomum, a recomendação é entrar em contato com a Polícia Ambiental ou instituições que resgatam animais.
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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
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