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Repórter da Globo relata sua paixão pela palavra escrita

Plácido Berci, ex-aluno de jornalismo da PUC-Campinas compartilhou suas experiências vividas nas redações e ao redor do mundo

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Por Danilo Real e Maria Fernanda Esmeriz

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“O meu Trabalho de Conclusão de Curso solidificou minha vontade de trabalhar com jornalismo esportivo” disse o jornalista do Grupo Globo, Plácido Berci. Ele conversou sobre suas experiências e como suas vivências jornalísticas moldaram seu caráter profissional. Seu documentário “Pacaembu – O gigante sem dono” foi parte fundamental para ele seguir no mundo do esporte. O jornalista que é egresso da universidade em 2012 e hoje repórter e apresentador da TV Globo e SporTV, trouxe exemplos de sua trajetória para mostrar como esses elementos são fundamentais no exercício do jornalismo.

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O sonho, contou ele, começou ainda na infância, inspirado pelo personagem de história em quadrinho Tintim, um repórter que viajava o mundo desvendando mistérios. “Minha primeira ideia do que era ser jornalista era muito idealizada: alguém que vivia uma vida legal, que viajava e conhecia o mundo”. Essa motivação, somada a referências televisivas que admirava, como Marcelo Barreto e Décio Lopes, foi o impulso inicial para sua escolha profissional.

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Mas o sonho, sozinho, não basta. Para transformá-lo em realidade, é preciso persistência. Berci lembrou que, antes de alcançar o jornalismo esportivo, passou por áreas como jornalismo policial, onde seu trabalho era “ligar, ligar e ligar” atrás de ocorrências. Ainda na graduação, usou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) como oportunidade de se aproximar do universo esportivo, produzindo o documentário “Pacaembu: gigante sem dono”, que reuniu depoimentos de personalidades como Pelé e Neymar.

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Ele contou que o documentário pautou discussões públicas quanto ao futuro do estádio, o que o motivou na profissão: “Foi uma experiência enriquecedora. Quando a gente se formou, em 2013, o Museu do Futebol fez um debate oficial no Pacaembu para debater o que seria dele, que estava para se tornar um ‘elefante branco’. Esse resultado me deu a sensação de que as coisas eram possíveis de serem feitas”.

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A trajetória internacional foi outro exemplo de perseverança. Com seu intercâmbio na Inglaterra, percebeu que já acumulava material suficiente para a publicação do que veio a ser seu primeiro livro: Paixão – uma viagem pelo futebol inglês (2015). Depois, como primeiro correspondente de esportes no Quênia, descobriu que o jornalismo esportivo era também um caminho para falar sobre cultura, sociedade e política. “Eu percebi que cobrir esporte é uma grande desculpa para falar de outras coisas”, destacou Berci.

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Nessa caminhada, a criatividade foi essencial para reinventar-se diante de cada obstáculo. Do registro de grandes eventos, como o julgamento do paratleta Oscar Pistorius na África do Sul, a reportagens sobre turismo, pandemia e até bastidores da música pop, Berci reforçou que o jornalista precisa experimentar de tudo, diferentes linguagens e narrativas, cuidando para não perder a sua essência.

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Plácido e os alunos da PUC-Campinas durante a Jornada de Jornalismo (Fotos: Danilo Real)

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A aluna Pamela Sousa, que esteve no encontro com o jornalista neste dia 22/09 na PUC-Campinas, disse que a presença de Plácido se somou com suas experiências acadêmicas. “É uma inspiração para ir atrás de sonhos e achar o meu lugar no jornalismo. Minha área é corporativa e cultural, mas mostrar o mundo do jornalismo esportivo para mim também é muito interessante. Ter uma conversa com alguém que já concluiu o curso me dá uma motivação e, ao mesmo tempo, uma ansiedade positiva”,

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A aluna Rallyane Fadel, que é aluna do 1º semestre do curso, contou como foi participar desse, que foi uma dos primeiros encontros do curso desde que chegou à universidade. “Achei bem interessante e já o conhecia, então o que me deu mais motivação foi ele ter trabalhado para o Jornal Nacional, um dos meus focos desde sempre. Me fez pensar que é possível chegar aonde eu quero”.

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Apesar de estar inserido de corpo e alma no mundo esportivo, Plácido destacou que nenhuma de suas reportagens de maior relevância (em âmbito nacional) tiveram algo relacionado com competição esportiva. Ele citou o julgamento do atleta paralímpico Oscar Pistorius, a cobertura da tragédia no Ninho do Urubu ou uma matéria no Jornal Nacional sobre a morte de Pelé. Os personagens faziam parte do mundo do esporte mas os assuntos foram muito mais graves e distintos.

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O professor Artur Vasconcellos Araújo, da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, falou um pouco sobre como é receber um ex-aluno na universidade que agora é um profissional renomado. “É um grande prazer ter um ex-aluno mostrando que a sua vivência o ajudou a se desenvolver e a mostrar todo o seu potencial. Essas experiências que ele compartilhou conosco, emociona. Eu entendo que ele é um estímulo e que os caminhos estão aí e que essas experiências são muito enriquecedoras, tanto em sala de aula, nas atividades práticas, como para abrir os olhos para as coisas que podem fazer no futuro.”

Plácido falou sobre a importância de mostrar sua carreira para alunos de diversos semestres da faculdade, ouça:

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Jornada do Jornalismo
A Jornada do Jornalismo é um evento realizado pela Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas que estimula os alunos da graduação a conhecerem experiências que cercam o mercado de trabalho por meio do relato de profissionais que possuem papel de destaque na área.

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Orientação e edição: Adauto Molck

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Leia também: ‘Fazer jornalismo exige responsabilidade e coragem’

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