Destaque Eventos Saúde

Oficinas Vitalità aproximam a universidade da comunidade

Projeto da PUC-Campinas promove atividades que unem saúde e cuidado do idoso

.

Texto e imagens: Bárbara Marçal

.

O bairro Campo Belo, localizado na periferia de Campinas, foi o cenário escolhido para receber uma ação que uniu conhecimentos  acadêmicos e experiências comunitárias em um único propósito, de promover saúde, cidadania e afetividade. A Mostra de Talentos Humanos , promovida pela PUC-Campinas, levou oficinas e atividades organizadas pelo Vitalità (Centro de Envelhecimento e Longevidade da universidade ) e cursos da universidade, que contaram com a participação de estudantes, professores e moradores da região.

.

As oficinas abordaram o bem-estar, com atenção a saúde física e mental como a Movimente-se

.

As oficinas abordaram o bem-estar, com atenção a saúde física e mental. Movimente-se, por exemplo, o foco foi o corpo em movimento com exercícios adaptados para idosos. Já a oficina de Kokedama propôs o contato direto com a natureza, unindo plantio e cuidado.

Maria de Fátima, de 84 anos, moradora do Campo Belo, participou da atividade física e saiu encantada. “A gente acha que por estar mais velha tem que ficar parada, mas não é assim não. Eu senti meu corpo mais leve depois da atividade,  alonguei tudo, mexendo as pernas e os braços. Me senti ativa de novo”, contou ela  com brilho nos olhos. Para ela, a ação ajudou a combater o sentimento de solidão,  que acompanha muitos idosos: “Às vezes a gente acha que estão esquecendo da gente. Mas ali foi diferente, fomos tratados com atenção e carinho.”

A estudante Yasmin Gabrielly Augusto Ribeiro, de Terapia Ocupacional, ressaltou que a presença do Vitalità no Campo Belo representa a quebra de barreiras geográficas e simbólicas. “A gente trouxe um pouco das oficinas que aplicamos nos campus I e II, como a Kokedama, o Encontrarte em uma roda de conversa sobre envelhecimento saudável. É essencial falar sobre isso com todas as faixas etárias, sem tabu, porque estamos todos envelhecendo”. Ela também comentou sobre a importância de sair da bolha universitária. “Faz bem ver a teoria na prática, entender que estamos lidando com pessoas com alma, com histórias. Isso nos transforma como profissionais e como seres humanos”, afirmou.

.

Yasmin Gabrielly Augusto Ribeiro \\ Franciely Prado \\ Bibliotecária Jerusa Neves

.

Cleide Martins, moradora da região, participou da oficina de Kokedama e também ficou emocionada. “Nunca tinha ouvido falar disso, mas adorei porque  sempre gostei de mexer com planta, plantar coisas, sabe?  Sentir a terra nas mãos, fazer aquele arranjo, foi muito gostoso”.

Foi com escuta, empatia e protagonismo feminino que a bibliotecária Jerusa Neves, que representou o Sistema de Bibliotecas e Informação da universidade (SBI), reforçou que a mostra teve também uma dimensão social profunda. “O Campo Belo é um território marcado por altos índices de feminicídio e infanticídio, nosso objetivo foi chamar a atenção do poder público e mostrar que a PUC está presente com seu papel social”. A vivência reforça o compromisso social e mostra o potencial transformador do trabalho em conjunto. ”É o que diz nosso slogan para o Campo Belo, “Rumo a um Campo cada vez mais Belo”, destacou Jerusa.

Algumas oficinas como Caixa de Conexões Humanas, onde mensagens de afeto e escuta foram trocadas entre os participantes; A Praça é Nossa, com contação de histórias e  a Geloteca, onde foram disponibilizados livros e revistas numa geladeira (sem funcionamento) na praça em frente a Paróquia do bairro, também reforçaram a atuação para transformação social, cultural e inclusão.

A Mostra de Talentos Humanos foi a conexão para com o próximo, foi a chance de sair da teoria e mergulhar na realidade de quem mais precisa. Para a comunidade, uma oportunidade de ocupar um espaço que também é seu. Franciely Prado, estudante de fisioterapia destacou a riqueza da troca com a comunidade. “Foi uma experiência incrível! Pude aprender muito mais com eles do que eles comigo. É lindo aplicar na prática o cuidado com o próximo que a gente prega durante nossa formação”, contou.

.

Orientação e edição: Adauto Molck

.

A oficina de ‘Kokedama’ propôs o contato direto com a natureza, unindo plantio e cuidado

Você também pode gostar...