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RMC fecha primeiro semestre do ano com saldo positivo na geração de empregos, mas contratação de idosos cai

Por Bianca Campos Bernardes

Grupo foi o que mais procurou vagas em 2023, mas oportunidades para a terceira-idade diminuem 

Apesar do aumento do interesse, idosos têm enfrentado dificuldade para conseguir oportunidades de trabalho. (Foto :Freepick)

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) fechou o segundo trimestre de 2024 com saldo positivo na geração de empregos, com 4.887 contratos assinados no período, mas teve uma taxa maior de desligamentos ante a contratações de idosos de acordo com dados do Observatório PUC-Campinas, com base em números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. Entretanto, engana-se quem pensa que foi por falta de interesse: de acordo com dados do Cpat (Centro Público de Apoio ao Trabalhador) de Campinas, os idosos foram o grupo populacional que mais procurou emprego no ano passado, totalizando uma alta de 35,82%.

A gerontóloga Bruna Rodrigues explica que o trabalho na terceira-idade possui benefícios, como a manutenção das funções cerebrais, mas ressalta a importância do cuidado redobrado com sobrecarga física e mental. (Foto: arquivo pessoal)

 A professora e pesquisadora do Observatório PUC-Campinas, Eliane Navarro Rosandiski, explica que esse descompasso entre a oferta e a procura de oportunidades está relacionado principalmente a um processo de precarização do trabalho. “Nas áreas de serviços, tem ocorrido um desligamento maior de pessoas acima de 50 anos no mercado de trabalho formal tanto pela redução de custos, quanto pelo preconceito motivado pela crença de que o trabalhador jovem tem uma dinâmica melhor no trabalho e assimila mais fácil as novas tecnologias”. A especialista ainda pontua que a média salarial dos jovens recém-contratados gira em torno de R$1.800, enquanto a da população com mais de 50 anos vai de R$ 2.800 a R$3.300. 

Com relação ao aumento da procura por oportunidades pela terceira-idade, a gerontóloga e mestre em saúde, Bruna Rodrigues, explica que ele está relacionado com uma série de fatores. “A permanência no mercado de trabalho pode ser explicada por diversas perspectivas da gerontologia, que vão desde a necessidade financeira, quando a aposentadoria não é suficiente para manter o padrão de vida desejado, as reformas previdenciárias, que devido ao aumento da longevidade têm aumentado as idades mínimas de aposentadoria, até mesmo a satisfação pessoal. O trabalho também oferece um sentido de propósito, identidade e engajamento social, fatores fundamentais para o bem-estar psicológico dos idosos. Por isso, muitos permanecem no mercado de trabalho porque apreciam a interação social e a sensação de serem produtivos”, pontua.

Eliane Navarro explica que os setores da indústria de transformação, comércio, e serviços de média complexidade são os principais responsáveis pelo desligamento de idosos na região. (Foto: PUC-Campinas)

Para contornar a situação, o fundador e CEO da Labora, a primeira plataforma de tecnologia para inclusão produtiva e trabalho flex do Brasil, Sérgio Serapião, pontua sobre a importância do networking e da constante atualização das transformações do mercado. “Primeiramente, é importante construir redes de relacionamento profissionais, porque não tem preconceito que sustente quando você conhece uma pessoa específica e a recomenda. Segundo, é fundamental estar atento às necessidades de se transformar e se reinventar para se adaptar às mudanças do mercado, se mantendo atualizado por toda a vida e, quem sabe, se engajando em uma nova profissão”.

A Labora oferece cursos gratuitos de capacitação para idosos, voltados às novas necessidades do mercado. Para ter acesso aos cursos e às oportunidades de trabalho, os interessados devem se inscrever na comunidade Labora pelo site.

Orientação: Profa Karla Ehrenberg

Edição: Melyssa Kell

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