Projeto da Adecamp oferece treinos semanais e já revelou nomes para a Seleção Brasileira
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Parte da equipe de handebol na quadra da PUC-Campinas e a treinadora (Foto Eduardo Maschio)
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Texto e Imagem: Eduardo Maschio e Rafael Correa
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Um time de handebol em cadeira de rodas, formado por nove atletas com deficiência física, treina todas as terças e quintas-feiras na quadra da PUC-Campinas. A atividade é promovida pela Adeacamp (Associação de Esportes Adaptados de Campinas), que organiza e acompanha os treinos por meio de uma equipe técnica especializada. O objetivo é fomentar o esporte paralímpico na região, oferecer oportunidades de competição e contribuir para a inclusão social de pessoas com deficiência.
Criado a partir da demanda de atletas interessados em modalidades adaptadas, o time conta com o apoio de treinadores e voluntários, com foco na prática do handebol paralímpico — uma das variações mais dinâmicas dentro do paradesporto. Os treinos ocorrem às terças-feiras e incluem aquecimento, exercícios táticos e simulações de jogo, com uso de cadeiras de rodas esportivas adaptadas.
A treinadora Julia Szilagyi Marinho, responsável pelo time, explica que o projeto vai além da formação esportiva: “Já tivemos atletas convocados para a Seleção Brasileira, mas o mais importante é oferecer um espaço onde eles possam se desenvolver, competir e se reconhecer como atletas”. Segundo diz no vídeo abaixo, o impacto vai além da quadra: “Trabalhamos autoestima, integração e autonomia.”
Além do handebol, a Adeacamp desenvolve outras atividades esportivas, como bocha paralímpica e rúgbi em cadeira de rodas. Fundada em 2001, a associação tem atuação consolidada no interior de São Paulo e participa regularmente de competições estaduais, regionais e nacionais. Para o segundo semestre de 2024, estão previstos amistosos e a participação no Campeonato Brasileiro de handebol adaptado.
A prática esportiva, nesse contexto, funciona como ponto de recomeço. Os atletas chegam ao projeto após passarem por acidentes ou situações que levaram à deficiência física. “O esporte muda a forma como nos vemos. A gente passa a se reconhecer pelo que consegue fazer”, conta Pedro Nogueira Filho.
A quadra da PUC, onde o time treina, se tornou um ponto de encontro onde o jogo começa muito antes do apito inicial. É ali que se formam vínculos, estratégias e histórias. E é também ali que o esporte paralímpico segue ganhando força, um treino por vez.
Segundo dados do IBGE, mais de 18 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência física. Apesar de avanços legais e institucionais, o acesso ao esporte adaptado ainda enfrenta barreiras, seja por falta de estrutura, transporte ou apoio institucional. Iniciativas como a da Adeacamp mostram que, com organização e vontade, é possível criar espaços de acolhimento, desenvolvimento e transformação.
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Confira entrevista com Pedro Nogueira Filho:
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Orientação e edição: Adauto Molck

