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Março Azul visa a detecção precoce do câncer de intestino

Tumor colorretal ocupa 3ª posição de tipos de câncer mais frequentes no país em 2023

Por: Marcela Peixoto

De acordo com a estimativa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve esperar 704 mil novos casos de câncer no país entre os anos de 2023 e 2025. No mesmo levantamento, o Instituto afirma que os três tipos de câncer mais frequentes na população brasileira são o câncer de mama, de próstata e de cólon e reto, conhecido também como colorretal. Como forma de evidenciar esse problema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu o dia de hoje, 27 de março, para representar o Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal.

Durante todo esse mês de março, acontece a campanha nacional Março Azul. O movimento tem como principal objetivo conscientizar a população sobre os principais sintomas, formas de diagnósticos e tratamentos para o câncer colorretal. A médica coloproctologista e representante da campanha Março Azul, Maria Cristina Sartor, afirma que “se conhecemos o problema, reconhecemos os sintomas, sabemos onde e quando procurar ajuda e certamente teremos mais sucesso nessa luta.”

Dentro dos três anos estudados pelo INCA, o Brasil contará com 45.630 mil novos casos de câncer colorretal. Este número representa aproximadamente 4,6% de todos os pacientes diagnosticados com alguma variante da doença. O câncer colorretal atinge de forma igual homens e mulheres, e os sintomas começam a aparecer apenas quando a doença já está em estágios mais avançados. De acordo com o cirurgião oncologista Silvio Melo Torres, os principais sintomas que a população deve se atentar são o sangramento nas fezes, anemia, fraqueza e perda de peso não intencional.

Beatriz Suzuki criou o grupo de apoio Papo Reto, para pacientes oncológicos e seus familiares. (Imagem: Marcela Peixoto)

A chef de cozinha e criadora de conteúdo, Beatriz Suzuki, teve os primeiros sintomas da doença aos 22 anos. Mas por falta de informação e medo de realizar os procedimentos necessários, recebeu o seu diagnóstico apenas 3 anos depois, quando precisou realizar a retirada do tumor em uma cirurgia pelo SUS. Além desse procedimento, Beatriz enfrentou mais duas cirurgias de emergência: para corrigir o rompimento do intestino, e depois uma torção do seu intestino delgado.

Hoje, com 31 anos e após completar cinco anos de remissão do câncer colorretal, a chef acredita que o diagnóstico precoce da sua doença seria fundamental para que ela não enfrentasse tantas complicações cirurgias. “Estamos vendo que são casos que acontecem em pessoas cada vez mais jovens. Então precisamos primeiro conscientizar sobre os cuidados primários: os hábitos saudáveis, a prática de atividades físicas e alimentação saudável. Mas também conscientizar sobre a importância de manter os exames em dia”, afirma.

“O diagnóstico do câncer não é mais uma sentença de morte”, aponta o doutor Silvio Melo. (Imagem: Arquivo pessoal)

Além das formas de prevenção primária, o Dr. Silvio Melo também pontua a importância dos exames médicos para o diagnóstico precoce da doença. De acordo com o médico, as formas de detecção são os exames de sangue, exames de imagem e, principalmente, a colonoscopia. O exame, que consiste na avaliação interna do intestino grosso com uma câmera inserida pelo reto, é a principal forma de detecção do câncer colorretal. O doutor afirma que o exame deve ser realizado a partir dos 45 anos de idade, a cada 10 anos. Para pacientes com histórico familiar, a primeira colonoscopia deve ser realizada 10 anos antes da idade em que o parente teve o diagnóstico.

Para realizar uma campanha de âmbito nacional, como o Março Azul, a representante Maria Cristina afirma que um dos principais desafios está na tentativa de alcançar toda a população. Para conscientizar sobre os fatores de risco e as formas de prevenção, a doutora vê os meios de comunicação como instrumento fundamental para divulgar informações corretas e precisas sobre o câncer colorretal. Além deste, Maria Cristina também aponta a participação dos órgãos governamentais nesta etapa. A médica acredita que essa pauta deve ser incluída como programa no ministério da saúde, para garantir assim que a informação atinja o maior número de brasileiros possível.

Prefeito da cidade, Dário Saadi, visita o Centro Oncológico de Campinas durante o Março Azul. (Imagem: Marcela Peixoto)

Em Campinas, alguns centros e clínicas médicas aproveitam o mês de março para realizar palestras abertas ao público com informações relevantes sobre o câncer colorretal. O Centro Oncológico de Campinas (COC) preparou exposições dentro do próprio centro para os pacientes e acompanhantes, mas também contou com ações externas na praça do coco, feira hippie, no parque do taquaral e na Pastoral Monsenhor Fernando Godoy Moreira. Durante esse mês, o COC realizou também o Corujão da Colonoscopia: uma iniciativa que ofereceu o procedimento em alguns pacientes da cidade de forma gratuita. No total, 50 pacientes realizaram o exame ao longo do mês.

“Para os que rodeiam um diagnosticado: tenham empatia, estamos travando uma batalha difícil”, diz Poliana. (Imagem: Arquivo pessoal)

Para a gerente de negócios, Poliana Leite, o diagnóstico do câncer aconteceu em 2022, apenas dois meses após o nascimento do seu primeiro filho. A paciente relata que o apoio dos familiares foi fundamental para enfrentar esse momento delicado da sua trajetória. Hoje, Poliana está trabalhando no seu livro com o título “Mais forte que o câncer”, e a influenciadora compartilha sua história nas redes sociais como forma de inspirar e ajudar outros pacientes oncológicos. “O câncer não é bonito, bonito é o que ele nos ensina”.

Orientação: Prof. Gilberto Roldão

Edição: Giovanna Sottero


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