Para infectologista André Giglio, do Hospital Celso Pierro, drama decorre também de problemas de gestão
Por: Fernanda Alves e Guilherme Volpon

Todo ano, as baixas temperaturas desta época provocam sistematicamente inúmeros registros de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) principalmente em crianças. O caso refere-se a um quadro clinico que é marcado basicamente por falta de ar e dificuldade de respirar.
Nesse contexto, um problema que vem acompanhado dessa síndrome é a possibilidade de superlotação dos leitos pediátricos de UTIs (Unidade de Terapia Intensiva). Campinas chegou a registrar esse ano 46 dias com fila de espera para atendimento de crianças, de 7 de abril a 23 de maio. A situação atualmente está sob controle, segundo autoridades sanitárias do município.
Segundo o médico infectologista do Hospital Celso Pierro, André Giglio, as superlotações estão relacionadas ao fato de estarmos vivendo uma epidemia de vírus respiratórios e em uma época do ano em que circulam outros vírus também, como o vírus da Bronquiolite Viral e o próprio vírus Influenza, que acaba aumentando o número de internações de crianças.
O médico ainda afirma que “é uma questão de gestão. Eventualmente, a solução seria já aumentar leitos nessa época do ano para dar conta da demanda que normalmente aumenta”. Para poder tentar amenizar a quantidade de casos, o infectologista alerta os cuidados para evitar a síndrome. “Falando por exemplo, da principal causa viral hoje em dia, que é a Covid-19, precisamos evitar a transmissão do vírus, por meio de máscaras, evitando lugares fechados e pela vacinação. Esse raciocínio vale também para o vírus Influenza. Mas para as infecções bacterianas a gente não tem um método único para fazer a prevenção. Existem vacinas para alguns tipos de bactéria, por exemplo, para a chamada Pneumococo, que é a principal causa de Pneumonia Bacteriana e já está no cronograma vacinal de crianças e adultos. O modo de evitar a SRAG é primeiro evitando o contato com possíveis agentes causadores dessa síndrome e quando houver vacina disponível para encontrar essas doenças, ter essas vacinas”, disse.
Para finalizar, o médico explica que não passa apenas de uma sazonalidade. Conforme a temperatura vai voltando ao normal e começa a melhorar o clima, as pessoas deixam de ficar aglomeradas em lugares fechados e a tendência é que a circulação dos vírus respiratórios diminua. “É uma questão bem sazonal, esse é o termo que a gente utiliza, a demanda por leitos intensivos pediátricos tem essa relação com o clima mesmo”, declarou.
Orientação e edição: Prof. Artur Araujo

