Acompanhamento médico garante a perda de peso de maneira saudável, afirma nutricionista
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Por Jéssica Midori
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A perda de peso motivada pelo fator estético é iniciada de forma autônoma, e pode ter acompanhamento profissional ou não. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Globo Repórter, em 2022, das mil pessoas entrevistadas mais da metade já tentaram alguma dieta para emagrecer, desse número, 61% passou pelo processo sem acompanhamento de especialista.
A nutricionista Juliana Abujanra comenta que o acompanhamento profissional é fundamental porque garante que a perda de peso aconteça de forma saudável, preservando energia, nutrientes e respeitando o equilíbrio hormonal. “Já atendi pessoas que recorreram a dietas muito restritivas, jejum extremo ou remédios para emagrecer por conta própria, e acabaram prejudicando a saúde. Essa situação reforça a importância do acompanhamento profissional”, afirma.
Para ela, perder peso de forma saudável representa uma jornada acompanhada pelas mudanças que possam ser mantidas a longo prazo, “sem querer transformar tudo de um dia para o outro”, recomenda. O segredo, revela, é consistência, escolhas conscientes e ajustadas à rotina, sem extremismos. Juliana Abujanra defende que o acompanhamento profissional ajuda não apenas a emagrecer de forma segura, mas também a trabalhar o controle mental e fortalecer a confiança.
Ouça a entrevista com a nutricionista:
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(Foto: Jessica Midori)
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Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia e Instituto Datafolha, apontou que 24% dos brasileiros já usaram alguma substância para emagrecer, com o fator atrativo para mais da metade dos consumidores sendo a oferta de resultado rápido. Para 24% dos entrevistados a escolha é influenciada pelas experiências compartilhadas de quem já usou.
Essa foi a experiência da advogada Katia Garcia, apesar de recentemente o peso começar a impactar a sua saúde, conta que por muito tempo a busca pelo emagrecimento foi exclusivamente por estética. “Eu já experimentei de tudo, tomei remédios, fiz dietas que estavam na moda, chás que prometiam tudo e até apliquei injeção, nunca busquei acompanhamento profissional. Sempre segui indicações de amigas, ou alguma divulgação na internet”, relata.
A médica Maria Vitória Barbosa, residente em endocrinologia, afirma que alguns prejuízos não se manifestem de imediato, pelo uso inadequado de medicações. “Essas medicações têm a finalidade de tratar doenças crônicas. Como toda medicação, têm efeitos colaterais como constipação, desidratação decorrente da diarreia, náuseas e até desenvolvimento de doenças como pancreatite”, conta a médica.
Apesar do resultado notável na aparência, a advogada comenta que essa mudança foi temporária, e que as sequelas a levaram a precisar de atendimento médico. “Não dá para negar que de imediato foram eficientes, mas quando eu finalizava a dieta engordava o dobro”, relata. A experiência que a deixou mais assustada foi com o Ozempic. “Eu passei tão mal que precisei ir ao pronto socorro”, relembra.
De acordo com a médica, atendimentos emergenciais como o da advogada, são comuns. Como exemplo, ela ressalta que dengue, por desidratar, leva à internação, o mesmo que acontece com as pessoas que usam Mounjaro. “Assim como a dengue é fatal, a desidratação decorrente do uso de medicação também é”, reforça.
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A motivação de Eliana Antonucci foi diferente. Aos 55 anos de idade, a dentista conta que ganhou peso com a menopausa, com dores no corpo e falta de disposição. A preocupação levou-a ao consultório com endocrinologista. “O médico me recomendou Ozempic, mas a primeira aplicação da injeção foi o suficiente para eu não querer seguir com o tratamento. Comecei a sentir fortes dores de cabeça”, relata.
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De acordo com a médica, apesar do método adequado variar conforme as particularidades do paciente, no geral, é uma equipe multidisciplinar que vai garantir a perda de peso saudável. Ela afirma que além do endocrinologista, são necessários um psiquiatra e um psicólogo, um nutricionista e um educador físico. “A medicação atua somente como tratamento, há muitas pessoas que apenas com mudanças de hábito conseguem perder peso”, reforça. Os medicamentos, frisa, são indicados para quem tem outras comorbidades como alto risco cardiovascular, diabetes associadas ao ganho de peso e hipertensão.
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Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Murilo Sacardi

