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Uso medicinal da cannabis traz sim qualidade de vida

Campinas recebeu ontem o Fórum Cannaconha que debateu temas como o uso curativo da maconha

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Texto e imagens: Aline Assis

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Após acompanhar a divulgação do fórum pelas redes sociais, Adriele Oliveira Paulina, moradora de Nova Odessa decidiu participar em busca de mais informação e compartilhou como a cannabis transformou a vida de sua família. “Foi um processo difícil e doloroso até a cannabis entrar na nossa vida. Minha família sofreu muito, mas hoje o pouco acesso que conseguimos já fez toda a diferença. A maconha virou meu remédio. É o que me acalma, coloca minha cabeça no lugar e me permite cuidar do meu filho com mais qualidade de vida.”

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No dia 29 de agosto Campinas recebeu o Fórum Cannaconha no Espaço Pangeia, para debater temas centrais como o uso medicinal da planta, redução de danos e a reparação histórica das comunidades negras e periféricas. O evento reuniu participantes de diferentes faixas etárias e contou com especialistas, ativistas e representantes de coletivos nacionais e internacionais. O fórum abordou três temas principais: o empreendedorismo na periferia, o uso medicinal e integral da cannabis especialmente na luta da comunidade trans em Campinas e os impactos do cárcere no contexto da política de drogas no Brasil.

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Na roda de conversa, Cura além do remédio foi um dos temas levantados. O debate se voltou para a relação da cannabis com o cuidado e a saúde integral. Fabrício Moraes, filósofo e integrante da União Nacional LGBT, destacou o papel da planta como aliada na transição de gênero e questionou a ausência de políticas públicas voltadas a essa população: “O uso é ancestral, a proibição que é recente. A quem é dado o direito ao cuidado?” Para Moraes, trazer a cannabis ao debate não significa apenas falar de saúde, mas também de pertencimento coletivo: “Depois a gente sai pelo continente, agora a gente tá na Pangeia. É preciso trazer organicidade pro rolê.”

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Os debatedores do Fórum Cannaconha // público presente no Espaço Pangeia

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O que precisa ser feito?
A realidade do cárcere também foi colocada na roda e discutida em perspectiva histórica. Débora Aguiar, integrante do grupo Sisters of the Valley Brasil, ressaltou como o sistema penal brasileiro ainda carrega heranças coloniais que afetam sobretudo pessoas negras, indígenas e periféricas. “Quem está preso não são os grandes negociadores, mas sim os jardineiros e trabalhadores da favela”, o que reforça a desigualdade da chamada guerra às drogas.

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Camila e Jessica Souza, CEOs da ONG Pangeia, encerraram a roda de conversa reforçando o caráter coletivo e libertador do fórum “Que seja um movimento livre. É muito significativo ter força para, se caso precisar, fazer barulho; é mais um movimento somando com outros movimentos, e poder ter essa liberdade para traduzir para a realidade do Brasil, mostrando o que realmente está acontecendo aqui.”, destacou Jéssica.

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Como voz internacional, ouviu-se a participação de Sister Camila, integrante do grupo Sisters of the Valley no México. Atuante no movimento desde 2018, ela relatou os desafios de expandir o ativismo em seu país e reforçou a importância de criar espaços seguros onde mulheres possam se fortalecer por meio da cannabis. “Nosso grupo nasceu para que mulheres de diferentes culturas e origens possam trabalhar com a planta de forma segura, livre e economicamente independente. Não queremos impor ideias, mas colaborar para que essa ideologia transcenda fronteiras e chegue a mais pessoas”.

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A ONG Pangeia, liderada por pessoas pretas e atuante desde 2024, conta com equipe multidisciplinar de médicos, agrônomos, advogados e assistentes sociais. A organização promove dignidade, equidade e bem-estar, oferecendo atendimento gratuito e debatendo políticas públicas de saúde e direitos em Campinas e região.

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Orientação e edição: Adauto Molck

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