Colecionadores revelam o que mantém o disco de vinil vivo, mesmo na era das plataformas de streaming
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Por Manuela Papa
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Discos de vinil têm ascendido novamente no mercado musical nos últimos anos, vivendo uma nova onda, nostálgica e popular. De acordo com um levantamento realizado pela Pró-Música Brasil, entidade que aporta as maiores gravadoras do país, no ano de 2023, vendas de discos de vinil aumentaram 136%, superando outras mídias, como CD e DVD. Por isso, as feiras de vinil, que juntam colecionadores, vendedores e entusiastas pelo analógico têm sido um ponto de encontro entre jovens à procura do primeiro LP, e os mais velhos, antigos conhecedores das bolachas capazes de emitir som.
No Brasil, o primeiro vinil veio em 1951, lançado pela gravadora Sinter. O disco, de nome Carnaval, continha várias marchinhas e sambas interpretados por artistas populares na época, como o grupo Os Cariocas e o sambista Geraldo Pereira. Entretanto, a popularidade do vinil se estendeu até os anos 1966, já que com a chegada do Compact Disc, o famoso CD, os Long Play foram deixados de lado.
Aquino Batista, músico, colecionador e vendedor de discos destaca que o vinil, apesar de ter dado uma “sumida”, voltou com tudo entre os jovens da geração Z. O motivo, segundo ele, se dá pelo conjunto: uma capa chamativa com a qualidade sonora presente no disco. “A qualidade, a arte das capas, pegar a bolacha e dizer “cara, vai sair música disso?” pegar a agulha do toca-discos, colocar em cima e sai aquele som, isso dá um impacto muito grande na pessoa”, relata.
Atualmente, colecionar discos de vinil pode ser considerada uma tarefa difícil, mesmo com os índices de mercado positivos. O hobby é uma prática valorizada, e bons discos são caros. É comum encontrar LPs na casa dos R$100,00, para mais. “A superinflação no preço se dá pela raridade dele. É aquela fé que a gente deposita nesse bem. É uma coisa única. A singularidade do vinil é o que vai inflacionar o valor”, explica Christian Müller, que trabalha no segmento e tem um acervo familiar herdado do pai. Ele ainda reforça que acredita que valor nenhum é capaz de pagar pela experiência que o disco de vinil proporciona.
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Com a compra, vem o cuidado. Manter os discos também não é tão simples. O vinil é uma mídia física que depende totalmente de sua integridade para que seja possível ter uma experiência sonora satisfatória. Capas degradam, discos arranham, e o som menos fabricado e nada artificial, com o som ambiente de fundo pode dar lugar ao streaming, que apresentam faixas cheias de edição, teclados e efeitos vocais. Müller ainda comenta que ao adquirir um LP, além de dedicação com o bem material, é necessário ter um local para armazenar os discos em casa, um bom toca-discos, que não danifique a bolacha, e até uma temperatura controlada no local escolhido para armazená-los, evitando a umidade.
Denis Moura, vendedor desde os anos 80 e colecionador desde os anos 70, após os irmãos mais velhos migrarem para o CD, aposta em vinis raros e underground para conquistar a clientela. Querendo se destacar entre os demais, Moura foge dos clássicos e persegue os peixes grandes dos anos 60 e 70, favoritos dos colecionadores. Ele reitera que, por isso, seus discos têm um preço mais elevado, podendo passar da casa dos R$800,00. Entretanto, comentou que existem algumas alternativas para pagar mais barato em bons discos. “Hoje, tem muitas reedições de discos originais (…) quem não pode pagar um disco original, vai atrás da reedição, que é mais barata”.
A qualidade, porém, e inferior a uma gravação original, mas, ainda assim, os avanços em equilibrar os dois são promissores. Denis ainda completa dizendo que “desde que consigam encontrar a fita master e ter um bom engenheiro de som, é possível ter uma qualidade similar ao original”.
Em meio a era dos streamings, Rene Sandoli e os demais entrevistados destacaram que não usam Spotify, Deezer e derivados como reprodutor de música, pela qualidade baixa de processamento e pelo som pré-fabricado em estúdio, o contrário do que se vê em discos de vinil. Por isso, o fenômeno voltou a se popularizar.
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Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Murilo Sacardi

